sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Shaman - Origins

      Acabo de ler no Whiplash uma carta-protesto escrita pelo Thiago Bianchi, vocalista da formação nova do Shaman. Desde que o Shamam recomeçou após a saída do Andre Matos e dos irmãos Mariutti eu tive uma leve implicância com ele, que nesse exato momento em que redijo estas linhas desvaneceu-se, dando lugar a uma enorme admiração. Eu não vou citar aqui o que ele disse, confira você mesmo clicando aqui.
       E aproveitando o ensejo, decidi então falar do novo lançamento do Shamam, “Origins”. Em 2007 veio ao mundo o renascimento da banda, que parecia ter colocado final numa curta e impactante carreira; mas Ricardo Confessori não desanimou (alguns fãs mais extremistas preferem achar que se tratou de interesse, mas enfim) e recrutou novos e talentosos músicos para reerguer a banda das cinzas. E neste contexto tivemos o muito bom “Immortal”, que desagradou vários fãs antigos, mas que deixou boa impressão para outros tantos e ainda arrebanhou novos seguidores.
      “Origins” teve um processo longo e demoradode criação. Foram três anos de muito trabalho, de muita dedicação e esforço, onde cada detalhe foi lapidado ao extremo pra que ao fim o fã tivesse um material de qualidade irreprensível e altíssimo nível, não deixando absolutamente nada a desejar a qualquer banda europeia ou americana. A história por trás de “Origins” é a de um garoto de uma tribo dos confins da Sibéria (terra de origem dos primeiros xamãs que se tem notícia), que tem como missão de vida se tornar o líder mágico e espiritual de seus semelhantes. Mas no começo ele não aceita, e foge da tribo, começando uma penosa jornada de auto-conhecimento, que tem seu fim no momento que ele aceita seu destino e retorna ao lar.
      Somos introduzidos no mundo do menino siberiano com 'Origins (The Day I Die)', uma intro mística, repleta de elementos étnicos e misteriosos, no melhor estilo Shaman. 'Lethal Awakening' é um powermetal vigoroso, cheio de energia, e a primeira das inúmeras amostras do alto nível da produção que foi dado ao disco; o som é perfeito, muito bem mixado e masterizado, e a composição em si também parece ser trabalhada a exaustão.Grande modo de abrir o disco!
       A música a seguir é considera por muitos fãs e críticos como a melhor do disco. 'Inferno Veil' é um petardo daqueles, com Confessori descendo o braço na bateria com tudo, riff's rápidos e cortantes e com Thiago soltando a voz numa de suas melhores apresentações da carreira. Individualmente, nota 10 para a música. Em seguida temosa peça “Ego”, que é dividida em duas partes, a primeira bem suave, com flautas e intrumentos exóticos, já a segunda caindo com tudo novamente no metal melódico veloz, pesado e técnico. Ambas as músicas são muito bacanas, bem pensadas e que criam um clima que condiz com o conceito das letras.
       'Finally Home' começa bem baixa, com ruídos de teclado e outros sons místicos, e aos poucos vai crescendo e tomando forma até explodir num musicão épico, tocante, em mais uma bela interpretação de Biachi. Mais um ponto alto do play. E numa batida bem parecida vem 'Rising Up to Life', que inicia com linhas de teclado mais claras, muito bonitas, que se junta a um instrumental grandioso e um refrão imponente.
       Já 'No Mind' e 'Blind Messiah' tem aquele ar mais europeu, com bastante velocidade, de forma um tanto reta, mas que consegue unir as batidas mais malemolentes que Confessori sabe dar, garantido uma aura de originalidade bastante característica. E a última faixa é 'S.S.D. (Signed, Sealed and Deliver)', que remonta de certa forma ao disco “Ritual”, com toda a atmosfera mística e étnica que é marca registrada do Shaman. Mistura bem esses elementos de world music com metal melódico de primeira linha, fechando perfeitamente com o conceito, pondo ponto final na jornada do xamã renascido. Final épico, eu diria.
        O metal brasileiro infelizmente é desunido (entre os fãs, pra deixar claro), não tem espaço na mídia e é muito estigmatizado pela parcela conservadora e de mente fechada da sociedade. É um tipo de arte que exige muita vontade e dedicação, com pouco retorno e reconhecimento, e que é feito com o coração e com a alma, sendo algo muito difícil e duro gravar e lançar um disco de Heavy Metal. E com este “Origins”, e também com tantos outros lançamentos de muita qualidade de bandas briasileiras, podemos perceber que o metal tem um potencial enorme, só falta espaço e vontade de alguns. Na carta do Thiago ele desabafa sobre esses temas, e convoca os fãs verdadeiros a se mobilizarem, para mudar essa situação e dar ao metalseu merecido lugar ao sol.
        Então eu peço a qualquer um que por ventura esteja lendo essas linhas: faça sua parte! Encha o saco da rádio da sua cidade, dos grandes meios de comunicação, valorize as bandas que você não curte, apoie e muito as que você curte, vá nos shows, compre Cd's, camisetas, aqueça o mercado! Não adianta só pagar pau para banda estrangeira, quando se tem tanta coisa boa bem embaixo dos nossos narizes ;D


O Shamam é:

Thiago Bianchi – Vocais
Léo Mancini – Guitarra
Fernando Quesada – Baixo
Ricardo Confessori – Bateria



Track List:

  1. Origins (The Day I Die) (0:59)
  2. Lethal Awakening (3:38)
  3. Inferno Veil (5:20)
  4. Ego pt 1 (2:19)
  5. Ego pt 2 (4:59)
  6. Finally Home (5:50)
  7. Rising up to Life (3:36)
  8. No Mind (4:09)
  9. Blind Messiah (5:40)
  10. S.S.D. (Signed, Sealed and deliver) (5:50)




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