quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Solar Fragment - In Our Hands


       O Solar Fragment não é exatamente uma banda que pode ser chamada de novata, já que tem sete anos de estrada e dois lançamentos oficiais. Mas mesmo com a pouca bagagem musical essas rapazes de Dortmund, Alemanha, já recebem muito bons comentários da critícia especializada europeia, e aos poucos vão crescendo e tomando o rumos de outros cantos do mundo.
       Este “In Our Hands” é um disco pulsante, cheio de vigor e energia. O quinteto alemão consegue reunir tudo o que de bom já foi feito no Power Metal, e misturando com ideias próprias e originais oferece ao mercado do metal melódico um produto de altíssimo nível. Temos peso, velocidade, feeling, momentos épicos e grandiosos, tudo isso construído sobre uma produção muito profissional e de gabarito.
      Os trabalhos já começam bem; a faixa título abre a audição com intensidade, com marcantes linhas de bateria e logo de cara com amostras da potente e singular voz do vocalista Robert Leger. Tem ótimos riffs, com bastante peso e uma energia contagiante. Ótima abertura.
       Despejando bons riffs de primeira chega 'With Empty Eyes', uma canção mais reta, assim digamos. Tem uma carga de peso típicamente alemã, meio cadenciada mas impactante. Mantem o nível alto. A faixa seguinte conta com uma participação muito especial, o grande Hansi Kürsch do Blind Guardian. Inegavelmente a banda de Hansi é uma forte influência no som do Solar Fragment, e na canção 'Inside the Circle' se vê isso, pois é épica e intensa, com interpretação magistrais dos dois vocalistas no melhor estilo Power Metal alemão, teatral, grandioso e soberbo. De fato, um dueto para botar lá no alto a moral dessa rapaziada.
       'At the Harbor' é apenas um interlúdio que não chama muito a atenção. Logo depois chega 'Race the Seas', que é quase como uma balada, mas carregada de muito peso, com um refrão marcante e impressivo. As guitarras de Manuel Wiegmann e Marc Peters são outro bom destaque, bem elaboradas e esmeradas, soando muítissimo bem. Enfim, uma belíssima canção.
       Vem numa levada ligeiramente folk a faixa seguinte, 'Come Hell or High Water'. Esta tem uma cara um pouco retrô, parecendo ter saído dos anos 80, com pedal duplo na velocidadeda luz e riffs ligeiros e cortantes, lembrando bastante a fase clássica do Helloween. Mas no decorrer da faixa a personalidade da banda se mostra, criando uma sonoridade realmente única. Já em uma pegada mais de metal clássico temos 'Homecoming', de riffs agudos e bateria cavalgante. Mais uma ótima canção do disco.
       A teatralidade musical se torna ainda mais latente em 'Moanas's Return'. A faixa começa mais suave, quase acústica, com a intepretação irreparável de Lenger, e vai crescendo, com variações ligeiramente progressivas, que desaguam num refrão épico e empolgante. Uma das melhores do álbum!
       A reta final chega com 'The March of the Golems', de ritmo marcial e imponente. Uma música maciça e de peso plúmbeo, de colocar respeito em muita banda veterana por aí. E por fim o disco se encerra com 'Once Again', rápida, melódica e de refrão grudento. Com boas linhas de baixo, guitarras afiadas e o baterista dando seu show como no disco inteiro desde o começo. Um fechamento muito digno.
      Pois bem, este “In Our Hands” é um disco muito agrável de se ouvir, não muito longo nem cansativo, de canções dinâmicas e empolgantes, que consegue prender a atenção do ouvinte. O Solar Fragment é uma banda da nova geração que consegue ser um sangue novo dentro da já saturada cena do Power Metal germânico, uma lufada de ar fresco e criatividade que sacode com o marasmo causado por bandas clones e sem personalidade que surgem a cada momento.
   Espero que algum selo se disponibilize a lançar o disco aqui no Brasil, pois seria um título que engrandeceria nossas coleções, e música da mais alta qualidade. Vale a pena procurar!

O Solar Fragment é:

Robert Leger – Vocais
Marc Peters – Guitarra
Manuel Wiegmann – Guitarra
Dominic Sewre – Baixo
Sascha Schiller – Bateria


Track List:

  1. In Our Hands (05:16)
  2. With Empty Eyes (04:41)
  3. Inside The Circle (05:03)
  4. At The Harbor (00:51)
  5. Race The Seas (06:10)
  6. Come Hell Or High Water (05:30)
  7. Homecoming (05:20)
  8. Moana’s Return (04:23)
  9. The March Of The Golems (04:57)
  10. Once Again (05:22)


 




 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Opeth - The Devil's Orchard (single)

    Já faz alguns dias que uma nova composição do Opeth anda circulando por aí, seja tocando em programas de rádio mundo a fora ou pela internet, gerando inúmeras discussões em fóruns e comunidades virtuais. Mikael Akerfeldt já havia dado pistas do que viria no novo disco da banda, "Heritage", a ser lançado em setembro, em algumas entrevistas que concedeu nos últimos meses. Segundo ele esse seria um disco diferente, sem elementos de Death Metal, mais calcado no progressivo setentista e bastante experimental. E de fato, tudo isso fica muito claro ao ouvir esta peça intitulada 'The Devil's Orchard'
    O começo da canção lembra um pouco Dream Theater, soando de uma forma absolutamente progressiva. Ela segue e ganha contornos levementes psicodélicos, com as linhas de teclado propiciando essa sensação, assim como riffs distorcidos e as batidas da bateria soando secas e num ritmo hipnótico. Ao mesmo tempo que existe essa faceta psicodélica, a canção é absolutamente sombria, sendo essa uma das marcas registradas da banda. O refrão, onde se repete várias vezes a frase "God is dead..." mostra que Mikael agora está completamente a vontade com os vocais limpos, aprimorando sua técnica e dando mais provas de que é um grande cantor. 
      Pessoalmente gostei muito da faixa, que foi um aperitivo animador para o novo trabalho. No disco não terão guturias, talvez por Mikael estar com a voz um pouco defasada por tantos anos de intensos rugidos, mas seja qual for o motivo, não será problema nenhum. O Opeth é um gigante por ter músicos de talento ímpar, que criaram um som único e inovador, e que agora se reinventam, acertando no alvo se for mantida a qualidade e criatividade mostradas nesse promissor single. 


"Heritage" será lançado na Europa em 16 de setembro, e contará com o seguinte track-list:

1. Heritage 
2. The Devil's Orchard  
3. I Feel the Dark 
4. Slither  
5. Nepenthe 
6. Häxprocess  
7. Famine 
8. The Lines in My Hand  
9. Folklore
10. Marrow of the Earth




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Symphony X - Iconoclast

       O Symphony X é uma das bandas mais respeitadas e influentes da cena do metal progressivo já a quase duas décadas, e nos últimos anos vem nos fornecendo discos de uma qualidade e grandiosidades absurdas. Desde o metal progressivo técnico e contemplativo dos primeiros trabalhos indo até o peso plúmbeo e a velocidade dos discos recentes, a discografia desses americanos é praticamente impecável e imaculada. E mantendo a tradição de não decepcionar, agora em 2011 lançam “Iconoclast”.
      A característica mais notável que a banda apresentou ao longo dos anos 2000 foi uma gradativa inserção de peso em seu som. Em 2002 com o disco “The Odyssey” começou este processo, onde os riffs progressivos foram mais encorpados, recebendo doses mais intensas de peso e uma técnica mais dinâmica e forte. O hiato de cinco anos até a chegada de “Paradise Lost” acabou por nos trazer ainda mais peso, embasbacando fãs ao redor do mundo, seja pela produção que deixou o som paquidérmico seja pela interpretação monstruosa de Russel Allen, que em vários momentos quase beirava o gutural. A guitarra de Michael Romeo mais técnica do que nunca, a bateria de Jason Rullo devastadora, porém com atuações mais discretas do baixista e tecladita, Michael LePond e Michael Pinnella, respectivamente. Mas de qualquer forma, um disco quase perfeito. Sendo assim, temos o plano de fundo que trouxe “Iconoclast” à tona.
      A expectativa era alta, e não era para menos. Foram quase quatro anos de um silêncio perturbador por parte da banda, mas aos poucos as informações foram saindo, comentários de quem ouviu o disco com exclusividade, e ansiedade só crescia entre os fãs. E quando então finalmente o disco vazou na internet a confirmação veio: outro petardo!
     A audição já começa soberba com a faixa que dá nome ao play. Um épico de 10 minutos, que logo de primeira vem com um coral impactante, dividindo espaços magistralmente com linhas de bateria interessantes e riffs misteriosos. Mas logo a tradicional cara da banda chega com tudo, absolutamente prgressiva. Com distorções e solos inspirados. Russel dá show, cantando muito como sempre. Os corais vem e vão em momentos chaves, criando toda uma atsmofera especial e grandiosa. Um espetáculo de faixa, que mescla primorosamente a faceta mais contemplativa do passado com a virutose-pesada de atualmente. Sensacional!
       A faixa seguinte é a já conhecida 'End of Innocence', que tinha sido tocada em alguns shows pela europa mais no começo do ano, e um pouco depois lançada como single oficial. Bem pesada, seguindo na linha dos trabalhos recentes, mas que a mim não soa repetitiva. Os solos são puramente progressivos, e o teclado tem uma atuação muito satisfatória. Belíssima faixa. E outra que alguns sortudos fãs tiveram a chance de ouvir antes de todo mundo foi 'Dehumanized', outra pedrada, esmeradamente trabalhada, nos mínimos detalhes. Cada nota exalando o perfume da perfeição. E Russel mostrando mais uma vez toda sua versatilidade, conseguindo deixar sua voz muito grave e rasgada, para em seguida massagear ouvidos com tons mais limpos.
        Numa batida mais acelerada e progressiva temos a seguir 'Bastards of the Machine', com suas linhas de teclado viajantes, guitarra cirurgica e a bateria cavalgando insanamente. E é preciso repetir que Russel arrasa o quarteirão? Logo depois temos outra pérola, 'Heretic'. Faixa mais seca e nervosa, assim digamos, com um clima bem tenso, principalmente de Russel. A guitarra também parecem nervosa, esbanjando riffs densos e intricados no melhor estilo Michael Romeo. E Jason não deixa barato, judiando de sua bateria.
      'Children of a Faceless God' é aspirante a clássico não só por seu instrumental e execuções primorosas, mas também por ter alguma outra coisa que eu não consigo definir, um encanto simplório que chama demais a atenção. Tem um refrão bem marcante, e também é construída inteligentemente, numa forma mais despojada em alguns momentos que garante um quê excepional a ela. Mais pancadaria à vista em 'Eletric Messiah', com outra excepcional atuação de Michael Pinnella nos teclados, bateria extasiante e pegada animalesca. De bater cabeça até doer o pescoço.
      E o ritmo não cai nunca, a audição segue com a mais quebrada 'Prometheus (I Am live)' e seu ritmo balançante, Russel Allen não cansa de ser bom e interpreta a canção de forma sublime, em alguns momentos numa veia meio hard rock, outras muito metal, mas sempre sobrando em técnica e talento. Ótima canção que abre caminho para o fechamento do disco.
      Se você até aqui sentiu falta daquelas baladaças que o Symphony X sempre compõe, onde o mister Allen faz qualquer um se emocionar de tanto feeling, pode se preparar que 'When All is Lost' vai te arrancar lágrimas. O mais legal dela é que não é apenas uma balada, mas uma faixa longa cheia de variações muito características da banda, com momentos mais pesados e fortes, mas também é recheada de explosões de feeling e beleza, melodias tocantes e cheias de sentimento. Uma peça maravilhosa, e que fecha de forma inconstetável este sensacional disco de metal progressivo.
     A temática do disco gira em torno daquele ideia de que no futuro, com as constante aperfeiçoações tecnológicas, as máquinas acabarão tentando tomar o controle do mundo subjugando os humanos, seus criadores. Tem gente dizendo que o Black Sabbath já tinha abordado essa ideia no seu clássico “Dehumanizer” (1992). Pode até ser verdade, mas teria alguma influência mais digna e respeitosa que simplesmente os inventores do Heavy Metal?
     Com certeza absoluta este “Iconoclast” é o disco mais pesado, dinâmico e impactante de toda a carreira gloriosa do Symphony X. E além disso consegue trazer de volta algumas coisas da sonoridade primordial (como a participação mais ativa do tecladista Pinnella, algo reclamado bastante pelos fãs no disco anterior), fundindo com o que de melhor a banda andou fazendo neste novo século, preparando para nós fãs um verdadeiro banquete sonoro, que propicia um prazer imenso e uma satisfação gratificante.
      Se você é fã de metal progressivo e principalemnte do Symphony X, compre este disco imediatamente, que ele não pode ficar faltando em sua coleção (e se puder, compre a versão especial que vem com dois discos e vários bônus muito legais ;D).
       Esse já está na minha lista dos melhores do ano!


O Symphony X é:

Russel Allen – Vocais
Michael Romeo – Guitarra
Michael Pinnella – Teclado
Michael LePond – Baixo
Jason Rullo – Bateria


Track List:

  1. Iconoclast (10:53)
  2. The End of Innocence (05:29)
  3. Dehumanized (06:49)
  4. Bastards of the Machine (04:58)
  5. Heretic (06:26)
  6. Children of a Faceless God (06:22)
  7. Electric Messiah (06:15)
  8. Prometheus [I Am Alive] (06:48)
  9. When All Is Lost (09:10)






sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vanir - Saermners Kod

      Este post não é bem uma resenha. O que eu quero mesmo é divulgar essa banda sensacional chamada Vanir que conheci alguns dias atrás (mais uma veze ficam os agradecimentos ao mestre @PikachuSama, o mago em descobrir bandas incríveis de todos os cantos do mundo). Os caras são da Dinamarca, e fazem um Viking/Folk metal maravilhoso, de uma forma tão original e criativa como eu nunca tinha ouvido antes.
    Temos aqui flautas, tambores nórdicos, acordeões, vocais guturais e rasgados, bebedeiras e comilanças desregradas, uma verdadeira festa ao orgulho pagão (nota-se já pela capa!). A mágica fica ainda mais evidente e encantadora por tudo ser cantando em dinamarquês, de uma forma intensa e visceral, mas podendo-se destacar as palavras, e por não entender absolutamente nada do que quer dizera fica ainda mais fascinante.
     Abaixo vai uma apresentação mais detalhada sobre a banda, que peguei lá no blog do Pikachu, o Discipline of Steel:

“Um pouco sobre a lenda dos Vanir: É o nome do que é geralmente reconhecido como um dos dois panteões dos deuses na Mitologia nórdica, sendo que o outro é conhecido como os Æsir. Os Vanir lutaram com os Æsir na Guerra dos Deuses.

São deuses da fertilidade e da prosperidade, enquanto os Æsir eram deuses da guerra. Os Vanir possuíam um conhecimento profundo das artes mágicas, de modo que sabiam também sobre o futuro. A lenda conta que Freya ensinou a mágica aos Æsir. Praticavam também a endogamia e mesmo o incesto, ambos proibidos entre o Æsir; como um exemplo, Frey e Freya eram filhos de Njord e de sua irmã Nerto. Os Vanir viviam em Vanaheim, chamado também de Vanaland; eles ainda tem raízes mais antigas em lendas nórdicas, dizem que os Elfos são na verdade Vanir. É uma explicação longa, por isso, fico por aqui.

Muita bebidas, danças, gritos de guerra e um amor incrível em narrar as lendas do povo nórdico. Super recomendo! Essa banda é impressionante!”


Então é isso aí, a banda é sensacional e eu recomendo demais, foi uma das que mais me chamou a atenção nos últimos tempos. Acho que o disco não se encontra no mercado brasileiro, mas de qualquer forma estou seriamente tentado a dar um jeito de comprar pela internet, porque seria um acréscimo espetacular na coleção de quem, assim como eu, ama do fundo do coração a cultura nórdica, refletida na força e vitalidade do metal.

Mas em todo caso, baixe o disco AQUI e não se arrependa! :D

O Vanir é: 

Andreas Bigom – Vocais e teclado
Mike Pedersen – Vocais adicionais
Sara Oddershede – Gaita de foles e flautas
Phillip Kaaber – Guitara
Lars Bundvad – Baixo
Martin Håkan – Bateria e percussões
Sabrina Glud – Violino


Track List:
  1. Af Braget Æt   (01:39)
  2. Gildet   (03:58)
  3. Elverkongens Brud (02:45)
  4. Særimners Kød (05:06)
  5. Rejsen Til Udgårdsloke (03:13)
  6. Suttungs Mjød (02:58)
  7. Lokes Listighed (03:25)
  8. Niddings Dom (01:17)
  9. Holmgang (04:13)
  10. Togtet (03:06)
  11. Langt Over Havet (04:13)





Saxon - Call to Arms

       Às vezes eu considero o Saxon como uma das bandas mais injustiçadas da New Wave of British Heavy Metal. Eles foram tão importantes para o movimentos quanto as bandas que mais conseguiram destaque na mídia, como o Iron Maiden num exemplo clássico. Discos como “Wheels of Steel” (1980), “Strong Arm of the Law” (1980), “Denim and Leather” (1981), “Power & The Glory” (1983) e “Crusader” (1985) são até hoje considerados fundamentais dentro da história do Heavy Metal, sendo exemplos dos mais puros e genuínos do estilo.
       Possivelmente a banda tenha caído num certo ostracismo na grande cena por causa de uma sequência de discos não tão bons, no final dos anos 80 e início dos 90, que pendiam ligeiramente para o Hard Rock que era o grande expoente da época. Não que tenham sido discos ruins, mas a alma do Saxon é Heavy Metal, simples mas de impacto. E quando resolveram voltar ao bom e velho metal no estilo inglês foram matadores, principalmente ao longo dos anos 2000, lançando verdadeiros petardos como “Lionheart” (2004), “Inner Sanctum” (2007) e “Into the Labyrinth” (2009).
     E agora que adentramos em uma nova década o Saxon nos presenteia com mais um álbum matador. “Call to Arms” é menos pomposo que seu antecessor, mais direto, mais pesado. Na minha primeira audição do disco fiquei com a leve impressão de estarouvindo um disco dos anos 80, só que melhor gravado e masterizado. De fato, tem um certo quê retrô permeando o trabalho, mas decididamente não pretende ser uma simples cópia do que foi feito no passado. Biff Byford, único membro fundador da banda, é um compositor muito competente e criativo, e tão apaixonado pelo Heavy Metal que jamais traíria a si mesmo e a seus fãs reciclando ideias deliberadamente.
      A abertura fica a cargo do metalzão clássico 'Hammer of the Gods'. Música de riffs cortantes, firmes e sem firulas, um solo muito bom e o baterista Nigel Glockler mandando muito bem. Também é o primeiro single, e conta com um vídeo muito interessante, filmado em uma praia britânica, que garantiu uma clima muito especial a ele. A seguir temos 'Back in 79', mais lenta, meio arrastada, mas bastante classuda e cheia de estilo. E o mais legal da música é um coral de fãs da banda no refrão da música. Eu achei uma ideia genial, e vendo o vídeo da gravação desse trecho se nota a alegria daquela galera participando de um álbum de sua banda favorita. Demais!
      O nível continua lá em cima com 'Surviving Against the Odds', com seu riff contagiante e solo inspirado, tem uma batida empolgante e que dá uma vontade imensa de pular por aí.Um sonzaço! Logo depois vem uma com um quê meio místico, daquelas tradicionais da banda, com 'Mist of Avalon'. O que eu achei interessante nessa faixa é que ela é um metal bem normal, de guitarra afiada, baixo pesadão e bateria muito atuante, mas soa muito especial e diferenciada por causa desse tema arturiano que fascina muitos músicos britânicos. Um dos pontos altos do disco.
      A faixa-título é outra bem cadenciada, de riffs muito pesados, e que na minha opinião tem um pouquinho de Sabbath (mas pode ser só impressão minha mesmo). Nessa vibe um tanto monolítica e cheia de personalidade temos outro belíssimo destaque. A energia volta em alta com 'Chasing the Bullet', aquele tipo de música pra se ouvir numa viagem de moto por uma estrada num dia ensolarado, um Heavy Metal britânico genuíno e da melhor qualidade.
     'Afterburner' me lembrou bastante a sonoridade do disco “Lionheart”, bem mais acelerada que a média do disco todo e com um refrão mais melódico. As guitarras são matadoras e a bateria metralhante. Para bater cabeça! Na sequência chega uma que vai ser trilha de um vídeo-game, 'When Doomsday Come (Hybrid Theory)'. É uma boa música, de riffs mais discretos e construção um tanto simples, e não empolga tanto quanto outras. Mas de qualquer forma não faz feio e deve ser uma trilha interessante para o jogo.
     Uma canção de levada muito bacana esta 'No Rest for the Wicked', que tem guitarras venenosas e cadencaidas sem serem lentas, linhas de bateria consistentes e segurras, junto com o baixo discreto mais muito competente. Outra ótima faixa.
      Na finaleira do play temos 'Ballad of the Working Man', que não é bem uma balada, já que flerta um pouco com o Hard Rock, mas aquela coisa meio suja do metal oitentista, sendo assim uma faixa muito interessante original. O solo é maravilhoso! E para fechar o festa com classe temos uma versão orquestrada da faixa-título. Vi por aí alguns fãs dizendo que não gostaram muito disso, que essa coisa de orquestrações não é a praia do Saxon. Mas olha, pessoalemnte eu adorei a versão, e até achei mais interessante ainda que a original. Realmente ficou muito bom. A ideia não é nada original dentro do metal, mas tratando-se do Saxon ficou algo até surpreedente! (de forma positiva, claro).
     Uma coisa que se falava muito a respeito da sonoridade da banda era a respeito de a produção dos últimos três ou quatro álbuns ter ficado a cargo de Charlie Bauerfield, que tendo trabalhado com bandas como Blind Guardian e Gamma Ray teria deixado o Saxon soando como “metal alemão”, com uma cara meio power/melódico que desgradava alguns fãs mais puristas. Mas dessa vez quem produziu o trabalho foi o próprio Biff, em parceria com Toby Jepson, e nisso se ouviu uma mudança considerável na forma como o disco soa, desta feita sendo 100% britânico. Não que isso seja melhor ou pior que do que quando Charlie trabalhava com a banda, é apenas uma curiosidade, e também uma prova de que Biff, o cabeça, não se prende a apenas um jeito de fazer música. 
      Outro ponto que eu preciso dar destaque é a capa, que eu  achei simplesmente genial. Simples, apenas a reprodução de um cartaz de incentivo ao alistamento militar, que é impactante e chamativo, como um convite ao Heavy Metal. Incrível!
    Um amigo meu me disse: “Saxon é um daqueles 'mais do mesmo' que não fica chato nunca”. E é exatamente isso. O Saxon não lança uma obra prima, um clássico definitivo, desde os anos 80, mas mesmo assim sempre nos brinda com álbuns maravilhosos e cheios de vigor, que talvez pequem em originalidade mais latente e evidente, mas que não deixam a desejar nem um pouco.
     Um dos bons lançamentos de 2011 que não faria feio na prataleira de nínguem que curta o bom e velho Heavy metal da terra da rainha. No Brasil foi lançado pela Hellion Records por um preço muito camarada! Garante o teu que vale muito a pena!

O Saxon é:

Biff Byford – Vocais
Doug Scarratt – Guitarra
Paul Quinn – Guitarra
Nibbs Carter – Baixo
Nigel Glockler – Bateria



Track List:

  1. Hammer of the Gods (04:23)
  2. Back in '79 (03:28)
  3. Surviving Against the Odds (03:01)
  4. Mists of Avalon (05:02)
  5. Call to Arms (04:29)
  6. Chasing the Bullet (04:14)
  7. Afterburner (03:06)
  8. When Doomsday Comes [Hybrid Theory] (04:29)
  9. No Rest for the Wicked (03:09)
  10. Ballad of the Working Man (03:48)
  11. Call to Arms [orchestral version] (04:28)




 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Rhapsody of Fire - From Chaos to Eternity

      O Rhapsody of Fire chegou ao fim de uma era. Este “From Chaos to Eternity” é o derradeiro capítulo das sagas épicas idealizadas por Luca Turilli e sua trupe, e após ele a banda não voltará mais as terras mágicas que foram desbravadas ao longo dos anos. Eles foram os pioneiros nessa ideia de explorar fantasia e magia em arranjos sinfônicos bombásticos num genuíno Power Metal europeu, foram os mentores de centenas de bandas que se espelharam em seu trabalho, foram mestres, ícones, já são praticamente lendas do estilo. É algo realmente um pouco difícil de encarar, mas vamos ver o que o futuro reserva e que nos trará daqui para diante os mestres italianos do Power Metal.
     Mas enfim, vamos ao que interessa: seguindo o protocolo a abertura fica a cargo de um prelúdio, 'Ad Infinitum', que mais uma vez conta com a voz poderosa de Christopher Lee fazendo uma narração imponente. O interessante nessa faixa é que não é apenas orquestral e com coro, mas também conta com uma fantástica base de guitarra, criando um clima bem fora do usual. A intro emenda-se na faixa título, que tem linhas de teclado muito intensas, sempre presentes, bons riffs e um refrão legal. Uma típica faixa rhapsodyana dos trabalhos recentes. Muito boa para começar os trabalhos em si.
     Logo depois temos uma inovação bastante positiva: a primeira música “rápida” da banda cantada em italiano, 'Tempesta di Fuoco'. Estamos acostumados a ouvir a bela língua italiana em baladas e canções épicas mais lentas, e no começa soa um pouco estranho o idioma em melodias mais aceleradas, mas logo nossos ouvidos se acostumam e nos damos conta de como também soa bem dessa forma, num leque muito interessante de variações na interpretação de Lione. As guitarras tem riffs cortantes e rápidos, mais doses do teclado melódico e com algumas gotas de prog, e orquestrações muito dignas. Ótima canção.
    'Ghosts of Forgotten Worlds' já começa com riffs espalhados por todos os lados, misturado com linhas de teclado aceleradas e bastante progressivas. Aliás, a música tem várias quebras que remetem ao progressivo, e diria que falta um certo que de pomposidade a canção no geral, mas o refrão consegue ser muito bom e impactante. Algo que soa pelo menos para mim é um certo clima de tensão. Voltando ao idioma mãe temos 'Anima Perduta', uma típica canção épica, que de novo não tem nada, mas consegue ser grandiosa e emocionante. Uma belíssima peça.
     O caos que tem menção no título do disco se faz presente na faixa 'Aeons of Ranging Darkness'. Temos uma profusão estonteante de riffs furiosos, vocais rasgados de Lione esbanjando raiva, bateria numa pegada espetacular, tudo misturado de uma forma de tirar o fôlego. De longe uma das faixas mais ousadas da discografia da banda. Mas depois vem uma das mais lindas canções que ouvi nos últimos tempos: 'I Belong to the Stars' é mais simples, tendo orquestrações um pouco discretas, corais bem colocados, mas de ponte e refrão de emocionar. Letra muito boa e é uma música realmente fabulosa.
  'Tornado' é bastante pesada, com velocidade e orquestrações latentes, bons riffs e uma atuação excepcional de Alez Holzwarth nas baquetas. Um boa canção.
    O gran finale é uma obra de arte monumental. 'Heroes of the Watterfall's Kingdom' é um super épico de 19 minutos que une absolutamente tudo o que o Rhapsody of Fire já fez em sua longa carreira. Tem o começo calcado no folk, com estrofes em italiano e flautas por todos os lados, para mais tarde explodirem corais bombásticos, orquestras grandiosas e refrões de canter junto até perder o fôlego. Passagens teatrais de arrepiar, com narrações que nos fazem mergulhar no desfecho da história, com momentos de pura tensão, que prendem a atenção até a respiração ficar suspensa. Tudo crescendo e se condensando até o ápice apoteótico que coloca ponto final em uma das maiores sagas musicais de todos os tempos. Uma música que eu me arrisco a dizer que está no limite da perfeição absoluta, um último capítulo que coroa gloriosamente a genialidade dessa banda inquestionável.
    “From Chaos to Eternity” pode talvez não agradar a todos os fãs, talvez soando como um álbum de altos e baixos e distante demais dos primeiros trabalhos. Mas com certeza é um ótimo álbum, mostrando que a banda está madura e sem interesse de seu auto-copiar eternamente. Agora é aguardar para ver o que os mestres do Power Metal Sinfônico vão preparar para esta nova fase.
      Desde já no aguardo! 


O Rhapsody of Fire é:

Fabio Lione – Vocais
Luca Turilli – Guitarra
Tom Hess – Guitarra
Alex Starapoli – Teclados
Alex Holzwarth – Bateria
Patrice Guers – Baixo



Track List:

  1. Ad Infinitum (01:30)
  2. From Chaos to Eternity (05:45)
  3. Tempesta Di Fuoco (04:48)
  4. Ghosts of Forgotten Worlds (05:35)
  5. Anima Perduta (04:46)
  6. Aeons of Raging Darkness (05:46)
  7. I Belong to the Stars (04:55)
  8. Tornado (04:57)
  9. Heroes of the Waterfalls' Kingdom (19:32)




Algumas versões contam com 'Flash of the Blade' (do Iron Maiden) como bônus, e ficou um ótimo cover, vale a pena conferir.









 

 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Discipline of Steel - Season One (Compilation)



        Esse post é pra pra divulgar uma grande ideia do meu camarada Pikachu Sama, lá do Discipline of Steel, que é disparado o melhor blog brasileiro (quiçá de toda América) de download de bandas de heavy metal em todas as suas vertentes. Nessa compilação você vai encontrar o que de melhor foi lançado no primeiro semestre deste ano, que está sendo pródigo em lançamentos de altíssimo nível.

Confere só que você vai ouvir:

*Amorphis - Song of the Sage
*Arch Enemy -
*Asgard - I Spit On Your Hands
*Blackguard - Cruel Hands
*Crimfall - Silver And Bones
*Dolmen (Arg) - Jaulas de Identidad
*DivineFire - Time For Salvation
*Dark Design - The Awakening
*Dibbukim - Yidl Mitn Fidl
*For All We Know - When Angles Refuse To Fly
*Falconer - Griftefrid
*Guardians of Time - guardians of time perverse perfection
*HammerFall - Patient Zero
*Hibria - Nonconforming Minds
*Infinity Overture - The Hunger
*Korpiklaani - Tequila
*Mayan - Celibate Aphrodite
*Mr. Big -
*Mercenary - In Bloodred Shades
*Odd Dimension - Another Shore
*Obscura - Septuagint
*Omnium Gatherum - Soul Journeys
*Rhapsody of Fire - Ghosts Of Forgotten Worlds
*Symakya - Under the Banner of the Faith
*Symphony X - Iconoclast
*Septicflesh - Pyramid God
*Stargazery - Eye On The Sky
*Sons of Seasons - Tales Of Greed
*Satan's Host - Fallen Angel
*Turisas - Fear the Fear
*Tengwar (Arg) - A Long Expected Fading
*The Black Dahlia Murder - On Stirring Seas of Salted Blood
*The Poodles - Father To A Son
*Týr - The Lay of Thrym
* Unexpect - Unsolved Ideas Of A Distorted Guest
*Unleash the Archers - The Fall OF The Galactic Guard
*Versailles - MASQUERADE
*Vintersorg - Klippor Och Skär
*Within Temptation - Faster
*Wings of Plague - One for the Butcher

É sonzaço e você não pode deixar de conferir! 
Vai lá, baixa e deixa seu comentário aqui e lá no Discipline também :D

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