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terça-feira, 26 de julho de 2011

Rhapsody of Fire - From Chaos to Eternity

      O Rhapsody of Fire chegou ao fim de uma era. Este “From Chaos to Eternity” é o derradeiro capítulo das sagas épicas idealizadas por Luca Turilli e sua trupe, e após ele a banda não voltará mais as terras mágicas que foram desbravadas ao longo dos anos. Eles foram os pioneiros nessa ideia de explorar fantasia e magia em arranjos sinfônicos bombásticos num genuíno Power Metal europeu, foram os mentores de centenas de bandas que se espelharam em seu trabalho, foram mestres, ícones, já são praticamente lendas do estilo. É algo realmente um pouco difícil de encarar, mas vamos ver o que o futuro reserva e que nos trará daqui para diante os mestres italianos do Power Metal.
     Mas enfim, vamos ao que interessa: seguindo o protocolo a abertura fica a cargo de um prelúdio, 'Ad Infinitum', que mais uma vez conta com a voz poderosa de Christopher Lee fazendo uma narração imponente. O interessante nessa faixa é que não é apenas orquestral e com coro, mas também conta com uma fantástica base de guitarra, criando um clima bem fora do usual. A intro emenda-se na faixa título, que tem linhas de teclado muito intensas, sempre presentes, bons riffs e um refrão legal. Uma típica faixa rhapsodyana dos trabalhos recentes. Muito boa para começar os trabalhos em si.
     Logo depois temos uma inovação bastante positiva: a primeira música “rápida” da banda cantada em italiano, 'Tempesta di Fuoco'. Estamos acostumados a ouvir a bela língua italiana em baladas e canções épicas mais lentas, e no começa soa um pouco estranho o idioma em melodias mais aceleradas, mas logo nossos ouvidos se acostumam e nos damos conta de como também soa bem dessa forma, num leque muito interessante de variações na interpretação de Lione. As guitarras tem riffs cortantes e rápidos, mais doses do teclado melódico e com algumas gotas de prog, e orquestrações muito dignas. Ótima canção.
    'Ghosts of Forgotten Worlds' já começa com riffs espalhados por todos os lados, misturado com linhas de teclado aceleradas e bastante progressivas. Aliás, a música tem várias quebras que remetem ao progressivo, e diria que falta um certo que de pomposidade a canção no geral, mas o refrão consegue ser muito bom e impactante. Algo que soa pelo menos para mim é um certo clima de tensão. Voltando ao idioma mãe temos 'Anima Perduta', uma típica canção épica, que de novo não tem nada, mas consegue ser grandiosa e emocionante. Uma belíssima peça.
     O caos que tem menção no título do disco se faz presente na faixa 'Aeons of Ranging Darkness'. Temos uma profusão estonteante de riffs furiosos, vocais rasgados de Lione esbanjando raiva, bateria numa pegada espetacular, tudo misturado de uma forma de tirar o fôlego. De longe uma das faixas mais ousadas da discografia da banda. Mas depois vem uma das mais lindas canções que ouvi nos últimos tempos: 'I Belong to the Stars' é mais simples, tendo orquestrações um pouco discretas, corais bem colocados, mas de ponte e refrão de emocionar. Letra muito boa e é uma música realmente fabulosa.
  'Tornado' é bastante pesada, com velocidade e orquestrações latentes, bons riffs e uma atuação excepcional de Alez Holzwarth nas baquetas. Um boa canção.
    O gran finale é uma obra de arte monumental. 'Heroes of the Watterfall's Kingdom' é um super épico de 19 minutos que une absolutamente tudo o que o Rhapsody of Fire já fez em sua longa carreira. Tem o começo calcado no folk, com estrofes em italiano e flautas por todos os lados, para mais tarde explodirem corais bombásticos, orquestras grandiosas e refrões de canter junto até perder o fôlego. Passagens teatrais de arrepiar, com narrações que nos fazem mergulhar no desfecho da história, com momentos de pura tensão, que prendem a atenção até a respiração ficar suspensa. Tudo crescendo e se condensando até o ápice apoteótico que coloca ponto final em uma das maiores sagas musicais de todos os tempos. Uma música que eu me arrisco a dizer que está no limite da perfeição absoluta, um último capítulo que coroa gloriosamente a genialidade dessa banda inquestionável.
    “From Chaos to Eternity” pode talvez não agradar a todos os fãs, talvez soando como um álbum de altos e baixos e distante demais dos primeiros trabalhos. Mas com certeza é um ótimo álbum, mostrando que a banda está madura e sem interesse de seu auto-copiar eternamente. Agora é aguardar para ver o que os mestres do Power Metal Sinfônico vão preparar para esta nova fase.
      Desde já no aguardo! 


O Rhapsody of Fire é:

Fabio Lione – Vocais
Luca Turilli – Guitarra
Tom Hess – Guitarra
Alex Starapoli – Teclados
Alex Holzwarth – Bateria
Patrice Guers – Baixo



Track List:

  1. Ad Infinitum (01:30)
  2. From Chaos to Eternity (05:45)
  3. Tempesta Di Fuoco (04:48)
  4. Ghosts of Forgotten Worlds (05:35)
  5. Anima Perduta (04:46)
  6. Aeons of Raging Darkness (05:46)
  7. I Belong to the Stars (04:55)
  8. Tornado (04:57)
  9. Heroes of the Waterfalls' Kingdom (19:32)




Algumas versões contam com 'Flash of the Blade' (do Iron Maiden) como bônus, e ficou um ótimo cover, vale a pena conferir.









 

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Rhapsody of Fire - The Cold Embrace of Fear (EP)


     Esse lançamento surpreendeu muita gente em meados do ano passado. Após lançar o muito bom “The Frozen tears of Angels”, o Rhpasody of Fire anunciou que colocaria no mercado este EP chamado “The Cold Embrace of Fear”, pouco tempo depois do lançamento do supracitado Full-Lenght. Eu achei isso uma sacada muito interessante, já que me parece que o intuíto foi dar continuidade a história desenrolada no disco anterior, sem pretender ser só mais um caça-níquel comercial.
     As boas impressões já começam pela capa, que de certa forma segue o padrão de “The Frozen Tears of Angels”, com a figura de anjos e uma perfeita atmosfera gélida e que remete às congeladas terras do norte. O artista Felipe Machado (colombiano que também fez a arte de “At the Edge of Time”, do Blind Guardian) caprichou bastante, e conseguiu transmitir com maestria o que as faixas querem transmitir.
      O subtítulo do EP ajuda bastante a compreender a concepção da obra: “A Dark Romatic Symphony”. O que temos de fato é uma peça operística, dividida em sete atos, que se unem formando praticamente uma única música com mais de 40 minutos, com inúmeros momentos soa como uma legítima ópera italiana. A trupe encabeçada por Luca Turilli mostra bastante criatividade e gana por fazer música de qualidade, dando aos fãs um produto do mais alto padrão de qualidade.
     Não quero me ater em faixas separadamente, porque como já mencionei o que temos é uma grande música, subdividida em atos e que nos tazem um resultado final especifico. Mas de qualquer forma, não tenho como não destacar o Ato III, 'The Ancient Fire of Har-Kuun', um super épico de 14 minutos, com passagens em italiano e com um dos refrões mais impactantes, impressionantes e grandiosos que eu já ouvi, todo cantado em latim com o apoio de um coral magistral.A primeira vez que a ouvi fiquei embasbacado com tamanha grandiosidade. Com certeza absoluta uma das melhores peças já compostadas pelos mestres italianos do metal sinfônico. Nota 10 sem sombra de dúvida!
      Outros bons destaques são a já tradicional balada em itlaliano, que desta feita trata-se de 'Neve Rosso Sangue', muito bela por sinal. Os interlúdios com narrações dão um clima que fecha perfeitamente a proposta operística do trabalho. A imagem de que seja uma única música ganha força quando várias partes da maravilhosa 'The Ancient Fire of Har-Kuun' se repetem em outros momentos, fazendo com que o ouvinte realmente seja levado por uma jornada épica.
      Em suma: um lançamento supreendente, e surpreendentemente bom. Pelo visto, os 4 anos parados por questões litigiosas na justiça foram de muita valia e renderam muitas novas composições, muito inspiradas e de uma criatividade que parece não ter fim. Um ítem que deve fazer parte da coleção de qualquer apreciador do trabalho dessas lendas do metal sinfônico. Um investimento sem erro!


O Rhapsody of Fire é:

Fabio Lione – Vocais
Luca Turilli – Guitarra
Alex Starapoli – Teclados
Patrice Guers – Baixo
Alex Holzwarth – Bateria


Track List:

  1. ACT I – The Pass Nair-Kaan (2:01)
  2. ACT II – Dark Mystic Vision ( 1:41)
  3. ACT III - The Ancient Fire of Har-Kuun (14:56)
  4. ACT IV – The Betrayl (3:58)
  5. ACT V – Neve Rosso Sangue (4:41)
  6. ACT VI – Erian's Lost Secrets (4:28)
  7. ACT VII – The Angel's Dark Revelation (3:59)



E a máquina de criatividade não para! No mês de março eles lançam mais um disco novo, chamado “From Chaos to Eternety”. Desde já no aguardo! :D

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Rhapsody of Fire - The Frozen Tears of Angels

      O Rhapsody of Fire (outrora conhecido apenas como Rhapsody) foi um dos precursores do que se convem chamar de Power Metal Sinfônico, e também é com certeza absoluta o nome mais importante e destacado dessa vertente até o dia de hoje. A banda passou por momentos conturbados desde o lançamento de “Tryumph or Agony” (2006), passando por um momento de baixa no quesito criatividade, e ainda por cima com uma delicada questão de direitos autorais sobre o nome “Rhapsody”, que acabou motivando a mudança no nome do conjunto. Apesar dos anos turbulentos e cheios de dúvidas que se seguiram, esses mestres italianos das orquestrações do metal não desanimaram, e agora em 2010 nos trazem este muítissimo interessante “The Frozen Tears of Angels”.
      Pelo menos na minha opinião, o disco de 2006 foi um pouco sem sal, de pouca criatividade e que parecia não ser muito inspirado. Já em “The Frozen Tears of Angels” a situação muda completamente de figura, onde a banda se mostra completamente em forma, muito entrosada e de volta com o espírito criativo mais flamejante.
      A intro 'Dark Frozen World' conta mais uma vez com a narração da voz poderosa de Christopher Lee, e com um clima orquestral extremamente bem construído, intenso, grandioso, e que prende o ouvinte até que chegue a faixa de abertura, 'Sea of Fate' que denota uma faceta mais progressiva, principalmente nos riff's de Luca Turilli; mas mesmo assim a música não deixa de ter aquele cárater épico e grandioso típico da banda. E esse mesmo cárater fica ainda mais latente em 'Crystal Moonlight', que soa bem mais power que sua antecessora, mas ao mesmo tempo englobando alguns elementos mais modernos que garantem-lhe bastante personalidade. Ótima faixa, e merece destaque a belíssima atuação de Fabio Lione no refrão.
      Talvez a faixa mais surpreedente de todo o disco seja 'Reign of Terror'. Começa baixa e sombria, com falas dispersas, violinos que vão cescendo até que explode um instrumental grandioso e marcante, com coros onipresentes, um refrão incrível e empolgante que conta com toda a versatilidade Lione, indo do limpo tradicional passando por vocais rasgados e raivosos. Vale também ressaltar o trabalho impecável de Alex Hollzwarth na bateria.
       Em seguida temos a típica música folk cantada em italiano, que no caso tem o nome de 'Danza di Fuoco e Ghiaccio'. Os primeiros momentos são de mais mostras da voz de Christopher, porém depois começa uma bela melodia de flauta, que ganha o acompanhamento dos demais instrumentos, de forma bem suave e bonita. A sonoridade da língua italiana combina muito bem com o clima do Rhpasody of Fire, e o resultado final da música é devéras interessante, sendo mais um ponto positivo do play. Já 'Raging Starfire' é um power metal super acelerado, que remete aos discos mais antigos da banda, com riff's muito virtuoses, pedal duplo metralhante, linhas de teclado grandiosas e os corais que colocam o refrão nas alturas. Muito boa faixa, que não prima pela originalidade, mas sim pela grande competência dos músicos.
       'Lost in Cold Dreams' é uma balada, que conta com bastante feeling, com o intrumental mais contido e simples, mas que transmite realmente sentimento. Lione mais uma vez nos brinda com uma bela intepretação, acompanhado por backing vocals que fazem do refrão algo realmente emocionante e grandioso. Na sequência vem a excepcional 'On the Way of Ainor', uma música bombástica, com corais e orquestrações magníficas, um refrão que chega a espantar pela sua grandeza e complexidade, fazendo da canção uma verdadeira peça de arte. Individualmente, merece nota 10!
      A faíxa título é a que encerra o disco. É longa, passando da casa dos 11 minutos. Já no seu início se sente um ar de trilha sonora de filme épico, tendo narrações, vocalizes de corais e passagens orquestradas que criam um clima sombrio e ao mesmo tempo instrigante. O seu decorrer alterna momentos mais calmos com momentos explosivos, tendo pequenos refrões espalhados, bastante peso, muita virtuose, belas linhas vocais e com todos os músicos tendo atuações de muito bom nível. Trantando-se de faixas longas, eles já fizeram músicas mais interessantes, mas de qualquer forma esta 'The Frozen Tears of Angels' é uma grande música, mostrando-se como uma composição madura e com vigor. Fecha o disco em alto nível.
       Liricamente falando, a história é a continuação do que se ouviu em “Tryumph or Agony”, com agora os heróis tendo que atravessar as terras congeladas do norte para conseguirem evitar o retorno de Necron. No encarte (muito bonito por sinal) fica tudo muito bem explicado, ajudando o ouvinte a entrar mesmo dentro da história.
        Por fim, o trabalho não é completamente brilhante, perfeito, inovador ou incontestável, mas mesmo assim podemos ter em mãos um disco de muita qualidade, de uma banda inspirada e satisfeita, que demonstra ter ainda bastante combustível para seguir em frente. Vale muito a pena ser adquirido e enriquecerá muito sua coleção!

O Rhapsody of Fire é:

Fabio Lione – Vocais
Luca Turilli – Guitarra
Alex Starapoli – Teclados
Patrice Guers – Baixo
Alex Holzwarth – Bateria


Track List:

  1. Dark Frozen World (2:12)
  2. Sea of Fate (4:49)
  3. Crystal Moonlight (4:25)
  4. Reign of Terror (6:52)
  5. Danza di Fuoco e Giacchio (6:26)
  6. Raging Starfire (4:56)
  7. Lost in Cold Dreams (5:14)
  8. On the Way of Ainor (6:59)
  9. The Frozen Tears of Angels (11:17)