terça-feira, 30 de novembro de 2010

Hydria - Poison Paradise


         A banda de Symphonic Metal carioca Hydria está lançando seu segundo álbum de inéditas, intitulado “Poison Paradise”, sucessor de “Mirror of Tears” (2008). Se utilizando da divulgação e da amplitude oferecidas pela internet, eles apostam na distribuição gratuita do trabalho, oferecendo-o gratuitamente para download em seu site, mas também reforçando que existe o produto físico à venda. Musicalemnte falando, é um disco que supera e em muito seu antecessor, mostrando todo o talento e garra de uma jóia da nova geração do metal verde e amarelo.
       Segundo o realese divulgado pela banda, a ideia cenral do disco é o impacto que o ser humano causa sobre o mundo que o cerca, meio ambiente, sociedade e semelhantes. Aborda uma vasta gama de sentimentos, dos mais intensos aos mais suaves, refletindo sobre o péssimo modo como o homem conduz o mundo, que quase está fadado a auto-destruição, mas que ao mesmo tempo ainda pulsa e tem esperança. É um disco maduro, repleto de sonoridades distintas, denotando uma banda muito segura e confiante.
       A audição já começa com tudo em 'Time of my Life (Center of my Universe)', que logo de cara despeja riffs pesados, bateria acelerada e técnica, vocais guturias que constrastam com os limpos da vocalista (no manjado modelo “A bela e a fera”, mas que aqui soa muito bem, sem ser taxado ou repetitivo). Uma ótima faixa de abertura, que dá a tonalidade do que virá mais adiante. 'The Place Where We Belong' também é bastante pesada e bombástica, tendo um clima bastante soturno, o que dá um ótimo contraste com seu peso, redundando numa atmosfera muito criativa.
        Logo em seguida vem a também muito boa 'Whisper', que conta com um andamento mais cadenciado, um clima mais light, mas que tem pegada e personalidade, e ótima interpretação de Raquel Schüler. A seguir chega a bela 'When You Call My Name', que mescla alguns elementos que me soaram um pouco folk, com melódias mais pop, mas sem nuncar perder de vista o peso e a intensidade. E o refrão é muito bom, marcante e fácil de acompanhar.
         A faixa que vem depois, 'Finally', tem uma certa pegada de metal melódico, bem acelerada, com técnica e peso característicos, mas que juntamente deixa muítissimo claro a latente veia sinfônica da banda. Uma peça muito interessante e versátil. Como nome bem diz, 'Prelude' é um prelúdio (:p), soturno e sombrio, que se une com 'Distant Melody', que também é curta, sozinha não passando de 3 minutos; é uma música mais reta, com menos elementos sinfônicos ou ambientais, mas que não é ruim por causa disso, muito pelo contrário, sendo absolutamente competente e bem empolgante até. 'The Sword' é a próxima, com teclados grandiosos logo de primeira, que abrem caminho para ótimos riffs de guitarra, que se unem ao restante do instrumental formando um musicão, grandioso e surpreendente.
       A dupla 'Queen of Rain' e 'Sweet Dead Innocence' demonstra toda a versatilidade da banda, englobando muitas coisas distintas, indo de momentos sombrios e obscuros até explosões grandiosas, com alguns corais, sinfonias e melodias sensíveis e marcantes. A faixa título talvez seja a melhor de todas, que une tudo o que se ouviu antes, muito peso, harsh vocals, teclados muito bem colocados e o incrível clima sinfônico, excepcionalmente bem construído.
      E o disco termina com 'In the Edge of Sanity' e 'The Only One', que trilham o mesmo caminho das demais, sendo por isso muito boas e interessantes.
      O Hydria é uma banda muito promissora, que dentro de uma cena supersaturada consegue ser única e criativa. Óbviamente que se espelham em bandas como Nightwish, Epica, Within Temptation, o finado After Forever e outros grandes nomes, mas em momento algum tentam ser uma cópia descarada destas, tendo sua própria personalidade e sonoridade, apostando no próprio talento e criatividade, não em fórmulas batidas. E isso logo se vê com a vocalista Raquel, que não é uma Tarja/Floor/Simone wannabe, mas sim uma moça de muito talento e luz próprias, que além da beleza tem muita técnica e versatilidade. E isso tudo também vale para os demais integrantes, que buscam ser sinceros como que se propõe, o que é fundamental para o mundo musical de hoje em dia.
       O download é de graça, mas quem gostar mesmo tem o dever de comprar o CD original e dar apoio para a banda, que tem tudo para ser mais um representante do prolífico e talentoso (porém tão desvalorizado em sua prórpia terra) metal brasileiro para o mundo todo admirar!

O Hydria é:

Raquel Schüler – Vocais
Marcelo Oliveira – Guitarra
Márcio Klimberg – Teclados
Turu Henrick – Baixo
Fabiano Martin – Bateria


Track List:

  1. Time of My Life (Center of My Universe) (4:35)
  2. The Place We Belong (4:48)
  3. Whisper (4:01)
  4. When You Call My Name (4:48)
  5. Finally (4:45)
  6. Prelude (0:55)
  7. Distant Melody (2:45)
  8. The Sword (4:22)
  9. Queen of Rain (4:08)
  10. Sweet Dead Innocence (4:43)
  11. Poison Paradise (4:22)
  12. Tn the Edge of Sanity (3:49)
  13. The Only One (4:06)



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Daydream XI - Humanity's Prologue

     “Em 2005, foi formada a Osmium, banda sem grandes pretensões e que tocava apenas covers. Nos anos seguintes, o grupo passou a compor músicas próprias e, junto com a formação de sua identidade musical, conquistou cada vez mais fãs, paralelamente ao amadurecimento do grupo. No final de 2008, o grupo mostrou sua nova fase, DAYDREAM XI. Com este novo nome, o quinteto formado por Tiago Masseti (vocal), Marcelo Pereira (guitarra), Cássio de Assis (guitarra), Tomás Gonzaga (baixo) e Lucas Santos (bateria) apresentou seu prog/power metal, lançando seu primeiro EP, intitulado "Humanity's Prologue" (disponível aqui na página do myspace), que conta com produção do guitarrista Renato Osorio (Magician, Scelerata e Fighterlord). Em 2009, Lucas Santos deixou a banda e agora o Daydream XI conta com um novo baterista, Bruno Giordano, que será apresentado em breve. Em meio a isso a banda está compondo o material que estará em seu primeiro álbum.”
       Essa é a biografia que consta na página do Myspace do Daydream XI, uma muito interessante banda gaúcha de metal progressivo, que eu acabei conhecendo por acaso, ao ver que eles iriam ser uma das bandas que irá abrir o show do Angra em Porto Alegre no próxima dia 5. Baixei o dito EP “Humanity's Prologue”, disponibilizado gratuitamente no Myspace, e fiquei positivamente surpreso com o que ouvi em suas 4 faixas autorais.
       A banda faz um prog metal bastante característico, visivelmente calcado em Symphony X, em algo que soa como ua mistura de “V: The New Mythology” (2000) com “Paradise Lost” (2007). Une muito coerentemente peso com técnica e virtuosismo, com ótimos solos de guitarra de Marcelo Pereira e Cássio de Assis, baixo bem ativo e bateria que flutua entre peso e quebras muito bem colocadas, e ainda a muítissima competente apresentação vocal de Tiago Masseti, que tem traços característicos dos vocalistas de prog, mas que também sabe muito bem dar uma personalidade própria para sua interpretação. O rapaz pode ser tido como uma bela revelação no cenário nacional, um ótimo vocalista, cheio de potencial e vontade.
       Bem, não vou me ater muita nas faixas, que tem suas características próprias e marcantes, mas deixo a cargo de quem se interessar conferir e tirar suas conclusões, já que vale bastante a pena, já que é um trabalho bastante profissional, bem gravado e produzido, de uma banda de futuro.
      E outra coisa que me chamou a atenção foi a belíssima arte da capa, assinada por Gustavo Sarzes (Nome que vem se consolidando na cena do metal, trabalhando com as principais bandas do país). Para uma banda iniciante eles estão investindo bem, oferecendo um ótimo material em todos os aspectos para o público.
       Não tenho certeza se existe CD físico do EP, mas se por acaso tiver para vender no domingo comprarei um e vou ver se existe algum outro ponto de venda. Se alguém aí curtir o som deles, e for possível comprar o produto, não deixe de faze-lo, para prestigiar e dar força para o nosso cenário nacional! ;D

O Daydream XI é:

Tiago Masseti – Vocais
Marcelo Pereira – Guitarra
Cássio de Assis – Guitarra
Tomas Gonzaga – Baixo
Bruno Giordano – Bateria


Track List:

  1. Graveyard of Disgrace (7:25)
  2. Beyond the Veil (4:46)
  3. Travel Throught Time (6:20)
  4. Open Minds (10:25)

sábado, 27 de novembro de 2010

Jon Oliva's Pain - Festival

       Jon Oliva é uma lenda viva. Ajudou a fundar uma das bandas mais influentes da história do Heavy Metal, o Savatage, em idos dos anos 80. Mesmo a banda não tendo o reconhecimento que mereceria, é uma das maiores e mais importantes de todos os tempos, tendo influencido gerações de bandas nas décadas seguintes. Com o fim definitivo do Savatage em 2001 (ou ao menos uma pausa que se estende até hoje e sem previsão de retorno), Jon começou uma nova empreitada, o Jon Oliva's Pain.
     Com esta banda nova Jon explora novos horizontes e sonoridades, sem tentar ser uma cópia descarada do que ele já fizera no seu passado dourado com o Savatage. Este “Festival” é o quarto registro da banda, e o primeiro a ter realmente alguma notoriedade e aceitação positiva, já que os anteriores causaram bastante desconfiança entre os fãs e a crítica, em razão de seus experimentalismos estranhos e não muito bem sucedidos. Porém desta vez Jon acertou a mão, criando um disco de Heavy Metal da melhor qualidade, extremamente criativo, mas que não apela para invencionices sem pé nem cabeça, num resultado primoroso, elegante de um bom gosto incrível.
     'Lies' abre a audição mostrando que o Rei da Montanha não veio para brincadeira. Uma música pesada, de riff's legais e todo um clima criado juntamente com as linhas de teclado do próprio Jon. Melhor início impossível. Em seguida temos a melhor do disco, 'Death Rides a Black Horse', que já começa com uma levada sombria de guitarra, mais teclados atmosféricos e flutuantes que compõe um clima obscuro e mesterioso, e uma interpretação irreprensível do vocalista, dando a entender que encontra-se ainda no auge de sua voz. Uma música fabulosa, de refrão grandioso que fica ecoando pela cabeça durante muito tempo. Sim, a melhor do disco.
       O play segue com a faixa-título, que segundo o próprio autor foi inspirada num pesadelo que teve num hotel holandês há alguns anos (e o tema acabou influenciando toda a temática do disco). Assim como um pesadelo, é uma música bastante escura, assim digamos, soturna, e pertubadora, com afinações e timbres diferentes do usual. Uma bela música que encara bem a tarefa de ser o título do trabalho. E por falar em soturnidade, 'Afterglow' leva o termo ao pé da letra. Inicia como uma baladinha bonitinha, como um belo dia de sol, mas que aos poucos vai escurecendo até se tornar uma noite escura e cheia de assombrações. Numa tradução livre significaria algo como “após o brilho”, e com o clima que ela tem, é um termo mais que apropriado.
        As guitarras de 'Living on the Edge' são bem mais destacadas em relação aos elementos climáticos, soando bem heavy, direta e sem firulas. Mais um dos pontos altos do disco. E depois vem uma bonita balada, 'Looking for Nothing', mostrando um Jon que sabe variar bem seus tons de voz ao cantar, com uma interpretação completamente limpa e cristalina. Tem um instrumental bem simples, mas repleto de feeling e bom gosto. Uma bela pérola no meio deste mar de obscuridades e pesadelos.
        É pesadona e raivosa a faixa subsequente, 'The Evil Within'. Mais guitarras destacadas, alguns corais discretos próximos ao refrão, Jon cantando demais e com certeza repleta de figuras assombrosas dos mais tenebrosos pesadelos. 'Winter Heaven' é outra que começa suave e tranquila, mas que ao longo do tempo vai sendo deformada até virar uma cena caótica de distorções e peso, vocais insanos e uma imagem de uma paisagem de inverno cinzenta onde algo macabro acontece. Belíssima canção.
      Somos conduzidos para o final do disco com 'I Fear You', muito pesada, cheia de distorções e teclados, e com um refrão nada melódico, mas que fica bem grudado na cabeça, numa interpretação magistral de Jon, que sabe dosar raiva com leveza perfeitamente. E para terminar temos mais uma ótima balada. 'Now' se diferencia porque reune elementos bem soft's com algumas coisas mais pesadas, com sutileza, dando uma cara única a ela, fechando o disco com classe, como se acordassemos de uma noite de sono tumultuada.
       Vale ressaltar que algumas das músicas deste “Festival” foram criadas a partir de gravações antigas Criss Oliva, irmão de Jon e guitarrista do Savatage, que acabou falecendo num acidente de carro nos anos 90. Uma forma muito digna de homenagea-lo já que provavelmente o Savatage não voltará a se reunir.
       Baita disco, bastante variado e criativo, que deve agradar os fãs do finado Savatage e também a quem admira este grande sujeito que está na história do Metal mundial.


O Jon Oliv's Pain é:

Jon Oliva – Vocais e teclados
Matt Laporte – Guitarra
Tom McDyne – Guitarra
Kevin Rothney – Baixo
Chris Kinder – Bateria



Track List:

  1. Lies (6:19)
  2. Death Rides a Black Horse (6:15)
  3. Festival (4:59)
  4. Afterglow (6:50)
  5. Living on the Edge (5:10)
  6. Looking for Nothing (3:05)
  7. The Evil Within (5:15)
  8. Winter Heaven (7:38)
  9. I Fear You (5:11)
  10. Now (4:23)



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Stratovarius - Darkest Hours (EP)


        Postagem curta e rápida. Acabei de baixar o novo EP do Stratovarius, “Darkest Hours”. Depois da saída de Timmo Tolkki a banda lançou o fraco “Polaris”, que mostrava um grupo que começava a buscar uma nova cara, uma nova força mas sem perder a essencia dos anos dourados; fora com passos lentos e cambaleantes, que redundaram num disco confuso e pouco inspirado, mas que mostrava potencial.
        Pois bem, precedendo o lançamento de “Elysium”, no próximo mês, temos este interessante EP chamado “Darkest Hour”, que traz cinco fiaxas, sendo duas inéditas, uma demo e dois clássicos gravados ao vivo durante a recente turnê do último disco. Minhas expectativas sobre o vindouro disco cresceram, já queo material apresentado é bastante animador.
       A faíxa-título tem a cara do Stratovarius, acelerada, guitarra virtuosa e bumbo duplo comendo a valer e refrão melódico. Mas não soa datada ou batida, um tipo auto-plágio ou qualquer coisa do gênero; tem uma cara toda especial, única, muito legal e que atiça a curiosidade sobre o que ainda está por vir. E 'Infernal Maze' trilha o mesmo caminho, com toda a virtuosidade inerente à tradição da banda, efeitos e teclados em seu início com falas de Kotipelto, que mais adiante dá mostras de estar na sua melhor fase como vocalista. Muito boa música, e quedá ainda mais esperança para “Elysium”.
       Ainda temos a versão demo de 'Darkest Hours', e os clássicos 'Against the Wind' e 'Black Diamond' em versão ao vivo da “Polaris World Tour” no ano passado e no começo deste. Não acrescentam muito mais, mas são itens interessantes para quem coleciona tudo referente a banda.
        Em suma, um ótimo aperitivo, e que valerá bastante a pena adquirir quando chegar as lojas.

O Stratovarius é:

Timo Kotipelto – Vocais
Jens Johansson – Teclados
Matias Kupiainen – Guitarra
Jörg Michael – Bateria
Lauri Porra – Baixo


Track List:

  1. Darkest Hours (4:12)
  2. Infernal Maze (5:34)
  3. Darkest Hous – Demo (4:35)
  4. Against the Wind – Live (4:02)
  5. Black Diamon – Live (7:30)




Recentemnete o baterista Jörg Michael foi dignosticado com um câncer de tireóide. Algo muito ruim e complicado, mas acredito que com as vibrações positivas de nós fãs ele se livra dessa! Força Jörg!


E Agadecimentos especiais ao Pikachu Sama pelo link. Valeu amigão!

Shaman - Origins

      Acabo de ler no Whiplash uma carta-protesto escrita pelo Thiago Bianchi, vocalista da formação nova do Shaman. Desde que o Shamam recomeçou após a saída do Andre Matos e dos irmãos Mariutti eu tive uma leve implicância com ele, que nesse exato momento em que redijo estas linhas desvaneceu-se, dando lugar a uma enorme admiração. Eu não vou citar aqui o que ele disse, confira você mesmo clicando aqui.
       E aproveitando o ensejo, decidi então falar do novo lançamento do Shamam, “Origins”. Em 2007 veio ao mundo o renascimento da banda, que parecia ter colocado final numa curta e impactante carreira; mas Ricardo Confessori não desanimou (alguns fãs mais extremistas preferem achar que se tratou de interesse, mas enfim) e recrutou novos e talentosos músicos para reerguer a banda das cinzas. E neste contexto tivemos o muito bom “Immortal”, que desagradou vários fãs antigos, mas que deixou boa impressão para outros tantos e ainda arrebanhou novos seguidores.
      “Origins” teve um processo longo e demoradode criação. Foram três anos de muito trabalho, de muita dedicação e esforço, onde cada detalhe foi lapidado ao extremo pra que ao fim o fã tivesse um material de qualidade irreprensível e altíssimo nível, não deixando absolutamente nada a desejar a qualquer banda europeia ou americana. A história por trás de “Origins” é a de um garoto de uma tribo dos confins da Sibéria (terra de origem dos primeiros xamãs que se tem notícia), que tem como missão de vida se tornar o líder mágico e espiritual de seus semelhantes. Mas no começo ele não aceita, e foge da tribo, começando uma penosa jornada de auto-conhecimento, que tem seu fim no momento que ele aceita seu destino e retorna ao lar.
      Somos introduzidos no mundo do menino siberiano com 'Origins (The Day I Die)', uma intro mística, repleta de elementos étnicos e misteriosos, no melhor estilo Shaman. 'Lethal Awakening' é um powermetal vigoroso, cheio de energia, e a primeira das inúmeras amostras do alto nível da produção que foi dado ao disco; o som é perfeito, muito bem mixado e masterizado, e a composição em si também parece ser trabalhada a exaustão.Grande modo de abrir o disco!
       A música a seguir é considera por muitos fãs e críticos como a melhor do disco. 'Inferno Veil' é um petardo daqueles, com Confessori descendo o braço na bateria com tudo, riff's rápidos e cortantes e com Thiago soltando a voz numa de suas melhores apresentações da carreira. Individualmente, nota 10 para a música. Em seguida temosa peça “Ego”, que é dividida em duas partes, a primeira bem suave, com flautas e intrumentos exóticos, já a segunda caindo com tudo novamente no metal melódico veloz, pesado e técnico. Ambas as músicas são muito bacanas, bem pensadas e que criam um clima que condiz com o conceito das letras.
       'Finally Home' começa bem baixa, com ruídos de teclado e outros sons místicos, e aos poucos vai crescendo e tomando forma até explodir num musicão épico, tocante, em mais uma bela interpretação de Biachi. Mais um ponto alto do play. E numa batida bem parecida vem 'Rising Up to Life', que inicia com linhas de teclado mais claras, muito bonitas, que se junta a um instrumental grandioso e um refrão imponente.
       Já 'No Mind' e 'Blind Messiah' tem aquele ar mais europeu, com bastante velocidade, de forma um tanto reta, mas que consegue unir as batidas mais malemolentes que Confessori sabe dar, garantido uma aura de originalidade bastante característica. E a última faixa é 'S.S.D. (Signed, Sealed and Deliver)', que remonta de certa forma ao disco “Ritual”, com toda a atmosfera mística e étnica que é marca registrada do Shaman. Mistura bem esses elementos de world music com metal melódico de primeira linha, fechando perfeitamente com o conceito, pondo ponto final na jornada do xamã renascido. Final épico, eu diria.
        O metal brasileiro infelizmente é desunido (entre os fãs, pra deixar claro), não tem espaço na mídia e é muito estigmatizado pela parcela conservadora e de mente fechada da sociedade. É um tipo de arte que exige muita vontade e dedicação, com pouco retorno e reconhecimento, e que é feito com o coração e com a alma, sendo algo muito difícil e duro gravar e lançar um disco de Heavy Metal. E com este “Origins”, e também com tantos outros lançamentos de muita qualidade de bandas briasileiras, podemos perceber que o metal tem um potencial enorme, só falta espaço e vontade de alguns. Na carta do Thiago ele desabafa sobre esses temas, e convoca os fãs verdadeiros a se mobilizarem, para mudar essa situação e dar ao metalseu merecido lugar ao sol.
        Então eu peço a qualquer um que por ventura esteja lendo essas linhas: faça sua parte! Encha o saco da rádio da sua cidade, dos grandes meios de comunicação, valorize as bandas que você não curte, apoie e muito as que você curte, vá nos shows, compre Cd's, camisetas, aqueça o mercado! Não adianta só pagar pau para banda estrangeira, quando se tem tanta coisa boa bem embaixo dos nossos narizes ;D


O Shamam é:

Thiago Bianchi – Vocais
Léo Mancini – Guitarra
Fernando Quesada – Baixo
Ricardo Confessori – Bateria



Track List:

  1. Origins (The Day I Die) (0:59)
  2. Lethal Awakening (3:38)
  3. Inferno Veil (5:20)
  4. Ego pt 1 (2:19)
  5. Ego pt 2 (4:59)
  6. Finally Home (5:50)
  7. Rising up to Life (3:36)
  8. No Mind (4:09)
  9. Blind Messiah (5:40)
  10. S.S.D. (Signed, Sealed and deliver) (5:50)




quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dimmu Borgir - Abrahadabra

        Nos últimos tempos o Dimmu Borgir tem sido uma fonte de especulações, de todos os tipos e espécies. Saída de membros, possíveis entrada de músico famosos, qual seria o futuro do som da banda após a debandada de duas figuras importantes importantes como Vortex e Mustis e mais questões que brotavam na cabeça dos fãs e dos jornalistas esecilaizados em Heavy Metal. Mas confusões, dúvidas e boatos a parte, acabamos tendo material novo, e de muita qualidade.
      Em 2007 tivemos o espetacular “In Sorti Diaboli”, trabalho aclamado pela crítica como o melhor e mais complexo disco já lançado pelo Dimmu Borgir. Realmente é um disco fabuloso, que fez por merecer as inúmeras notas máximas que recebeu mundo a fora na época; mas neste ano de 2010, mesmo com tantos problemas, consegue lançar um disco que supera seu antecessor, que veio para tomar o posto de obra-prima na discografia dos noruegueses. Este “Abrahadabra” e monumental, contando pela primeira vez com uma orquestra completa, e que nos traz 10 faixas do mais incrível e grandioso Black Metal Sinfônico que o universo do metal já ouviu. Eles são mestres nisso, e mais uma vez dão show de técnica e criatividade, se mostrando músicos competentes e aplicados, que primam pela excelência do resultado do material que oferecem aos fãs.
       A intro 'Xibir' é um mix de sons da natureza, de animais selvagens, ruídos estranhos e distorções intrumentais, que já vão arrastando o ouvinte para o que há de se suceder no decorrer do play. Ela se uni magistralmente com 'Born Treachrous', um petardo de oito minutos, com passagens sinfônicas insanas, muito peso, distorções e um clima que eu alcunharia por acinzentado muítissimo bem construído. Uma forma impactante de começar os trabalhos. Depois vem a interessante 'Gateways', primeiro single do disco, que ganhou um video-clipe cinematográfico (que apesar de bastante bizarro, é fruto de uma super-produção muito profissional). Eu adorei a música, mas acho completamente desnecessária a primeira passagem de vocal feminino, que soa infantil e muito deslocada e sem sentido. Mas apesar disso é uma ótima música, com uma abordagem diferente, operística, épica de certa forma e com vocais que são diferenciados com o que a banda costuma fazer.
        Em seguida temos a grandiosa 'Chess With the Abyss', super intensa, de um peso incrível, corais incríveis e um intrumental que beira a perfeição técnica e artística. Mais um dos grandes destaques do disco. De cabeça não saberia dizer se já teria ouvido uma faixa auto-intitulada; 'Dimmu Borgir' tem ares da fase mais antiga da banda, de peso paquidérmico, compacta e praticamente reta. É o que muita gente chamaria de “pancada no ouvido”.
      'Ritualist' é mais uma porrada. Pesada como chumbo, com a bateria insandecida parecendo uma metralhadora, guitarras portentosas e um trabalho vocal rasgado maravilhoso, no melhor estilo Dimmu Borgir. Na sequência vem 'The Demiurge Molecule', que conta com excelentes linhas de teclado, também muito pesada e técnica. 'A Jewel Traced Trought Coal' vem na mesma linha, esbanjando grandiosidade e técnica apurada. Essa sequência arrebatadora encaminha para o desfecho da obra.
        Somos introduzidos em 'Renewal' com uma narração soturna, com uma levada bem Black por trás. Não demora muito para que surja mais uma vez o instrumental perfeito e o vocal característico, que fazem um clima tão obscuro e tenebroso que é capaz de tirar arrepios do ouvinte menos acostumando com esse tipo de som. E o fim vem com a surpreendente 'Endings and Continuations', que consegue reuinir com incrível competência elemntos dos mais diveros, passando pela pancadaria e peso normal, com momentos mais arrastados e climáticos, com toda a grandiosidade da orquestra e a pomposidade que essa interpretação garante, com riffs de Heavy Metal em modelos mais clásiscos. Genial. Um encerramento brilhante.
        Alguns críticos acusaram a banda de se entregar únicamente a técnica e deixar de lado o feeling (apesar desse termo soar esranho para uma banda de metal extremo, já que não sei que outra palavra usar para designar aquela “aura”, assim digamos, que havia no som deles no início da carreira), e que eles estavam sendo presunçosos com tamanha grandiloquência musical, com tamanho esmero e pomposidade nas suas novas composições. Pessoalmente não concordo com isso. O Dimmu Borgir nunca fora uma banda de Black Metal cru, apenas ríspido e pesado, sempre usou e abusou de teclados, sintetizadores e elementos orquestrais, e não deixou de ser assim em “Abradahabra”. O disco tem sua aura particular, que soa diferente e única, e isso pra mim já serve como feeling. Enfim, um disco que é praticamente perfeito e que é marco na carreira de uma das bandas mais influentes na cena extrema de todos os tempos (queiram os tr00's ou não).

O Dimmu Borgir é:

Shagrath – Vocais
Silenoz – Guitarra
Gader – Baixo
Daray – Bateria


Track List:

  1. Xibir (1:02)
  2. Born Treachrous (8:14)
  3. Gateways (4:59)
  4. Chess With the Abyss (6:50)
  5. Dimmu Borgir (4:04)
  6. Ritualist (6:03)
  7. The Demiurge Molecule (5:12)
  8. A Jewel Traced Trought Coal (5:03)
  9. Renewal (5:55)
  10. Endings and Continuatiosn (6:28)




Nota: a capa que foi divulgada originalmente acabou sendo modificada após o lançamento para esta que usei, não tenho muita certeza do porquê, mas creio que foi por causa de algum desentendimento com o artista que a criou.

Avantasia - Angel of Babylon


Pois bem, agora temos o “Angel of Babylon”, a derradeira parte da “The Wicked Trilogy”. Como já tinha dito na outra resenha, admiro demais a coragem e a ousadia de Sammet, que fez um trabalho belíssimo sem se prender ao seu passado, causando ira em uns, e admiração em outros.
            Esse disco me confirmou algo que já observara: Tobias é um sujeito hiper-ativo e com a cabeça fervilhante de idéias. Nos seus últimos trabalhos, tanto Edguy quanto o próprio Avantasia, ele ampliou enormemente sua gama de influências, dando um sopro novo para suas composições, deixando mais de lado aquilo que o consagrou (Isso não é uma crítica, já que qualquer um acabaria enjoado de fazer o mesmo álbum sem parar). E por sair da mesmice, por desbravar novos campos, que ele é crucificado a cada novo lançamento.
            ‘Stargazers’ é uma peça de 9 minutos que nos proporciona embates épicos entre simplesmente Jorn Lande, Michael Kiske, Russel Allen e Oliver Hartmann. A música em si pode te soar um tanto confusa, mas esse cast de vocalistas compensa qualquer coisa, em uma das interpretações coletivas mais incríveis que já ouvi. A faixa-título tem um refrão do selo qualidade Sammet, que na primeira ouvida já te obriga a cantarolá-lo por horas a fio, uma faixa muito bacana e que se houver mesmo uma nova tour, deve funcionar muito bem ao vivo.
            ‘Your Love Is Evil’ é de fato meio estranha, com o Tobias numa interpretação talvez meio exagerada, mas que no todo não deixa de ser uma boa música. A faixa seguinte é uma pequena obra-prima, que não haveria ninguém mais competente para dar voz a ela que Jon Oliva, lendário vocalista do Savatage. Esta ‘Death Is Just A Feeling’ soa como um pesadelo teatral, onde um fantasma chama no meio da noite e apavora quem já está com medo. Sem sombra de dúvida uma das coisas mais criativas que Tobias já compôs.
            Teria certo potencial radiofônico esta interessante ‘Rat Race’, bem agitada, de refrão ressoante e de instrumental muito bem trabalhado. ‘Down In The Dark’ é também uma faixa muito interessante, com outra participação brilhante de Jorn Lande e um clima envolvente. Pessoalmente não consegui gostar de ‘Blowing Out The Flame’, uma balada que parece não encaixar no disco, soando um tanto aleatória.
            ‘Symphony Of Life’ é uma música delicada. A única música que não é de Sammet, sendo assinada unicamente por Sascha Paeth. Cloudy Yang decididamente não é nenhuma vocalista espetacular, mas executa a canção com muita competência. A música tem uma veia pop latente (que deve ter feito muito fã xiita arrancar cabelos de ódio), mas que não soa vazia. Foi surpreendente ouvi-la, e foi uma surpresa positiva.
            Já ‘Alone I Remember’ é sensacional. Um hardão com ares setentista que dá uma vontade incrível de sair cantando por aí. Jorn Lande solta sua veia hard rock e manda mais uma atuação irrepreensível, que o confirma como o maior e mais importante membro dessa nova fase do projeto. ‘Promissed Land’ já era conhecida, mas a versão que entrou no disco tem uma sutil (mais importante) mudança: Onde havia Michael Kiske, agora temos Jorn Lande. O resultado ficou bom, Jorn dá uma entonação mais forte para a passagem que era de Kiske, o que deixou a música levemente mais áspera.
            O desfecho é triunfal. ‘Journey To Arcadia’ representa a redenção do personagem principal, que deu muitas voltas e teve muitos medos e dúvidas, onde ele se encontra e ruma para casa. É épica, grandiosa, com um feeling impressionante. Um final apoteótico e comovente, para uma história que mescla fantasia com alguma realidade escondida, que de alguma maneira a maioria dos ouvintes deve ter se auto-reconhecido acompanhando as letras.
            Foi uma história mais humana, mais metafórica, e que exigiu muito mais dos fãs para que houvesse alguma interpretação. Ao que parece, as histórias de capa e espada deixaram o repertório de Tobias Sammet.
            Sinceramente, achei este “Angel of Babylon” levemente inferior ao “The Wicked Symphony”. Mas nota é a mesma, e pra isso me uso do mesmo argumento de antes: é um disco muito bom, trabalhado com muito esmero, com grandes artistas, de belas composições e que merece muito a nota que levou.
            Com certeza serei criticado ferrenhamente por essas opiniões, sendo alcunhado de puxa-saco, fã cego, sem personalidade de ir contra ou que quer que seja. Mas me defendo dizendo o seguinte: muito antes de simplesmente opinar sobre metal, opino sobre música, e só sendo muito cego e alienado para querer negar que os dois discos lançados pelo projeto Avantasia sejam música ruim.
            Enfim, é um trabalho soberbo, maduro e que nos mostra que Tobias Sammet está muito ciente do que quer e aonde pode chegar. 

Track List:

01.  Stargazers – 09:32
02.  Angel of Babylon – 05:28
03.  Your Love Is Evil – 03:52
04.   Death Is Just A Feeling – 05:23
05.  Rat Race – 04:10
06.  Down In The Dark – 04:23
07.  Blowing Out The Flame – 04:53
08.  Symphony Of Life – 04:30
09.  Alone I Remember – 04:48
10.  Promissed Land – 4:46
11.  Journey To Arcadia – 07:17






Avantasia - The Wicked Sympnony

          Tobias Sammet é um sujeito corajoso. Ele conseguiu um sucesso estrondoso com seus “Metal Opera”, e surpreendeu a enorme legião de fãs do Avantasia ao lançar o tão diferenciado “The Scarecrow”, causando em uns ódio e em outros uma profunda admiração. E eu me enquadraria na segunda opção, pois admiro mesmo artistas que não se prendem ao que fizeram no passado, sempre buscando novos horizontes, novas perspectivas e jamais tem medo de inovar e que em hipótese alguma se torna refém de seus fãs. O Power Metal Melódico que tanto encantou com os já citados clássicos Metal Opera I e II se saturou de uma forma demasiado intensa para que se continuasse apostando nele; e por isso Tobias investiu pesado nessa concepção mais moderna de metal, englobando muito mais elementos, sendo mais abrangente e criando um novo patamar artístico para sua carreira.
Agora temos os novos lançamentos, “The Wicked Symphony” e “Angel of Babylon”, que juntamente com o “The Scarecrow” formam a “Wicked Trilogy”. O conceito por trás deste trabalho é a continuação da história do Espantalho, um compositor genial do século XIX que se isola do mundo, é rejeitado pelo seu grande amor e que assina uma espécie de pacto com um demônio magistralmente interpretado por Jorn Lande para alcançar o sucesso, a fama e a fortuna. O que se ouve no decorrer das quase duas horas de material dos dois álbuns é música da melhor qualidade, com convidados de altíssimo garbo e elegância, dando vida a personagens sombrios, intensos e com uma carga emocional que faz o ouvinte entrar dentro da mente perturbada do protagonista.
A épica faixa-título de “The Wicked Symphony” abre o disco de forma impactante, com uma orquestra que vai criando o clima para uma introdução bombástica, cheia de peso e feeling, que ganha ainda mais intensidade com a chegada do refrão impressionante no melhor estilo Tobias Sammet, épico, grandioso e grudento, feito para ser cantado a plenos pulmões. Nela temos a primeira aparição do excepcional Russel Allen, com a sua voz mais do que incrível, e de Jorn, soberbo como sempre. Na seqüência temos a melódica e acelerada ‘Wastelands’, que conta com uma interpretação fabulosa de Michael Kiske. ‘Scales of Justice’ é uma porrada, pesadíssima e com um Tim Ripper Owens absurdamente inspirado, encarando a fúria do protagonista de forma visceral.
‘Dying for an Angel’ tem a veia comercial que o mercado musical de nossos tempos exige, mas isso de forma alguma pode ser encarado como um ponto negativo. Como uma faixa que tem a participação de uma lenda do naipe de Klaus Meine poderia ser alcunhada de ruim? E nela temos mais um claro exemplo do talento indiscutível de criar refrões marcantes do senhor Sammet. E vejam só: Andre Matos dá as caras novamente no Avantasia em ‘Blizzard on a Broken Mirror’. É uma música bastante peculiar, com um andamento um tanto quanto quebradiço, com variações que denotam o estado de espírito confuso do nosso protagonista. Uma boa faixa, mas decididamente não é um dos destaques do disco.
Com certeza absoluta, ‘Runaway Train’ é uma das músicas mais belas que Sammet já compôs. Um duelo épico e majestoso entre Jorn Lande e Bob Catley, uma representação de bem e mal se enfrentando operisticamente. Emocionante é a palavra que melhor define. ‘Crestfallen’ também é uma pérola, onde Tobias consegue se destacar bastante, com uma interpretação ora limpa ora rasgada, contrastando com um coral imponente e que pelo menos a mim soa um pouco Doom. Na faixa seguinte Jorn Lande mostra porque é um dos destaques dessa nova fase do projeto, ‘Forever Is A Long Time’ é uma música vibrante, intensa, com uma pegada que mescla com perfeição metal com hard rock que Lande executa com maestria.
‘Black Wings’ chega com um riff pesadão, arrastado, quebrando um pouco o ritmo. Ralf Zdiarstek tem uma atuação marcante, abafada, e carregada de uma forma que soa bastante melancólica. Tobias segue nessa mesma linha de interpretação, sendo talvez a faixa mais tensa do disco. Individualmente muito boa, mas destoa um pouco do restando do set.. Russel Allen reaparece com tudo na rápida e grudenta ‘States of Matter’, que tem ótimos riffs, uma letra fácil e uma vibração incrível. Um dos destaques com certeza.
O primeiro disco termina com a fraca de ‘The Edge’, que não cheira nem fede, uma música comum que não empolga. De fato é o ponto fraco do disco, que poderia ser encerrado com algo mais pomposo e imponente, e principalmente, com mais sal.
Apesar da óbvia chiadeira dos fãs mais conservadores, o disco sim merece um 10. Seria um absurdo não dar essa nota a um trabalho tão bem feito, variado e de músicas tão boas. Chamem Tobias de vendido, chorem por um Metal Opera III, mas entendam o seguinte: Quem vive de passado é museu.


Track List:

01.  The Wicked Symphony – 09:29
02.  Wastelands – 04:43
03.  Scales Of Justice – 05:05
04.  Dying For An Angel – 04:42
05.  Blizzard On A Broken Mirror – 06:07
06.  Runaway Train – 08:44
07.  Crestfallen – 04:04
08.  Forever Is A Long Time – 05:05
09.  Black Wings – 04:39
10.  States Of Matter – 03:59
11.  The Edge – 04:13






Como o próprio Tobias diz, não se trata de um disco duplo, e sim dois trabalhos distintos. Por isso, “Angel of Babylon” merece um comentário só seu.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Soulspell - The Labyrinth of Truths

     Quando surgiu em 2008, a Souspell Metal Opera, com o disco “Legacy of Honor” causou muitos comentários, negativos e positivos. Entre os negativos muitos se referiam a atentiva de serem uma cópia descarada do Avantasia de Tobias Sammet; já os positivos louvavam a iniciativa de Heleno Vale em reunir alguns melhores vocalistas e intrumentistas brasileiros na concepção de tal projeto, algo completamente inédito até então. Pessoalmente achei um excelente trabalho na época, e sigo nessa opinião até hoje, e com o lançamento de “The labyrinth of Truths” Heleno Vale cala a boca dos críticos de plantão, e nos presenteia com um aspirante à clássico.
      A única implicância que eu tinha com o trabalho anterior era em referência em alguns clichês batidos de metal melódico, bumbos duplos demais, agudos não tão necessários, solos competentes mas que não acrescentavam muito à dinâmica da música e coisas do gênero. Mas mesmo assim, eu ouvia aquilo e percebia um potencial gigantesco. E essa intuição se mostrou certeira. 'The Labyrinth of Truths” é um disco incrível, que chega com uma sonoridade renovada, cheia de gás, impactante, que surpreende por tamanha grandiosidade e qualidade. O cast ampliado de vocalistas, contando com estrelas de renome como Jon Oliva, Edu Falaschi, German Pascual e Zak Stevens, juntamente com os talentos das bandas do âmbito nacional dão um espetáculo de interpretação, numa Metal Opera na sua concepção mais verdadeira.
      As surpresas já começam na introdução, com a magnífica 'The Entrance', que foge completamente dos padrões de uma introdução dita comum, é diferente de tudo o que eu já ouvi, é incrível! E logo em seguida vem a faíxa-título, super operística, intensa, de interpretações fabulosas, corais grandiosos e um refrão realmente poderoso.
     Na sequência chega 'Dark Prince's Dawn', super pesada, de instrumental incrível, vocais muito mais que inspirado. Um metal incrível, moderno, que não apela para clichês e que soa muito próximo da perfeição. 'Amom Fountain' é a mais longa do disco, sendo toda uma cena de diálogos, verdadeiramente teatral, épica, com seus vocalistas e intrumentistas dando o melhor de si numa resultado impecável, que é um ptato cheio para os apreciadores de uma boa música.
     'Into the Arc of Time' é lago para entrar na história. Junta nada mais nada menos queJon Oliva com Zak Stevens, um verdadeiro sonho para qualquer fã do grande Savatage. Uma pérola de música, talvez o maior destaque do disco, que denota todo o caráter operístico que só o mestre Oliva consegue dar para uma canção, e que caiu como uma luva na proposta do Soulpell. A balada 'Adrift' é lindíssima, com base de piano e um instrumental perfeito, repleta de feeling e elegância, quemostra perfeitamente toda a versatilidade de Heleno Vale como compositor.
     'The Verve' e 'Forest of Incantus' formam uma dupla daquelas. Repletas de peso, velocidade, momentos de cadência e vocalistas que não mediram esforços para darem vida própria aos personagens que interpretavam. Simplesmente perfeitas.
       E para fechar com chave de ouro temos a épica 'A Secret Compartment'. Que condensa absolutamente tudo que se ouviu nas demais faixas, num clima portentoso, homérico, intenso, que carrega o ouvinte para dentro da história e que quando chega a o seu fim, que vai diminindo até sumir, deixa aquele gosto de “quero mais”.
     Com certeza absoluta um dos melhores discos de metal lançados no Brasil neste ano de 2010, que merece um 10 com todos os louvores e honrarias. Acompanhei várias entrevistas do Heleno, onde ele relata todaa dificuldade de se gravar algo desse porte, da falta de incentivo dos provedores de informação ao grande público, dos responsáveis pela cultura do país, e até mesmo pelos próprios fãs que deixam de comprar o produto original preferindo baixar da internet. Por todos esses motivos, que teriam feito muitos desisitirem, que admiro Heleno Vale, que apostou no seu sonho e no seu talento, e não mediu esforços para fazer um trabalho praticamente perfeito, que não deixa nada a desejar em relação a medalhões brasileiros e europeus da cena metálica.
    Enfim, se você ouviu e gostou, não deixe de comprar o original!

O Soulspell é:

Vocalistas:

Alex Voorhes (Imago Mortis) – Como “The Ripper”
Carlos Zema (Ex-Vogan) – Como “Hollow the Dragon, Guardian of the Labyrinth”
Daísa Munhoz (Vandroya) – Como “Judith, the Princess”
Dan Rubin (Magician) – Como “The Voice of Incantus”
Edu Falaschi (Angra) – Como “The VoiceEntering the Labyrinth”
Gérman Pascula (Narnia) – Como “Ollaff, Timo's Childhood Invisible Friend”
Gui Antonioli (Anaxes) – Como “Amaranty, the Vampire”
Iuri Sanson (Hibria) – Como “Amom, the Egyptian God”
Jefferson Albert – Como “Padyal, The Worshipful Master”
Jon Oliva (Savatage) – Como “The Insanity Inside the Labyrinth”
Leandro Caiçolo (Ex-Eterna) – Como “ Tobit”
Manuela Saggioro – Como “The Talking Diary”
Mário Pastore (Pastore) – Como “Timo, Tobbit's son”
Maurício Del Bianco – Como “Hammiah, the Magician”
Nando Fernandes (Ex-Hangar) – Como “Samael, the Prince of Devils”
Rafael Gubert – Como “Fredric, Tomo's Murdered Friend”
Rapahel dantsa (Caravellus) – Como “Centaur, the New Prince of Hell”
Tito Falaschi (Illustria) – Como “Arlin, the Dark Angel”
Zak Stevens (Savatage) – The Conscience Inside the Labyrinth”

Intrumentistas:

Heleno Vale – Bateria
Gabriel Magioni – Teclados
Fernando Giovaneti – Baixo
Tito Falaschi – Baixo
Rodolfo Pagotto- Guitarra
Cleiton Carvalho – Guitarra
Leandro Erba – Guitarra



Track List:

  1. The Entrance (1:20)
  2. The Labyrinth of Truths (7:52)
  3. Dark Prince's Dawn (6:35)
  4. Amom's Fountain (8: 08)
  5. Into the Arch of Time (Hammiah 's Fall) (7:12)
  6. Adrift (4:49)
  7. The Verve (6:48)
  8. Forst of Incantus (4:11)
  9. A Secret Compatment ( 7:22)



Para entender a história que se passa no disco acesse http://www.soulspell.com/
Lá existe uma sessão que conta a história do primeiro Ato, “A Legacy of Honor” e em breve contará tammbém com o segundo ato. Vale a pena conferir.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Kamelot - Poetry for the Poisoned

      O Kamelot é uma das grandes bandas do cenário contemporâneo do Heavy Metal. Surgiu em meados dos anos 90, trazendo uma muito bem vinda lufada de ar fresco na cena do metal melódico que já dava claríssimos sinais de saturação com mais e mais bandas-clone de Helloween e Gamma Ray surgindo todos os dias (Ainda mais num páis com pouca tradição no estilo, os Estados Unidos). Os primeiros discos são com outro vocalista, o competente Mark Vanderbilt, que teve que deixar a banda, dando espaço para o sensacional norueguês Roy Khan, que definitivamente ajudou a alçar a banda para voos muito mais altos.
     Depois de obras primas como “Epica” (2003), “The Black Halo” (2005) e o excelente mas não muito criativo “Ghost Opera” (2008) eles nos presenteiam com mais uma bela obra de arte. “Poetry for the Poisoned” traz o Kamelot apostando numa roupagem mais obscura em seu som, mais pesada e com contornos até certo ponto bem assusastadores. E isso se vê logo de cara na primeira música, “The Great Pandemonium”, de início muito soturno, baixo, com falas difusas e indecifráveis, que depois vem com tudo num instrumental pesado e com Khan numa interpretação sensacional (Assim como no vídeo da música, que reflete bem todo o o clima do álbum). Vale também ressaltar a interessante participação de Björn “Speed” Strid, do vocalista do Soilwork, bem discreta, mas colabora com a ideia da música.
     Em seguida chega a melódicamente arrastada 'If Tomorrow Came', que vai e vem em mais uma interpretação obscura, mas que desanda num refrão aberto e poderoso. Um dos bons destaques da bolacha. 'Dear Editor' serve de prelúdio para a fantástica 'The Zodiac', um musicão incrível, cheio de groove e pegada, e com a participação de um sujeito que dispensa qualquer apresentação, Jon Oliva. O Rei da Montanha dá show de interpretação, com seu estilo teatral único e magistral, que propicia um dueto épico com mister Khan.
     'Hunter's Season' foi a primeira música que foi divulgada deste novo trabalho, durante a curta turnê européia de alguns meses atrás. É uma boa música, de levada bacana, ótimo instrumental e com o atrativo de contar nas guitarras com uma das revelações recentes do instrumento, o grego Gus G (Firewind e Ozzy). Simone Simons é quase da família, mais uma vez da as caras num disco do Kamelot. Em 2005 participara em 'The Haunting (Somewhere in Time)', e desta feita nos presenteia com mais uma fantástica apresentação na baladaça 'House on a Hill', um dueto soberbo, intenso, repleto de feeling. Mais um dos inúmeros pontos altos do disco!
       O nível segue alto com 'Necropolis', um metalzão forte, denso, um tanto arrastado; outra grande faixa, merece destaque. Na mesma linha segue 'My Train of Thoughts', que é empolgante, agitada e cheia de vozes e sons ocultos em várias camadas, criando uma atmosfera complexa e detalhista que dão grandeza ao seu som. Excepcional.
       'Seal of Woven Years' tem algumas passagens sinfônicas, uma introdução baixa e lenta que vai ficando encorpada até chegar num metal melódico cheio de personalidade e força, com Roy Khan mostrando o porquê de ser um dos mais importantes vocalistas da atualidade.
        E então temos a suíte que dá nome ao disco. 'Poetry for the Poisoned' é dividida em 4 partes: 'I. Incubus', 'II. So long', 'III. All is Over' e 'IV. Dissection'. São cerca de oito minutos que sintetizam tudo que se ouviu ao longo do disco; tem peso, momentos obscuros, momentos mais leves, a beleza da voz de Simone Simons nas parts II e III, instrumental magnífico e as tradicionais interpretações matadores de Roy Khan. De fato, um resumão bem elaborado, fino e elegante, que obteve uma química excelente entre todos os elementos que dão vida próprias às músicas.
      E pra fechar o play temos a eficiente 'Once Upon a Time', que deixa uma ótima impressão e serve muito bem como música derradeira. Em alguns momentos lembra bastante o disco 'Karma' de 2002.
   O trabalho esmerado de Sascha Paeth na produção, mixagem e masterização é impecável. O som é cristalino e perfeito, e ele teve toda a sensibilidade compreender o que a banda queria para este disco, dando a ele uma sonoridade única. E um parabéns extra também para Seth Siron Anton, criador da espetacular arte do encarte, que é uma das mais bonitas e surpreendentes que eu vi nos últimos tempos. Nota 10!
     Por fim, é um disco excelente. Excetuando-se essa sonoridade mais obscura, não traz nenhuma grande inovação na música do Kamelot, porém isso não é demérito nenhum, pois temos para ouvir músicas muito boas, que seguem o padrão de qualidade sempre alto pelo qual esta competente banda americana sempre primou. Talvez não arrebenhe novos fãs ou revolucione a história da música, mas com certeza agrada e muito os fãs fiéis e é um baita disco.

O Kamelot é:

Roy Khan – Vocais
Thomas Youngblood – Guitarra
Sean Tibbets – Baixo
Cassey Grillo – Bateria
Oliver Palotai* – Teclados

Track List:

1. The Great Pandemonium (4:22)
2. If Tomorrow came (3:55)
3. Dear Editor (1:18)
4. The Zodiac (4:00)
5. Hunter's Season (5:33)
6. House on a Hill (4:15)
7. Necropolis (4:17)
8. My Train of  Thoughts (4:07)
9. Seal of Woven Years (5:11)
10. Poetry for the Posisoned (8:24)
    I. Incubus
    II. So Long
    III. All is Over
    IV. Dissection
11. Once Upon a Time (3:46)




*Nota desnecessária: Namorado da Simone Simons. Sujeito de sorte hein? :D

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Eluveitie - Everything Remais (As It Never Was)

    Com este novo trabalho, o Eluveitie conseguiu colocar decididamente seu nome entre os gigantes do Folk Metal, não só europeu como também mundial. O grupo suíço consegue reunir neste “Everything Remains (As It Never Was)” todos os elementos que já os consagravam como grande expoente do gênero: tem um pouco do peso e da velocidade de debut “Spirit”, um tanto das melodias melhores trabalhadas de “Slania” e bem mais da celticidade que se ouviu no experimental “Evocation I: The Arcane Dominion”.
   De certa forma, eles conseguiram criar uma equação perfeitamente balanceada entre todos esses elementos, atinge um nível de maturidade musical muito interessante, nos mostrando um fôlego novo para um estilo que vem ficando extremamente saturado. “Everything Remains (As It Never Was)” é um disco que não se parece com nenhum dos outros já lançados, é diferente, tem arranjos bem diferentes, mas que mantem a essência e o espírito que a banda sempre teve. E conseguir algo assim, já garante muitos pontos prós para a banda!
    Mas vamos às faixas: “Otherworld” é uma introdução soturna, com narração melancólica enfeitada por gaitas e flautas que lhe garantem um clima quase místico e hipnótico. A faixa-título, “Thousandfold” (Single com um clipe muito bacana), “Nile” e “The Essence of Ashes” formam uma sequência de muito peso, flautas aceleradas e variações muito interessantes de vocais que ão um clima inovador ao som da banda.
     Em seguida chega a instrumental e belíssima “Isara”, que soa quase como mágica. “Kingdome Come Undone” retorna com o peso e a violência, e mais uma vez se ouve nitidamente o amadurecimento musical atingindo pela banda. “Quoath the Raven” e “(Do)Minion” seguem na mesma batida de força, velocidade e intensidade; na sequência mais um interlúdio instrumental (também lindo) “Setlon”, que rapidamente dá lugar para a cavalgante “Sempiternal Embers” e a quase dançante “Lugdunon”.
     E para fechar com chave de ouro um epílogo instrumental emocionante, “The Liminal Passage”, que tem uma aura de despedida, triste, que dá a imagem de alguem se afastando em meio a névoa....
Ainda vale ressaltar a arte gráfica muito elegante e bonita assinada por Travis Smith e Manuel Vargas. A fonte das letras do encarte parecendo runas ficou algo fabuloso!
      Por fim, um álbum maravilhoso, que pode não ser perfeito mas mesmo assim pode ser encarado como o melhor trabalho destes suíços muito competentes.

O Eluvieite é:

Chrigel Glanzman - Vocal principal, Mandola (bandolin), Flautas, Gaita, Violão Acústico e Bodhrán
Päde Kistler - Gaita de fole, outros
Merlin Sutter - Bateria
Siméon Koch - Guitarra e Vocal
Meri Tadic - Violino e Vocal
Kay Brem - Baixo
Ivo Henzi - Guitarra
Anna Murphy - Hurdy Gurdy (Viola de Roda) e Vocal




Track List:

1. Otherworld - 1:57
2. Everything Remains (As It Never Was) - 4:25
3. Thousandfold – 3:20
4. Nil – 3:43
5. The Essence of Ashes – 3:59
6. Isara – 2:44
7. Kingdome Come Undone – 3:22
8. Quoath the Raven – 4:42
9. (Do)Minion – 5:07
10. Setlon – 2:36
11. Sempiternal Embers – 4:52
12. Lugdunon – 4:01
13. The Liminal Passage – 2:15

Van Canto - Tribe of Force

   Pois então temos o novo trabalho dos alemães do Van Canto. Depois de dois discos que chegaram para dar uma outra ideia de como se fazer metal, o grupo nos mostra um som levemente diferente, que soa um tanto quanto mais grave, trazendo outras técnicas vocais e garantindo às músicas ares de novidade, que mesmos não sendo nada revolucionárias, mostram que a banda não cai nos próprios clichês e busca sempre incorporar mais elementos ao seu som já tão peculiar.
   Como já disse, esse “Tribe of Force” tem aspectos diferentes de seus antecessores. A bateria de Bastiam Emig parece numa afinação diferente, um pouco mais grave e em alguns momentos bem mais acelerada do que de costume. Os efeitos vocais estão mais abrangentes, indo além dos "Rakkatakka's" e "Wahwah's" que já se tornaram característicos da banda, aparecendo vocalizes que remetem a corais gospel (não sei se foi essa a intenção, mas me soa como algo assim). O disco também aparente ter um clima épico mais aparente, de composições pomposas e cheias de camadas de sons que se sobrepõem, fazendo com que as músicas estejam repletas de pequenos detalhes e surpresas que requerem bastante atenção do ouvinte.
    Todas as faixas são muito boas, não destacaria nenhuma como ponto baixo. Como destaques realmente positivos citaria "Lost Forever", "To Sing a Metal Song", "I Am Human", a faixa título, "Magic Taborea" e a tolkieniana "Frodo's Dream".
     Como de costume temos covers. E covers muito interessantes por sinal. "Master of Puppets" teve um resultado final surpreendente, que sem guitarras e baixo tem o mesmo impacto e peso do original do Metallica. E "Rebellion" (Originalmente no disco “Tunes of War”, um dos melhores discos do Grave Digger) conta curiosamente com a participação de Chris Boltendahl; pessoalmente achei uma versão muito interessante, mesmo que alguns fãs mais ortodoxos do Grave Digger tenham amaldiçoado até a última geração das famílias dos membros da banda.
    E ainda vale ressaltar a participação de Tonny Kakko do Sonata Arctica  na música "Hearted", sua voz e estilo se encaixaram muito bem na proposta da banda.
Enfim, um bom disco, que definitivamente não é genial e nem veio para revolucionar o metal contemporâneo, mas que tem tudo para agradar os fãs mais fiéis da banda. Um trabalho fino, elegante, muito bem elaborado e que não deixa a desejar sob nenhum aspecto.


Track List

1. Lost Forever – 4:40
2. To Sing a Metal Song – 3:24
3. Onde to Ten – 4:06
4. I Am Human – 3:56
5. My Voice – 5:30
6. Rebellion (Grave Digger Cover) – 4:05
7. Last Night of the Kings – 3:52
8. Tribe of Force – 3:17
9. Water. Fire. Heaven. Earth. – 3:32
10. Master of Puppets (Metallica Cover) – 8: 23
11. Magic Taborea – 3:22
12. Hearted – 4:00
13. Frodo's Dream (3:06)


Site oficial: www.vancanto.de

My Space: www.myspace.com/vancanto


* Originalmante publicado nosite Whiplash.net

sábado, 20 de novembro de 2010

Grave Digger - The Clans Will Rise Again

     Grave Digger é uma banda bem prolífica. Ao longo de seus 26 anos de carreira já se foram 15 álbuns de estúdio, sem contar singles e lançamentos ao vivo, que dá uma média de um novo trabalho a cada dois anos. Mas dessa vez eles foram ainda mais ligeiros na concepção de uma novo disco, deixando apenas uma lacuna de cerca de um ano e meio entre “Balladas of a Hangman”e este novo “The Clans Will Rise Again”. O álbum anterior já tinha sido muito bom, e este vem para continuar a sequência de ótimos lançamentos desta lenda do metal alemão.
     Trata-se de um sucessor do maior clássico da banda, “Tunes of War” (1996), que fala sobre a guerra dos escoceses para libertarem-se da opressão inglesa. “Tunes of War” fora o ápice da chamada 'Middle-Age Trilogy' concebida pela banda, que se completa com “Knights of the Cross” (1998 – sobre os templários) e “Excalibur” (1999 – sobre o Rei Arthur). Apesar de ser um sucessor, não é exatamente uma continuação, mas sim retratos do povo e da cultura dos Highlanders (forma como eram conhecidos os habitantes da escócia durante a Idade Média).
     A intro 'Days of Revenge' já dá o tom do que virá a seguir, com bag-pipes e flautas celtas, no melhor estilo escocês. A intro emenda com 'Paid in Blood', o típico metalzão do Grave Digger, bateria violenta, riffs fortes e poderosos que se completam com a característica entonação de Chris Bolthendal. Um verdadeiro petardo.
     'Hammer of the Scotts' é uma múica agitada, de refrão incrível e que muito facilmente gruda na cabeça. Um dos pontos altos do CD. Nos é apresentado então a canção que virou single e video clipe, 'Highland Farewell', que tem uma levada mais soft, mas também muito atrativa. A faixa-título vem logo a seguir, bastante arrastada, intensa, de certa forma sufocante. Decididamente não faz muito o estilo do Grave criar músicas com esse clima, e exatamente por isso que ele soa bastante deslocada em meio às demais faixas, e pode ser considerada o ponto baixo do play.
       A trinca 'Rebels', 'Valley of Tears' e 'Execution' de certa forma é uma síntese de tudo o que esses dinossauros germânicos do Heavy Metal já nos deram nessas quase três década de estrada. Tem solos incríveis, peso desnorteador, velocidade, vocais rasgados e poderosos de Chris e todo aquele climão de metal alemão que já se tornou a marca registrada da banda. Denota também o folêgo dos caras, mesmo que alguns não sendo membros fundadores (que é o caso só de Chris), pois todos os inegrantes são muito rodados por várias e influentes bandas não só da Alemanha mas como também de todos os cantos da europa.
      Depois vem a interessantísima 'Whom the Gods Love', que parece uma versão da faixa-título que acabou dando certo. Também tem um quê arrastado, mais soturno, com solos inspirados e uma interpretação diferenciada de Chris. Talvez a única faixa cuja em qual haja algum tipo de inovação. 'Spider' retoma os ares clássicos; empolgante, pesadona e de refrão fácil.
      Os bag-pipes dão as caras novamente no interlúdio 'The Piper McLeod', uma típica melodia melancólica escocesa. Colando com o final da anterior vem 'Coming Home', que ao fundo segue com a mesma melódia de gaita de fole, com um intrumental mais contido, mas não com menos força e intensidade. Uma música bem elegante até. Os trabalhos se encerram com a densa 'When Rain Turns to Blood'. Uma faixa quase monolítica e de um peso paquidérmico, mas sem soar arrastada e opressiva, tendo altos e baixos, diminuindo aos pouco até sumir, como num campo de batalha onde a guerra terminou.
      De inovador ou brilhante “The Clans Will Rise Again” não tem nada. Mas é um disco competente, bem feito, e que mostra toda a vitalidade e amor pelo Heavy Metal que Chris Bolthendal e sua trupe tem. Afinal, com genialidade ou não, não é uma tarefa simples gravar um disco excelente atrás do outro.

O Grave Digger é:

Chris Boltenhal – Vocais
Hans Peter "H.P." Katzenburg – Teclados
Axell Ritt – Guitarra
Jens Becker – Baixo
Stefan Arnold – Bateria

Track List

  1. Days of Revenge (1:58)
  2. Paid in Blood (3:57)
  3. Hammer of the Scotts (4:01)
  4. Highland farewell (4:07)
  5. The Clans Will Rise Again (5:01)
  6. Rebels (4:40)
  7. Valley of Tears (4:09)
  8. Execution (4:45)
  9. Whom the Gos Love (6:12)
  10. Spider (3:12)
  11. The Piper McLeod (0:49)
  12. Coming Home (4:22)
  13. When Rain Turn to Blood (6:14)