quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pain of Salvation - Road Salt Two

         Daniel Gildenlöw e sua trupe estão de volta. O Pain of Salvation é uma das bandas mais representativas da cena progressiva na atualidade, sempre lançando discos ousados, de temáticas variadas e sempre carregadas de profundidade e reflexão. Daniel é um músico inquieto, que está sempre em busca de novas possibilidades para sua arte, jamais se acomodando em uma única sonoridade, desbravando novas e obscuras águas e quase sempre desafiando os admiradores de seu trabalho a embarcar em uma nova aventura.
     O que temos agora é a segunda parte do disco lançado ano passado, “Road Salt One”, que recebe o sub-título Ivory. Este “Road Salt Two” (Ebony), como pode-se reparar tanto pelas capas quanto pelos sub-títulos, é uma espécie de antagonismo do trabalho anterior. A concepção é a mesma, apostando alto em psicodelismo e na veia latente dos anos 60 e 70 que se ouviu na primeira parte da obra, porém com um certo quê mais obscuro, um tanto agoniado talvez, com ares mais complexos e divagantes. Uma comparação interessente seria dizer que a primeira metade é quase reta, enquanto que a segunda é tortuosa e cheia de revés que atiçam ainda mais a imaginação do ouvinte.
       A introdução 'Road salt Theme' é uma peça retrô, de estilo cinematográfico. Realmente linda e logo dá o tom do que há de se ouvir mais adiante. 'Softly She Cries' vem na pegada Hard Rock setentista que já se ouviu em RS1, com guitarras de timbres marcantes e repletas de distorção e um clima denso e psicodélico.
     Ainda mais anos 70 que a faixan anterior, 'Conditioned' já começa com uma levada de guitarra empolgante. É uma canção menos complexa, mas que compensa bastante pelo belo ritmo balançante e os momentos viajantes propiciados pelas ótimas linhas de teclado. 'Healing Now' é uma canção bem dizer acústica, com uma profusão de dedilhados e notas trêmulas que flutuam de uma forma encantadora. Uma ótima faixa com uma excepcional interprteção de Daniel nos vocais.
      O psicodelismo vem com tudo em 'To the Shoreline', que munida também de elementos bem progressivos resulta numa faixa cativante, com Daniel cantando muito bem, com interpretação marcante, emotiva e repleta de feeling. Assim como o RS1 teve momentos que remetiam aos trabalhos mais antigos da banda, novamente temos uma faixa com cara mais tradicional: 'Eleven'. Bem pesada, com altos e baixos impressivos e carregada de uma atmosfera tensa. Mas aomesmo tempo consegue agregar as características da nova sonoridade da banda. Nota para a destacada atuação do baterista Leo Margarit.
        Logo em seguida temos a uma muito simples, porém lindíssima, '1979'. É curta, pouco complexa e sem grandes atrativos técnicos, mas que conta com Daniel mais uma vez se superando na forma de dar vida à canção com sua voz, alguns instrumentos mais exóticos discretamente colocados e uma aura de encantadora simplicadade. E ainda temos a letra maravilhosa, que consegue tocaros sentimentos de qualquer pessoa que já deixou a adolescência para trás.
     'The Deeper Cut' é outra que remete a progressividade original da banda. Também tem um ar pesado, nervoso e denso. Belas linhas de guitarra, baixo satisfatóriamente atuante e a bateria destacada uma nova vez, ditando com maestria o ritmo da música. E nesse mix de passado e presente que marca tão profundamente a fase atual do Pain of Salvation chega 'Mortar Grind' (que já constava no EP “Linoleum” do começo do último ano). Pode-se dizer que seja a mais pesada do disco, com mais cara de metal, porém repleta de momentos calcados em épocas passadas e ainda em outras pirações de Daniel Gildenlöw.
       'Through the Distance' é irmã gêmea de '1979', ambas se completando perfeitamente. O mesmo clima, a mesma emotividade, a mesma sensação de saudade. Outra pérola.
      Chegando próximo ao finalda viagem, temos a mais progressiva e mais diversificada canção do disco: 'The Physics of Gridlock'. Um pequeno épico de oito minutos, divididos em três partes distintas. Temos peso, distorção, devaneios e psicodelismo a valer, alternando-se com sonoridades exóticas e uma certa atimosfera de júbilo e grandiosidade, realmente o encerramento de uma saga. O grande e mais substancial atrativo é a útima parte, cantada em francês, língua que deu ainda mais emotividade a interpretação de Daniel e encerrando em altíssimo estilo esta insana viagem que nos foi ofericida.
     E o adeus definitivo se dá com 'Ending Credits', do mesmoestilo da abertura do disco, cinematográfica. Uma bonita canção instrumental,que realmente dá a sensação de ser a trilha do final de um filme em preto e branco enquanto sobrem os crédtios finais, colocando um ponto final na rica e abstrata aventura que acabamos de ter.
       Sobre o tema do disco, novamente não me arrisco a dar qualquer parecer. Antes de mais nada, cada uma dessas canções tem a intenção de significar algo pessoal e marcante para cada ouvinte, individualmente, sem necessitar de uma história explícita e que todos devam aceitar.
        Já disse uma vez que considero Daniel Gildenlöw um verdadeiro gênio, megalomaníaco e excêntrico, mas um gênio. E a coragem dele em fazer o que bem quiser, o que o seu senso de artista pede, faz com que eu o admire ainda mais. Essa saga de Road Salt é mais uma ótima obra desenvolvida por ele , e que consagra mais e mais o Pain of Salvation como uma das bandas mais criativas do cenário metálico contemporâneo.
Toda a arte do disco é muito bonita também, e embelezará sua coleção se você adquirir. Não perca!

Nota 9



O Pain of Salvation é:

Daniel Gildenlöw – Vocais, guitarras e baixo
Johan Hallgren – Guitarra e vocais adicionais
Fredrik Hermansson – Teclado, piano, orgão e mellotron
Léo Margarit – Bateria e backing vocals


Track List:

  1. Road Salt Theme (00:45)
  2. Softly She Cries (04:18)
  3. Conditioned (04:30)
  4. Healing Now (04:34)
  5. To The Shoreline (03:03)
  6. Eleven (06:28)
  7. 1979 (02:53)
  8. The Deeper Cut (06:14)
  9. Mortar Grind (05:49)
  10. Through The Distance (03:00)
  11. The Physics Of Gridlock (08:43)
  12. End Credits (3:25)



  


sábado, 1 de outubro de 2011

Opeth - Heritage

        Existem bandas que fazem música, e existem bandas que transformam sua música em verdadeiras obras de arte. O Opeth, ao longo de seus vinte anos de carreira, decididamente entrou nesse hall de bandas que transcendem o mero ato de fazer música e se tornam lendas dentro de um cenário artístico.
Mikael Akerfeldt e sua trupe fizeram fama com a revolucionária ideia de unir o peso, a distorção e a violência do Death Metal com toda a técnica e complexidade do progressivo. Alternando guturias poderosos com cristalinas passagens de vocal limpo, levando os fãs por intensas e sombrias viagens, indo muito fundo na cerne humana. Mas agora Mikael decidiu ousar. Em “Heritage” não há nem sombra de qualquer coisa que remeta a Death Metal, nenhuma passagem em gutural, sem pancadaria ou virulência. O que ouvimos ao longo da audição é o que poderíamos comparar a discos de rock progressivos dos anos 70.
       Sim, não temos Death Metal no disco. Mas mesmo assim, é um disco 100% Opeth. Ao longo dos anos eles conseguiram criar uma sonoridade única, tão própria e original que, mesmo inventado de trilhar outros caminhos que não o habitual, continuam soando como sempre. As composições ainda são soturnas, sombrias e marcantes, que envovlem o ouvinte e o fazem mergulhar em um universo de sombras e medos escondidos. É um Opeth com outra cara, mas sem em momento nenhum deixar de ser Opeth.
      Muito bem, isso ficomuito claro logo de cara na faixa instrumental que abre e dá título ao disco. 'Heritage' é uma bonita e impressiva melodia de piano, que dá o tom do que há de se ouvir no decorrer dos trabalhos. Tem a marca resgistrada das composições de Akerfeldt: uma melancolia sublime, linda apesar de triste, e que transborda feeling. Abertura digníssima.
       Logo em seguida temos o single, 'The Devils Orchard'. Sobre ela vou repetir o que escrevi quando ela foi divulgada algum tempo atrás: o começo lembra um pouco Dream Theater, soando de uma forma absolutamente progressiva. Ela segue e ganha contornos levementes psicodélicos, com as linhas de teclado propiciando essa sensação, assim como riffs distorcidos e as batidas da bateria soando secas e num ritmo hipnótico. Ao mesmo tempo que existe essa faceta psicodélica, a canção é absolutamente sombria, sendo essa uma das marcas registradas da banda. O refrão, onde se repete várias vezes a frase "God is dead..." (influência de Nietzsche?) mostra que Mikael agora está completamente a vontade com os vocais limpos, aprimorando sua técnica e dando mais provas de que é um grande cantor.
      'I Feel The Dark' começa com dedilhados que a mim soam com um certo quê espanhol, para depois entrar Mikael com sua interpretação sombria e soturna. Então vem novamente a bateria e seu ritmo constante e hipnótico, e ainda linhas de teclado que flutuam de forma viajante. A virada que acontece na sua metade remete a um som mais clássico do Opeth, com peso mais latente e riffs mais familiares. E em seu final tudo isso se mistura numa química perfeita e marcante.
      Já 'Slither' vem numa onda diferente. Tem claras influências de Rainbow, principalmente da época que contava com Dio nos vocais. É uma faixa mais agitada e reta, de riffs mais constantes e bateria com mais pegada. Uma ótima faixa, que denota bastante versatilidade dos músicos. A face mais sombria e soturna retorna com classe em 'Nepenthe', que lembra um pouco jazz, misturado com progressivo, num balanço difícil de definir. O riff que se segue mais adiante é outra prova de o Opeth criou uma identidade marcante, pois é um dos típicos casos que você saberia na hora o que está ouvindo. Outra grande faixa.
      O começo acústico de 'Häxprocess', onde o que predominda é o vocal de Mikael, é de arrepiar. Aos poucos a canção cresce e toma mais forma, se tornando complexa e cheia de nuances, com batidas secas e quebradas de bateria, instrumentos de sopros aqui e ali, linhas de teclado impressivas, e riffs e acordes espalhados por todos os lados, mas perfeitamente custurados, terminando numa sonoridade envolvente. Uma das melhores do disco todo.
    Foi muito inteligente o clima desenvolvido na introdução de 'Famine', com batidas de intrumentos exóticos, ruídos e risadas ao fundo, tudo muito obscuro, quase macabro até. Mas quando entra um piano triste, de notas esparsas e melancólicas, a coisa toma outro rumo. Mikael aparece com uma voz mais encorpada, que abre caminho para um intrumental com bastante peso, meio arrastado em alguns momentos, que sobe e desce em quebras totalmente progressivas. É uma faixa mais longa, repleta de um feeling mais soturno e também é destaque.
      'The Lines In My Hand' é outra um pouco mais agitada, que conta com um ritmo embalado por algo que suponho (não tenho certeza) ser um acordeão em algumas passagens , que de qualquer forma soa muitíssimo interessante. A bateria tem muita cadência e o baixo é peça chave, o teclado propicia um clima psicodélico ao fundo. É de fato uma música meio estranha, mas mesmo assim esplêndida e de final empolgante.
      Logo após temos mais uma longa. 'Folklore' lembra um pouco o que se ouviu no álbum “Damnation”(2003), mas com a sonoridade proposta no restante do disco, com ares setentistas e psicodélicos. Os riffs são bonitos e chamativos, as linhas de bateria bem construídas e com Mikael mandando muito bem nos vocais. Também temos mudanças de andamentos, com pequeninos interlúdios sombrios. Excepcional!
      E o fechamento fica a cargo de 'Marrow Of The Earth', que assim como a abertura, é instrumental. Uma melodia linda de guitarra acústica, com alguns dedilhados e riffs serenos de profundida emocional latente. Dentro do que se propôs com o trabalho, foi o encerramento perfeito.
     E falando na propostado disco, eu preciso ressaltar a espetacular arte da capa do disco. Travis Smith talvez tenha ali sua obra-prima. Quem conhece um pouco da história da arte poderia facilmente ali reconhecer algumas influências. De certa forma seria uma mistura de arta sacra do século XVI, principalemnte de pintores holandeses, com uma estética de modernismo e escolas artísticas do início do século XX. Realmente uma arte maravilhosa, cheia de significados ocultos que atiçam a imaginação dos fãs.
     Eu considero Mikael Akerfeldt como um dos grandes gênios do Heavy Metal da atualidade, e o seu Opeth uma das bandas mais originais e criativas que surgiram nos últimos vinte anos. E agora este “Heritage” só vem confirmar essa minha opinião. Muitos fãs puristas simplesmete odiaram com todas as suas forças esse disco, mas Mikael foi corajoso e fez o disco que queria fazer, obscuro, tétrico e recheado de influêncais diversas, acertando muito bem a mão neste trabalho que já consta na minha lista de melhores do ano.
     A Hellion Records lançou uma versão nacional, como também dispõe de várias versões importadas e com materias extras. Não perca!

Nota 10

O Opeth é:

Mikael Akerfeldt – Vocals, Guitars, Mellotron, Piano, FX
Martín Mendez – Baixo
Martin Axenrot – Drums, Percussions
Frederik Akensson – Guitars (rhythm), Guitars (lead)
Per Wiberg – Keyboards, Hammond Organ, Piano, Fender Rhodes, Wurlitzer


Track List:

  1. Heritage (02:05)
  2. The Devil's Orchard (06:40)
  3. I Feel the Dark (06:40)
  4. Slither (04:03)
  5. Nepenthe (05:40)
  6. Häxprocess (06:57)
  7. Famine (08:32)
  8. The Lines in My Hand (03:49)
  9. Folklore (08:19)
  10. Marrow of the Earth (04:19) 

     

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Blind Guardian em Porto Alegre

       6 de setembro de 2011 vai ser um dia que eu vou lembrar para o resto da minha vida. Acordei às cinco e pouco da manhã, peguei o ônibus escolar que sai bem do lado da minha casa e fui até o centro da Feliz, a cidade onde moro. Passei mais de uma hora aguardando na rodoviária, no frio, o ônibus da Caxiense que me levaria até Porto Alegre para ver o show da banda que eu mais amo: o Blind Guardian.
      Cheguei na capital do Rio Grande do Sul por volta das onze horas, e logo tratei de me mandar para o Bar Opinião, onde o show aconteceria. Naquela hora ainda não havia muita gente por lá, no máximo uns dez outros entusiastas como eu que faziam questão de pegar os melhores lugares diante o palco na grande hora.
      As horas que se seguiram foram absurdamente prazerosas, conhecendo novas pessoas, e também as que já conhecia de internet, de tudo quanto é lugar, que logo se tornaram bons amigos e enriqueceram ainda mais essa esplêndida experiência.
    A tarde foi pasando e a ansiedade crescendo. Mais pessoas chegaram, a fila foi se tornando longa e ruidosa, com todo mundo muito animado para ver a terceira passagem dos bardos alemães por terras gaúchas. O sol estava cruel, castigando todos nós que não tinhamos uma sombra para repousar, mas isso não foi nada, a emoção de ver a nossa banda favorita transformava qualquer desafio em facilidade.
     Por volta das seis da tarde as portas foram abertas e a pequena multidão logo tomou conta das dependências do Opinião. A ansiedade e a emoção cresciam. Sem muita demora a Magician, banda de abertura, subiu ao palco e executou seu set curto mas competente, de um Power Metal pesado e técnico. Terminado a apresentação deles tudo foi desmontado com muita agilidade, e assim entrou em cena a equipe da banda principal, que com uma rapidez quase assustadora deixou tudo pronto para a grande atração da noite.
       Quando o relógio marcou oito horas em ponto a magia começou. A intro de Sacred Worlds começou e o mundo pareceu parar de girar. Era agora, a hora tinha chegado. Até agora não sei descrever a emoção que tomou conta dese humilde escriba quando André Olbrich, Marcus Siepen, Frederick Ehmke e Hansi Kürsch apareceram diante da platéia. A abertura não podia ser mais acertada, pois Sacred Worlds tem um refrão épico e imponente, que entoado em coro por quase duas mil vozes fez as paredes do Opinião tremerem, e conseguiu sem esforço nenhum conquistar o público e colocar fogo no show.
    Logo em seguida Hansi deu mostras de toda sua simpatia, conversando com o público, interagindo bastante e arranhando um português carregado de sotaque alemão aqui e ali. Esse sujeito tem uma das presenças de palco mais impressionantes da história do metal, sem firulas, correria ou malabarismo, sua simples figura e postura já inspiram um encanto inexplicável, exalando poder, que deixa o público na sua mão logo de cara. Impressionante!
     E dessa forma então ele nos anuncia um dos grandes clássicos da banda: Welcome to Dying. Não é preciso dizer que mais uma vez a galera veio abaixo, cantando-a junto do começo ao fim, batendo cabeça e indo a loucura. Na sequência vem outra clássica indubitável, Nightfall, que Hansi fez questão de comentar um pouco a história da música, citando o abençoado reino de Arda e mais coisas do maravilhoso mundo de Tolkien. Foi outro momento marcante, a música é linda e tocante, que mexeu com todo mundo que outra vez acompanhou a banda o tempo todo.
      O disco A Twist in a Myth foi representado pela ótima Fly, que mesmo não agradando alguns puristas que só querem saber de músicas antigas, foi um arraso, empolgando a maior parte do público, com Hansi regendo a galera com completa maestria. Nota positiva aqui também para a dupla de guitarristas, que sempre dá seu show particular saltitando de um lado a outro do palco. Depois mais uma clássica (do set recheado de hinos): Time Stand Still (At The Iron Hill), que foi cantada com todo o folêgo pela platéia, impressionando a banda e os deixando muito alegres, só de ver suas expressões surpresas e sorrisos quase permamentes.
      E lá do primeiro registro da banda veio Majesty, que o público pedia incessantemente. E o pedido foi aceito, e a execução da faixa enlouqueceu o público que bradou aquele refrão espetacular com todas as suas forças. Emocionante!
      E então veio uma das surpresas da noite: Bright Eyes, do aclamadíssimo Imaginations From the Other Side. Muita gente surtou de alegria por essa música, e mesmo com o Hansi dando uma escorregada na letra, satisfez todo mundo e foi inesquecível. E logo em seguida a segunda surpresa da noite: Ride into Obsession, uma das mais velozes e pesadas do disco novo. Segundo o vocalista era um desafio, pois ele fora tocada ao vivo apenas uma vez antes. Sendo desafio ou não, eles se superaram e tocaram ela brilhantemente e presentearam os fãs gaúchos com uma faixa exclusiva no set!
     A intensidade diminui um pouco quando o universo de Tolkien deu novamente as caras no palco do Opinião. A intensidade sim, mas a emoção não. Lord of the Rings uniu todos novamente numa só voz, num coro de arrepiar e trazer lágrimas aos olhos. Fantástico, sem outra definição melhor. E como show do Blind Guardian sem Valhalla não é show do Blind Guardian, esta clássica mor (talvez o maior hino da banda) não poderia faltar. Como é de costume foi um dos ápices da apresentação, com o refrão elevado aos céus por milhares de vozes fervorosoas, e que se prolongou por vários minutos, arrancando sorrisos da banda e uma alegria que era claramente notada. Algo que vai estar em nossas memórias para sempre.
      E o set regular terminou com a espetacular, épica, emocionante e mágica And Then There Was Silence. Muita gente torce o nariz para essa música, mas é uma das minhas faixas favoritas da banda, e foi uma emoção indiscritível ouvi-la ao vivo. Os refrões foram os ápices de grandiosidade e impacto, tão marcantes para mim que me levaram às lágrimas em alguns momentos. E de novo o público mostrou seu entusiasmo repetindo incansavelmente os “la la la la la” da parte final da canção, pulando e festejando.
     O encore começou com Imaginations From the Other Side, só mais uma na lista de clássicos da noite. O público já estava em êxtase e foi no embalo da música do início ao fim. Depois veio o momento que com certeza todos esperavam: as guitarras foram deixadas de lado, sendo trocadas por violões, e assim a magia de The Bards Song – In The Forest começou. De fato não preciso dizer o que se passou, não? Mais uma vez, todas vozes se tornaram uma só.
      Por fim, a apoteose. Mirror Mirror é outro hino que todos os fãs amam intensamente e que sempre fecha com chave os shows, e sendo assim, não poderia ser diferente nas terras gaúchas. O êxtase foi geral, de uma sensação que fica difícil de descrever com simples palavras. Quando terminou, a felicidade era tamanha que poderíamos todos ficar ali mais umas duas ou três com show que nínguem se cansaria.
     O Blind Guardian é apenas uma banda de metal, com 4 caras (que se tornam seis mais o baixista e tecladistas contratados) em cima de um palco tocando música muito boa, sem firúlas, sem pirotécnias exageradas ou outros badulaques desnecessários. São caras que amam o que fazem, que adoram seus fãs, são simpáticos e amáveis, e não atoa sãolendas do Power Metal.
      Foi simplesmente perfeito.
     Quando coloquei os pés dentro de casa no dia seguinte tinha a maravilhosa sensação de missão cumprida. Acordar muito cedo, horas dentro de um ônibus, horas de espera embaixo do sol abrasivo, o calor dentro da casa, o aperto, cada centavo gasto nesta aventura, tudo, absolutamente tudo, valeu a pena. Foi emocionante, a realização de um sonho. Eu chorei sim, não tenho vergonha de admitir. Foi um choro discreto de emoção verdadeira, não de histerismo barato por algum ídolo industrializado. Foi mágico. Foi perfeito. 
 

Set list:

Sacred Worlds
Welcome to Dying
Nightfall
Fly
Time Stand Still (At The Iron Hill)
Majesty
Bright Eyes
Rido into Obsession
Lord of the Rings
Valhalla
And The There Was Silence

Encore:
Imaginations From the Other
The Bard's Song – In The Forest
Mirror Mirror



    E antes de terminar, alguns agradecimentos: Marina, Mariana, Lineker, Andrew, Alexandre e toda o pessoal que tornou a espera na fila suportável e muito divertida. A Abstratti produtora por ter trazido a banda a Porto Alegre e proporcionar o dia mais feliz da minha vida. Ao meu grande amigo Felipe Stoll, que lá em 2008 no nosso segundo ano do ensino médio me apresentou a banda (meu bruxo, te devo muito!). E como não podia deixar de ser, ao Blind Guardian, pelos melhores momentos que eu já vivi até aqui.



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Edguy - Age of the Joker

     Sem muito alarde nem muita propaganda, Tobias Sammet e seu Edguy entraram em estúdio na Alemanha para gravarem seu nono álbum de inéditas.
    O Power Metal melódico e acelerado dos primeiros discos não é mais uma realidade da banda, e com o passar dos anos Tobias se mostrou corajoso e passou a desbravar novos horizontes musicais. O ápice dessa busca por novas sonoridades se consolidou definitivamente no último disco, “Tinnitus Sanctus” (2008), onde a veia hard rock ficou muito mais saliente, assim como uma forma diferente de lidar com o peso, se tornando algo mais denso e obscuro, talvez menos alegre e debochado do que nos acostumamamos a ouvir deles. Na minha opinião pessoal, achei “Tinnitus Sanctus” um grande disco, diversificado, ousado e mais uma prova de toda a versatilidade musical que Tobias Sammet dispõe. E nesse cenário vem à luz do mundo este “Age of the Joker”.
     Numa primeira audição pode soar como um álbum confuso e demasiado longo, e de fato foi o que ocorreu quando o ouvi pela primeira vez. Mas em seguidas audições a ideia concebida para ele vai ganhando forma, e a coesão e firmeza do álbum se tornam evidentes e marcantes. De certa forma imagino ele como se fosse uma bem dosada mistura entre os discos mais antigos com o trabalho recente, algo como jogar num liquidificador “Mandrake” (2001), “Hellfire Club” (2004) e “Tinnitus Sanctus” (2008).
       Logo de cara tem uma faixa longa e épica, 'Robin Hood' e seus 8 minutos de duração. É o bom humor voltando com mais força nos temas da banda, vide o hilário clipe feito para ela. É uma música cheia de variações, de bons riffs e um daqueles refrões típicos e empolgantes que o Edguy sabe fazer com maestria. Tem elementos de Hard muito bem mesclados com Heavy, teclados marcantes e uma cadência agitada. Uma bela forma de começar os trabalhos.
       Em seguida temos 'Nobody Hero', um bom exemplo de metal melódico contemporâneo, pesada, sem ser necessariamente na velocidade da luz e com um refrão inteligente e fácil de acompanhar. Os riffs são muito bem executados, num estilo bem alemão de se fazer metal. A interpretação de Tobias também é boa, mandando notas altas mas sem exagerar. Uma ótima faixa.
     'Rock of Cashel' é outra bastante épica e grandiosa. Tem um certo quê medieval cativante, que liricamente remonta a fase antiga da banda. As guitarras soam muito bem nesta, num timbre interessante, e Tobias novamente não deixa a desejar. Ressaltar o refrão mais uma vez é descenessário, não?
       Na onda de mesclar influências também podemos destacar com primazia 'Pandora's Box'. Temos aqui um bom bocado de country music e blues, que dão uma cara classuda para o som, com pegada e atitude. E isso misturado com o peso e a distorção do metal redundou numa sonoridade realmente única, com Tobias interpretando de uma forma até surpreedente, indo das notas altas do refrão até um vocal mais sujo e rouco nas partes lentas. Uma das melhores do disco com certeza!
     Logo em seguida vem uma que deve agradar aos saudosistas: 'Breathe'. Uma faixa animada, cheia de energia, mais acelerada, com linhas de teclado simples mais muito bem colocadas e que, creio eu, seria muito bem recebida nos shows. Um exemplo de que o Edguy evoluiu sem perder a identidade.
    'Two ou of Seven' é talvez a mais Hard Rock do disco. Tem linhas de teclando similares a da faixa anterior, porém é muito mais cadenciada, numa batida meio oitentista, de riffs marcantes e um solo inspirado. Aliás, nota muito positiva para a gravação das guitarras de Jens Ludwig e Dirk Sauer, que ao longo do disco todo soa sempre muito bem. E é outra que seria muito legal de ouvir num show, o refrão é perfeito para ser cantado com toda vontade por uma platéia. O mix de Hard com Heavy volta com tudo em 'Faces in the Darkness'. Cheia de peso, grandes riffs e o baixo muito bem colocado. Tem um ritmo forte, intenso e um quê venenoso bem Hard Rock. Outro destaque da bolacha.
      Totalmente old school é a canção seguinte, 'The Arcane Guild'. Super acelerada, de riffs cortantes, com solos elaborados e a bateria de Felix Bohnke ensandecida. Uma ótima música, um resgate das raízes inteligente e agradável, que não parece batido ou auto-plágio. Vamos caminhando para o final do disco. Agora é a vez de 'Fire in the Downline', que começa baixinha e soturna, mas cresce, ganha forma, peso e corpo. Tem um bom refrão, bastante peso e uma energia intensa. Mais uma das ótimas composições deste disco.
     'Behind the Gates to Midnight World' aposta mais numa veia progressiva, repleta de variações e quebras de ritmo, assim como seus riffs e linhas de teclado também são relativamente calcados numa proposta prog. O refrão é muito bom, assim como as pontes, e a letra como um todo é boa igualmente. É de fato longa, mas nem por isso cansativa. Outro ótimo exemplo da criatividade a nível industrial de Tobias Sammet como compositor.
        E pra fecharcom chave de ouro vem a tradicional balada que tem em todo disco do Edguy. Baladas essas de muito respeito, digasse de passagem,e 'Every Night Without You' não foge a regra. Daquelas músicas tocantes, repletas de feeling, com um solo digníssimo e um coral no refrão que fala ela ficar bem grandiosa. Uma música linda que fecha o álbum maravilhosamente bem.
      Por fim, “Age of the Joker” é um disco que conseguer ser alegre e sério ao mesmo tempo, uma equação perfeitamente equilibrada das peripécias de Sammet e sua trupe ao longo dos anos. Ousado, seguro e consciente. Épico, melódico e bem humorado. Acho que esses são adjeitvos que resumem bem o que se ouve na agradável uma hora de duração do disco.
      O Edguy chegou a maturidade musical. Foi uma jornada que dividiu opiniões e continuará a dividir. Tobias é um workaholic incansável e inquieto, que nunca se acomoda em alguma sonoridade específica, e nessa maturidade atingida, imagino que as ideias aflorarão com ainda mais força e intensidade, e o futuro da banda há de ser de mais e mais ótimos discos.
          A versão nacional vem com CD bônus cheio de material extra. Não perca!


O Edguy é:

Tobias Sammet – Vocais
Jens Ludwig – Guitarra
Dirk Sauer – Guitarra
Tobias Exxel – Baixo
Felix Bohnke – Bateria



Track List:

  1. Robin Hood (08:26)
  2. Nobody's Hero (04:33)
  3. Rock Of Cashel (06:20)
  4. Pandora's Box (06:47)
  5. Breathe (05:05)
  6. Two Out Of Seven (04:29)
  7. Faces In The Darkness (05:24)
  8. The Arcane Guild (05:00)
  9. Fire On The Downline (05:48)
  10. Behind The Gates To Midnight World (08:58)
  11. Every Night Without You (04:52)





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Solar Fragment - In Our Hands


       O Solar Fragment não é exatamente uma banda que pode ser chamada de novata, já que tem sete anos de estrada e dois lançamentos oficiais. Mas mesmo com a pouca bagagem musical essas rapazes de Dortmund, Alemanha, já recebem muito bons comentários da critícia especializada europeia, e aos poucos vão crescendo e tomando o rumos de outros cantos do mundo.
       Este “In Our Hands” é um disco pulsante, cheio de vigor e energia. O quinteto alemão consegue reunir tudo o que de bom já foi feito no Power Metal, e misturando com ideias próprias e originais oferece ao mercado do metal melódico um produto de altíssimo nível. Temos peso, velocidade, feeling, momentos épicos e grandiosos, tudo isso construído sobre uma produção muito profissional e de gabarito.
      Os trabalhos já começam bem; a faixa título abre a audição com intensidade, com marcantes linhas de bateria e logo de cara com amostras da potente e singular voz do vocalista Robert Leger. Tem ótimos riffs, com bastante peso e uma energia contagiante. Ótima abertura.
       Despejando bons riffs de primeira chega 'With Empty Eyes', uma canção mais reta, assim digamos. Tem uma carga de peso típicamente alemã, meio cadenciada mas impactante. Mantem o nível alto. A faixa seguinte conta com uma participação muito especial, o grande Hansi Kürsch do Blind Guardian. Inegavelmente a banda de Hansi é uma forte influência no som do Solar Fragment, e na canção 'Inside the Circle' se vê isso, pois é épica e intensa, com interpretação magistrais dos dois vocalistas no melhor estilo Power Metal alemão, teatral, grandioso e soberbo. De fato, um dueto para botar lá no alto a moral dessa rapaziada.
       'At the Harbor' é apenas um interlúdio que não chama muito a atenção. Logo depois chega 'Race the Seas', que é quase como uma balada, mas carregada de muito peso, com um refrão marcante e impressivo. As guitarras de Manuel Wiegmann e Marc Peters são outro bom destaque, bem elaboradas e esmeradas, soando muítissimo bem. Enfim, uma belíssima canção.
       Vem numa levada ligeiramente folk a faixa seguinte, 'Come Hell or High Water'. Esta tem uma cara um pouco retrô, parecendo ter saído dos anos 80, com pedal duplo na velocidadeda luz e riffs ligeiros e cortantes, lembrando bastante a fase clássica do Helloween. Mas no decorrer da faixa a personalidade da banda se mostra, criando uma sonoridade realmente única. Já em uma pegada mais de metal clássico temos 'Homecoming', de riffs agudos e bateria cavalgante. Mais uma ótima canção do disco.
       A teatralidade musical se torna ainda mais latente em 'Moanas's Return'. A faixa começa mais suave, quase acústica, com a intepretação irreparável de Lenger, e vai crescendo, com variações ligeiramente progressivas, que desaguam num refrão épico e empolgante. Uma das melhores do álbum!
       A reta final chega com 'The March of the Golems', de ritmo marcial e imponente. Uma música maciça e de peso plúmbeo, de colocar respeito em muita banda veterana por aí. E por fim o disco se encerra com 'Once Again', rápida, melódica e de refrão grudento. Com boas linhas de baixo, guitarras afiadas e o baterista dando seu show como no disco inteiro desde o começo. Um fechamento muito digno.
      Pois bem, este “In Our Hands” é um disco muito agrável de se ouvir, não muito longo nem cansativo, de canções dinâmicas e empolgantes, que consegue prender a atenção do ouvinte. O Solar Fragment é uma banda da nova geração que consegue ser um sangue novo dentro da já saturada cena do Power Metal germânico, uma lufada de ar fresco e criatividade que sacode com o marasmo causado por bandas clones e sem personalidade que surgem a cada momento.
   Espero que algum selo se disponibilize a lançar o disco aqui no Brasil, pois seria um título que engrandeceria nossas coleções, e música da mais alta qualidade. Vale a pena procurar!

O Solar Fragment é:

Robert Leger – Vocais
Marc Peters – Guitarra
Manuel Wiegmann – Guitarra
Dominic Sewre – Baixo
Sascha Schiller – Bateria


Track List:

  1. In Our Hands (05:16)
  2. With Empty Eyes (04:41)
  3. Inside The Circle (05:03)
  4. At The Harbor (00:51)
  5. Race The Seas (06:10)
  6. Come Hell Or High Water (05:30)
  7. Homecoming (05:20)
  8. Moana’s Return (04:23)
  9. The March Of The Golems (04:57)
  10. Once Again (05:22)


 




 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Opeth - The Devil's Orchard (single)

    Já faz alguns dias que uma nova composição do Opeth anda circulando por aí, seja tocando em programas de rádio mundo a fora ou pela internet, gerando inúmeras discussões em fóruns e comunidades virtuais. Mikael Akerfeldt já havia dado pistas do que viria no novo disco da banda, "Heritage", a ser lançado em setembro, em algumas entrevistas que concedeu nos últimos meses. Segundo ele esse seria um disco diferente, sem elementos de Death Metal, mais calcado no progressivo setentista e bastante experimental. E de fato, tudo isso fica muito claro ao ouvir esta peça intitulada 'The Devil's Orchard'
    O começo da canção lembra um pouco Dream Theater, soando de uma forma absolutamente progressiva. Ela segue e ganha contornos levementes psicodélicos, com as linhas de teclado propiciando essa sensação, assim como riffs distorcidos e as batidas da bateria soando secas e num ritmo hipnótico. Ao mesmo tempo que existe essa faceta psicodélica, a canção é absolutamente sombria, sendo essa uma das marcas registradas da banda. O refrão, onde se repete várias vezes a frase "God is dead..." mostra que Mikael agora está completamente a vontade com os vocais limpos, aprimorando sua técnica e dando mais provas de que é um grande cantor. 
      Pessoalmente gostei muito da faixa, que foi um aperitivo animador para o novo trabalho. No disco não terão guturias, talvez por Mikael estar com a voz um pouco defasada por tantos anos de intensos rugidos, mas seja qual for o motivo, não será problema nenhum. O Opeth é um gigante por ter músicos de talento ímpar, que criaram um som único e inovador, e que agora se reinventam, acertando no alvo se for mantida a qualidade e criatividade mostradas nesse promissor single. 


"Heritage" será lançado na Europa em 16 de setembro, e contará com o seguinte track-list:

1. Heritage 
2. The Devil's Orchard  
3. I Feel the Dark 
4. Slither  
5. Nepenthe 
6. Häxprocess  
7. Famine 
8. The Lines in My Hand  
9. Folklore
10. Marrow of the Earth




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Symphony X - Iconoclast

       O Symphony X é uma das bandas mais respeitadas e influentes da cena do metal progressivo já a quase duas décadas, e nos últimos anos vem nos fornecendo discos de uma qualidade e grandiosidades absurdas. Desde o metal progressivo técnico e contemplativo dos primeiros trabalhos indo até o peso plúmbeo e a velocidade dos discos recentes, a discografia desses americanos é praticamente impecável e imaculada. E mantendo a tradição de não decepcionar, agora em 2011 lançam “Iconoclast”.
      A característica mais notável que a banda apresentou ao longo dos anos 2000 foi uma gradativa inserção de peso em seu som. Em 2002 com o disco “The Odyssey” começou este processo, onde os riffs progressivos foram mais encorpados, recebendo doses mais intensas de peso e uma técnica mais dinâmica e forte. O hiato de cinco anos até a chegada de “Paradise Lost” acabou por nos trazer ainda mais peso, embasbacando fãs ao redor do mundo, seja pela produção que deixou o som paquidérmico seja pela interpretação monstruosa de Russel Allen, que em vários momentos quase beirava o gutural. A guitarra de Michael Romeo mais técnica do que nunca, a bateria de Jason Rullo devastadora, porém com atuações mais discretas do baixista e tecladita, Michael LePond e Michael Pinnella, respectivamente. Mas de qualquer forma, um disco quase perfeito. Sendo assim, temos o plano de fundo que trouxe “Iconoclast” à tona.
      A expectativa era alta, e não era para menos. Foram quase quatro anos de um silêncio perturbador por parte da banda, mas aos poucos as informações foram saindo, comentários de quem ouviu o disco com exclusividade, e ansiedade só crescia entre os fãs. E quando então finalmente o disco vazou na internet a confirmação veio: outro petardo!
     A audição já começa soberba com a faixa que dá nome ao play. Um épico de 10 minutos, que logo de primeira vem com um coral impactante, dividindo espaços magistralmente com linhas de bateria interessantes e riffs misteriosos. Mas logo a tradicional cara da banda chega com tudo, absolutamente prgressiva. Com distorções e solos inspirados. Russel dá show, cantando muito como sempre. Os corais vem e vão em momentos chaves, criando toda uma atsmofera especial e grandiosa. Um espetáculo de faixa, que mescla primorosamente a faceta mais contemplativa do passado com a virutose-pesada de atualmente. Sensacional!
       A faixa seguinte é a já conhecida 'End of Innocence', que tinha sido tocada em alguns shows pela europa mais no começo do ano, e um pouco depois lançada como single oficial. Bem pesada, seguindo na linha dos trabalhos recentes, mas que a mim não soa repetitiva. Os solos são puramente progressivos, e o teclado tem uma atuação muito satisfatória. Belíssima faixa. E outra que alguns sortudos fãs tiveram a chance de ouvir antes de todo mundo foi 'Dehumanized', outra pedrada, esmeradamente trabalhada, nos mínimos detalhes. Cada nota exalando o perfume da perfeição. E Russel mostrando mais uma vez toda sua versatilidade, conseguindo deixar sua voz muito grave e rasgada, para em seguida massagear ouvidos com tons mais limpos.
        Numa batida mais acelerada e progressiva temos a seguir 'Bastards of the Machine', com suas linhas de teclado viajantes, guitarra cirurgica e a bateria cavalgando insanamente. E é preciso repetir que Russel arrasa o quarteirão? Logo depois temos outra pérola, 'Heretic'. Faixa mais seca e nervosa, assim digamos, com um clima bem tenso, principalmente de Russel. A guitarra também parecem nervosa, esbanjando riffs densos e intricados no melhor estilo Michael Romeo. E Jason não deixa barato, judiando de sua bateria.
      'Children of a Faceless God' é aspirante a clássico não só por seu instrumental e execuções primorosas, mas também por ter alguma outra coisa que eu não consigo definir, um encanto simplório que chama demais a atenção. Tem um refrão bem marcante, e também é construída inteligentemente, numa forma mais despojada em alguns momentos que garante um quê excepional a ela. Mais pancadaria à vista em 'Eletric Messiah', com outra excepcional atuação de Michael Pinnella nos teclados, bateria extasiante e pegada animalesca. De bater cabeça até doer o pescoço.
      E o ritmo não cai nunca, a audição segue com a mais quebrada 'Prometheus (I Am live)' e seu ritmo balançante, Russel Allen não cansa de ser bom e interpreta a canção de forma sublime, em alguns momentos numa veia meio hard rock, outras muito metal, mas sempre sobrando em técnica e talento. Ótima canção que abre caminho para o fechamento do disco.
      Se você até aqui sentiu falta daquelas baladaças que o Symphony X sempre compõe, onde o mister Allen faz qualquer um se emocionar de tanto feeling, pode se preparar que 'When All is Lost' vai te arrancar lágrimas. O mais legal dela é que não é apenas uma balada, mas uma faixa longa cheia de variações muito características da banda, com momentos mais pesados e fortes, mas também é recheada de explosões de feeling e beleza, melodias tocantes e cheias de sentimento. Uma peça maravilhosa, e que fecha de forma inconstetável este sensacional disco de metal progressivo.
     A temática do disco gira em torno daquele ideia de que no futuro, com as constante aperfeiçoações tecnológicas, as máquinas acabarão tentando tomar o controle do mundo subjugando os humanos, seus criadores. Tem gente dizendo que o Black Sabbath já tinha abordado essa ideia no seu clássico “Dehumanizer” (1992). Pode até ser verdade, mas teria alguma influência mais digna e respeitosa que simplesmente os inventores do Heavy Metal?
     Com certeza absoluta este “Iconoclast” é o disco mais pesado, dinâmico e impactante de toda a carreira gloriosa do Symphony X. E além disso consegue trazer de volta algumas coisas da sonoridade primordial (como a participação mais ativa do tecladista Pinnella, algo reclamado bastante pelos fãs no disco anterior), fundindo com o que de melhor a banda andou fazendo neste novo século, preparando para nós fãs um verdadeiro banquete sonoro, que propicia um prazer imenso e uma satisfação gratificante.
      Se você é fã de metal progressivo e principalemnte do Symphony X, compre este disco imediatamente, que ele não pode ficar faltando em sua coleção (e se puder, compre a versão especial que vem com dois discos e vários bônus muito legais ;D).
       Esse já está na minha lista dos melhores do ano!


O Symphony X é:

Russel Allen – Vocais
Michael Romeo – Guitarra
Michael Pinnella – Teclado
Michael LePond – Baixo
Jason Rullo – Bateria


Track List:

  1. Iconoclast (10:53)
  2. The End of Innocence (05:29)
  3. Dehumanized (06:49)
  4. Bastards of the Machine (04:58)
  5. Heretic (06:26)
  6. Children of a Faceless God (06:22)
  7. Electric Messiah (06:15)
  8. Prometheus [I Am Alive] (06:48)
  9. When All Is Lost (09:10)