terça-feira, 30 de novembro de 2010

Hydria - Poison Paradise


         A banda de Symphonic Metal carioca Hydria está lançando seu segundo álbum de inéditas, intitulado “Poison Paradise”, sucessor de “Mirror of Tears” (2008). Se utilizando da divulgação e da amplitude oferecidas pela internet, eles apostam na distribuição gratuita do trabalho, oferecendo-o gratuitamente para download em seu site, mas também reforçando que existe o produto físico à venda. Musicalemnte falando, é um disco que supera e em muito seu antecessor, mostrando todo o talento e garra de uma jóia da nova geração do metal verde e amarelo.
       Segundo o realese divulgado pela banda, a ideia cenral do disco é o impacto que o ser humano causa sobre o mundo que o cerca, meio ambiente, sociedade e semelhantes. Aborda uma vasta gama de sentimentos, dos mais intensos aos mais suaves, refletindo sobre o péssimo modo como o homem conduz o mundo, que quase está fadado a auto-destruição, mas que ao mesmo tempo ainda pulsa e tem esperança. É um disco maduro, repleto de sonoridades distintas, denotando uma banda muito segura e confiante.
       A audição já começa com tudo em 'Time of my Life (Center of my Universe)', que logo de cara despeja riffs pesados, bateria acelerada e técnica, vocais guturias que constrastam com os limpos da vocalista (no manjado modelo “A bela e a fera”, mas que aqui soa muito bem, sem ser taxado ou repetitivo). Uma ótima faixa de abertura, que dá a tonalidade do que virá mais adiante. 'The Place Where We Belong' também é bastante pesada e bombástica, tendo um clima bastante soturno, o que dá um ótimo contraste com seu peso, redundando numa atmosfera muito criativa.
        Logo em seguida vem a também muito boa 'Whisper', que conta com um andamento mais cadenciado, um clima mais light, mas que tem pegada e personalidade, e ótima interpretação de Raquel Schüler. A seguir chega a bela 'When You Call My Name', que mescla alguns elementos que me soaram um pouco folk, com melódias mais pop, mas sem nuncar perder de vista o peso e a intensidade. E o refrão é muito bom, marcante e fácil de acompanhar.
         A faixa que vem depois, 'Finally', tem uma certa pegada de metal melódico, bem acelerada, com técnica e peso característicos, mas que juntamente deixa muítissimo claro a latente veia sinfônica da banda. Uma peça muito interessante e versátil. Como nome bem diz, 'Prelude' é um prelúdio (:p), soturno e sombrio, que se une com 'Distant Melody', que também é curta, sozinha não passando de 3 minutos; é uma música mais reta, com menos elementos sinfônicos ou ambientais, mas que não é ruim por causa disso, muito pelo contrário, sendo absolutamente competente e bem empolgante até. 'The Sword' é a próxima, com teclados grandiosos logo de primeira, que abrem caminho para ótimos riffs de guitarra, que se unem ao restante do instrumental formando um musicão, grandioso e surpreendente.
       A dupla 'Queen of Rain' e 'Sweet Dead Innocence' demonstra toda a versatilidade da banda, englobando muitas coisas distintas, indo de momentos sombrios e obscuros até explosões grandiosas, com alguns corais, sinfonias e melodias sensíveis e marcantes. A faixa título talvez seja a melhor de todas, que une tudo o que se ouviu antes, muito peso, harsh vocals, teclados muito bem colocados e o incrível clima sinfônico, excepcionalmente bem construído.
      E o disco termina com 'In the Edge of Sanity' e 'The Only One', que trilham o mesmo caminho das demais, sendo por isso muito boas e interessantes.
      O Hydria é uma banda muito promissora, que dentro de uma cena supersaturada consegue ser única e criativa. Óbviamente que se espelham em bandas como Nightwish, Epica, Within Temptation, o finado After Forever e outros grandes nomes, mas em momento algum tentam ser uma cópia descarada destas, tendo sua própria personalidade e sonoridade, apostando no próprio talento e criatividade, não em fórmulas batidas. E isso logo se vê com a vocalista Raquel, que não é uma Tarja/Floor/Simone wannabe, mas sim uma moça de muito talento e luz próprias, que além da beleza tem muita técnica e versatilidade. E isso tudo também vale para os demais integrantes, que buscam ser sinceros como que se propõe, o que é fundamental para o mundo musical de hoje em dia.
       O download é de graça, mas quem gostar mesmo tem o dever de comprar o CD original e dar apoio para a banda, que tem tudo para ser mais um representante do prolífico e talentoso (porém tão desvalorizado em sua prórpia terra) metal brasileiro para o mundo todo admirar!

O Hydria é:

Raquel Schüler – Vocais
Marcelo Oliveira – Guitarra
Márcio Klimberg – Teclados
Turu Henrick – Baixo
Fabiano Martin – Bateria


Track List:

  1. Time of My Life (Center of My Universe) (4:35)
  2. The Place We Belong (4:48)
  3. Whisper (4:01)
  4. When You Call My Name (4:48)
  5. Finally (4:45)
  6. Prelude (0:55)
  7. Distant Melody (2:45)
  8. The Sword (4:22)
  9. Queen of Rain (4:08)
  10. Sweet Dead Innocence (4:43)
  11. Poison Paradise (4:22)
  12. Tn the Edge of Sanity (3:49)
  13. The Only One (4:06)



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Daydream XI - Humanity's Prologue

     “Em 2005, foi formada a Osmium, banda sem grandes pretensões e que tocava apenas covers. Nos anos seguintes, o grupo passou a compor músicas próprias e, junto com a formação de sua identidade musical, conquistou cada vez mais fãs, paralelamente ao amadurecimento do grupo. No final de 2008, o grupo mostrou sua nova fase, DAYDREAM XI. Com este novo nome, o quinteto formado por Tiago Masseti (vocal), Marcelo Pereira (guitarra), Cássio de Assis (guitarra), Tomás Gonzaga (baixo) e Lucas Santos (bateria) apresentou seu prog/power metal, lançando seu primeiro EP, intitulado "Humanity's Prologue" (disponível aqui na página do myspace), que conta com produção do guitarrista Renato Osorio (Magician, Scelerata e Fighterlord). Em 2009, Lucas Santos deixou a banda e agora o Daydream XI conta com um novo baterista, Bruno Giordano, que será apresentado em breve. Em meio a isso a banda está compondo o material que estará em seu primeiro álbum.”
       Essa é a biografia que consta na página do Myspace do Daydream XI, uma muito interessante banda gaúcha de metal progressivo, que eu acabei conhecendo por acaso, ao ver que eles iriam ser uma das bandas que irá abrir o show do Angra em Porto Alegre no próxima dia 5. Baixei o dito EP “Humanity's Prologue”, disponibilizado gratuitamente no Myspace, e fiquei positivamente surpreso com o que ouvi em suas 4 faixas autorais.
       A banda faz um prog metal bastante característico, visivelmente calcado em Symphony X, em algo que soa como ua mistura de “V: The New Mythology” (2000) com “Paradise Lost” (2007). Une muito coerentemente peso com técnica e virtuosismo, com ótimos solos de guitarra de Marcelo Pereira e Cássio de Assis, baixo bem ativo e bateria que flutua entre peso e quebras muito bem colocadas, e ainda a muítissima competente apresentação vocal de Tiago Masseti, que tem traços característicos dos vocalistas de prog, mas que também sabe muito bem dar uma personalidade própria para sua interpretação. O rapaz pode ser tido como uma bela revelação no cenário nacional, um ótimo vocalista, cheio de potencial e vontade.
       Bem, não vou me ater muita nas faixas, que tem suas características próprias e marcantes, mas deixo a cargo de quem se interessar conferir e tirar suas conclusões, já que vale bastante a pena, já que é um trabalho bastante profissional, bem gravado e produzido, de uma banda de futuro.
      E outra coisa que me chamou a atenção foi a belíssima arte da capa, assinada por Gustavo Sarzes (Nome que vem se consolidando na cena do metal, trabalhando com as principais bandas do país). Para uma banda iniciante eles estão investindo bem, oferecendo um ótimo material em todos os aspectos para o público.
       Não tenho certeza se existe CD físico do EP, mas se por acaso tiver para vender no domingo comprarei um e vou ver se existe algum outro ponto de venda. Se alguém aí curtir o som deles, e for possível comprar o produto, não deixe de faze-lo, para prestigiar e dar força para o nosso cenário nacional! ;D

O Daydream XI é:

Tiago Masseti – Vocais
Marcelo Pereira – Guitarra
Cássio de Assis – Guitarra
Tomas Gonzaga – Baixo
Bruno Giordano – Bateria


Track List:

  1. Graveyard of Disgrace (7:25)
  2. Beyond the Veil (4:46)
  3. Travel Throught Time (6:20)
  4. Open Minds (10:25)

sábado, 27 de novembro de 2010

Jon Oliva's Pain - Festival

       Jon Oliva é uma lenda viva. Ajudou a fundar uma das bandas mais influentes da história do Heavy Metal, o Savatage, em idos dos anos 80. Mesmo a banda não tendo o reconhecimento que mereceria, é uma das maiores e mais importantes de todos os tempos, tendo influencido gerações de bandas nas décadas seguintes. Com o fim definitivo do Savatage em 2001 (ou ao menos uma pausa que se estende até hoje e sem previsão de retorno), Jon começou uma nova empreitada, o Jon Oliva's Pain.
     Com esta banda nova Jon explora novos horizontes e sonoridades, sem tentar ser uma cópia descarada do que ele já fizera no seu passado dourado com o Savatage. Este “Festival” é o quarto registro da banda, e o primeiro a ter realmente alguma notoriedade e aceitação positiva, já que os anteriores causaram bastante desconfiança entre os fãs e a crítica, em razão de seus experimentalismos estranhos e não muito bem sucedidos. Porém desta vez Jon acertou a mão, criando um disco de Heavy Metal da melhor qualidade, extremamente criativo, mas que não apela para invencionices sem pé nem cabeça, num resultado primoroso, elegante de um bom gosto incrível.
     'Lies' abre a audição mostrando que o Rei da Montanha não veio para brincadeira. Uma música pesada, de riff's legais e todo um clima criado juntamente com as linhas de teclado do próprio Jon. Melhor início impossível. Em seguida temos a melhor do disco, 'Death Rides a Black Horse', que já começa com uma levada sombria de guitarra, mais teclados atmosféricos e flutuantes que compõe um clima obscuro e mesterioso, e uma interpretação irreprensível do vocalista, dando a entender que encontra-se ainda no auge de sua voz. Uma música fabulosa, de refrão grandioso que fica ecoando pela cabeça durante muito tempo. Sim, a melhor do disco.
       O play segue com a faixa-título, que segundo o próprio autor foi inspirada num pesadelo que teve num hotel holandês há alguns anos (e o tema acabou influenciando toda a temática do disco). Assim como um pesadelo, é uma música bastante escura, assim digamos, soturna, e pertubadora, com afinações e timbres diferentes do usual. Uma bela música que encara bem a tarefa de ser o título do trabalho. E por falar em soturnidade, 'Afterglow' leva o termo ao pé da letra. Inicia como uma baladinha bonitinha, como um belo dia de sol, mas que aos poucos vai escurecendo até se tornar uma noite escura e cheia de assombrações. Numa tradução livre significaria algo como “após o brilho”, e com o clima que ela tem, é um termo mais que apropriado.
        As guitarras de 'Living on the Edge' são bem mais destacadas em relação aos elementos climáticos, soando bem heavy, direta e sem firulas. Mais um dos pontos altos do disco. E depois vem uma bonita balada, 'Looking for Nothing', mostrando um Jon que sabe variar bem seus tons de voz ao cantar, com uma interpretação completamente limpa e cristalina. Tem um instrumental bem simples, mas repleto de feeling e bom gosto. Uma bela pérola no meio deste mar de obscuridades e pesadelos.
        É pesadona e raivosa a faixa subsequente, 'The Evil Within'. Mais guitarras destacadas, alguns corais discretos próximos ao refrão, Jon cantando demais e com certeza repleta de figuras assombrosas dos mais tenebrosos pesadelos. 'Winter Heaven' é outra que começa suave e tranquila, mas que ao longo do tempo vai sendo deformada até virar uma cena caótica de distorções e peso, vocais insanos e uma imagem de uma paisagem de inverno cinzenta onde algo macabro acontece. Belíssima canção.
      Somos conduzidos para o final do disco com 'I Fear You', muito pesada, cheia de distorções e teclados, e com um refrão nada melódico, mas que fica bem grudado na cabeça, numa interpretação magistral de Jon, que sabe dosar raiva com leveza perfeitamente. E para terminar temos mais uma ótima balada. 'Now' se diferencia porque reune elementos bem soft's com algumas coisas mais pesadas, com sutileza, dando uma cara única a ela, fechando o disco com classe, como se acordassemos de uma noite de sono tumultuada.
       Vale ressaltar que algumas das músicas deste “Festival” foram criadas a partir de gravações antigas Criss Oliva, irmão de Jon e guitarrista do Savatage, que acabou falecendo num acidente de carro nos anos 90. Uma forma muito digna de homenagea-lo já que provavelmente o Savatage não voltará a se reunir.
       Baita disco, bastante variado e criativo, que deve agradar os fãs do finado Savatage e também a quem admira este grande sujeito que está na história do Metal mundial.


O Jon Oliv's Pain é:

Jon Oliva – Vocais e teclados
Matt Laporte – Guitarra
Tom McDyne – Guitarra
Kevin Rothney – Baixo
Chris Kinder – Bateria



Track List:

  1. Lies (6:19)
  2. Death Rides a Black Horse (6:15)
  3. Festival (4:59)
  4. Afterglow (6:50)
  5. Living on the Edge (5:10)
  6. Looking for Nothing (3:05)
  7. The Evil Within (5:15)
  8. Winter Heaven (7:38)
  9. I Fear You (5:11)
  10. Now (4:23)



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Stratovarius - Darkest Hours (EP)


        Postagem curta e rápida. Acabei de baixar o novo EP do Stratovarius, “Darkest Hours”. Depois da saída de Timmo Tolkki a banda lançou o fraco “Polaris”, que mostrava um grupo que começava a buscar uma nova cara, uma nova força mas sem perder a essencia dos anos dourados; fora com passos lentos e cambaleantes, que redundaram num disco confuso e pouco inspirado, mas que mostrava potencial.
        Pois bem, precedendo o lançamento de “Elysium”, no próximo mês, temos este interessante EP chamado “Darkest Hour”, que traz cinco fiaxas, sendo duas inéditas, uma demo e dois clássicos gravados ao vivo durante a recente turnê do último disco. Minhas expectativas sobre o vindouro disco cresceram, já queo material apresentado é bastante animador.
       A faíxa-título tem a cara do Stratovarius, acelerada, guitarra virtuosa e bumbo duplo comendo a valer e refrão melódico. Mas não soa datada ou batida, um tipo auto-plágio ou qualquer coisa do gênero; tem uma cara toda especial, única, muito legal e que atiça a curiosidade sobre o que ainda está por vir. E 'Infernal Maze' trilha o mesmo caminho, com toda a virtuosidade inerente à tradição da banda, efeitos e teclados em seu início com falas de Kotipelto, que mais adiante dá mostras de estar na sua melhor fase como vocalista. Muito boa música, e quedá ainda mais esperança para “Elysium”.
       Ainda temos a versão demo de 'Darkest Hours', e os clássicos 'Against the Wind' e 'Black Diamond' em versão ao vivo da “Polaris World Tour” no ano passado e no começo deste. Não acrescentam muito mais, mas são itens interessantes para quem coleciona tudo referente a banda.
        Em suma, um ótimo aperitivo, e que valerá bastante a pena adquirir quando chegar as lojas.

O Stratovarius é:

Timo Kotipelto – Vocais
Jens Johansson – Teclados
Matias Kupiainen – Guitarra
Jörg Michael – Bateria
Lauri Porra – Baixo


Track List:

  1. Darkest Hours (4:12)
  2. Infernal Maze (5:34)
  3. Darkest Hous – Demo (4:35)
  4. Against the Wind – Live (4:02)
  5. Black Diamon – Live (7:30)




Recentemnete o baterista Jörg Michael foi dignosticado com um câncer de tireóide. Algo muito ruim e complicado, mas acredito que com as vibrações positivas de nós fãs ele se livra dessa! Força Jörg!


E Agadecimentos especiais ao Pikachu Sama pelo link. Valeu amigão!

Shaman - Origins

      Acabo de ler no Whiplash uma carta-protesto escrita pelo Thiago Bianchi, vocalista da formação nova do Shaman. Desde que o Shamam recomeçou após a saída do Andre Matos e dos irmãos Mariutti eu tive uma leve implicância com ele, que nesse exato momento em que redijo estas linhas desvaneceu-se, dando lugar a uma enorme admiração. Eu não vou citar aqui o que ele disse, confira você mesmo clicando aqui.
       E aproveitando o ensejo, decidi então falar do novo lançamento do Shamam, “Origins”. Em 2007 veio ao mundo o renascimento da banda, que parecia ter colocado final numa curta e impactante carreira; mas Ricardo Confessori não desanimou (alguns fãs mais extremistas preferem achar que se tratou de interesse, mas enfim) e recrutou novos e talentosos músicos para reerguer a banda das cinzas. E neste contexto tivemos o muito bom “Immortal”, que desagradou vários fãs antigos, mas que deixou boa impressão para outros tantos e ainda arrebanhou novos seguidores.
      “Origins” teve um processo longo e demoradode criação. Foram três anos de muito trabalho, de muita dedicação e esforço, onde cada detalhe foi lapidado ao extremo pra que ao fim o fã tivesse um material de qualidade irreprensível e altíssimo nível, não deixando absolutamente nada a desejar a qualquer banda europeia ou americana. A história por trás de “Origins” é a de um garoto de uma tribo dos confins da Sibéria (terra de origem dos primeiros xamãs que se tem notícia), que tem como missão de vida se tornar o líder mágico e espiritual de seus semelhantes. Mas no começo ele não aceita, e foge da tribo, começando uma penosa jornada de auto-conhecimento, que tem seu fim no momento que ele aceita seu destino e retorna ao lar.
      Somos introduzidos no mundo do menino siberiano com 'Origins (The Day I Die)', uma intro mística, repleta de elementos étnicos e misteriosos, no melhor estilo Shaman. 'Lethal Awakening' é um powermetal vigoroso, cheio de energia, e a primeira das inúmeras amostras do alto nível da produção que foi dado ao disco; o som é perfeito, muito bem mixado e masterizado, e a composição em si também parece ser trabalhada a exaustão.Grande modo de abrir o disco!
       A música a seguir é considera por muitos fãs e críticos como a melhor do disco. 'Inferno Veil' é um petardo daqueles, com Confessori descendo o braço na bateria com tudo, riff's rápidos e cortantes e com Thiago soltando a voz numa de suas melhores apresentações da carreira. Individualmente, nota 10 para a música. Em seguida temosa peça “Ego”, que é dividida em duas partes, a primeira bem suave, com flautas e intrumentos exóticos, já a segunda caindo com tudo novamente no metal melódico veloz, pesado e técnico. Ambas as músicas são muito bacanas, bem pensadas e que criam um clima que condiz com o conceito das letras.
       'Finally Home' começa bem baixa, com ruídos de teclado e outros sons místicos, e aos poucos vai crescendo e tomando forma até explodir num musicão épico, tocante, em mais uma bela interpretação de Biachi. Mais um ponto alto do play. E numa batida bem parecida vem 'Rising Up to Life', que inicia com linhas de teclado mais claras, muito bonitas, que se junta a um instrumental grandioso e um refrão imponente.
       Já 'No Mind' e 'Blind Messiah' tem aquele ar mais europeu, com bastante velocidade, de forma um tanto reta, mas que consegue unir as batidas mais malemolentes que Confessori sabe dar, garantido uma aura de originalidade bastante característica. E a última faixa é 'S.S.D. (Signed, Sealed and Deliver)', que remonta de certa forma ao disco “Ritual”, com toda a atmosfera mística e étnica que é marca registrada do Shaman. Mistura bem esses elementos de world music com metal melódico de primeira linha, fechando perfeitamente com o conceito, pondo ponto final na jornada do xamã renascido. Final épico, eu diria.
        O metal brasileiro infelizmente é desunido (entre os fãs, pra deixar claro), não tem espaço na mídia e é muito estigmatizado pela parcela conservadora e de mente fechada da sociedade. É um tipo de arte que exige muita vontade e dedicação, com pouco retorno e reconhecimento, e que é feito com o coração e com a alma, sendo algo muito difícil e duro gravar e lançar um disco de Heavy Metal. E com este “Origins”, e também com tantos outros lançamentos de muita qualidade de bandas briasileiras, podemos perceber que o metal tem um potencial enorme, só falta espaço e vontade de alguns. Na carta do Thiago ele desabafa sobre esses temas, e convoca os fãs verdadeiros a se mobilizarem, para mudar essa situação e dar ao metalseu merecido lugar ao sol.
        Então eu peço a qualquer um que por ventura esteja lendo essas linhas: faça sua parte! Encha o saco da rádio da sua cidade, dos grandes meios de comunicação, valorize as bandas que você não curte, apoie e muito as que você curte, vá nos shows, compre Cd's, camisetas, aqueça o mercado! Não adianta só pagar pau para banda estrangeira, quando se tem tanta coisa boa bem embaixo dos nossos narizes ;D


O Shamam é:

Thiago Bianchi – Vocais
Léo Mancini – Guitarra
Fernando Quesada – Baixo
Ricardo Confessori – Bateria



Track List:

  1. Origins (The Day I Die) (0:59)
  2. Lethal Awakening (3:38)
  3. Inferno Veil (5:20)
  4. Ego pt 1 (2:19)
  5. Ego pt 2 (4:59)
  6. Finally Home (5:50)
  7. Rising up to Life (3:36)
  8. No Mind (4:09)
  9. Blind Messiah (5:40)
  10. S.S.D. (Signed, Sealed and deliver) (5:50)




quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dimmu Borgir - Abrahadabra

        Nos últimos tempos o Dimmu Borgir tem sido uma fonte de especulações, de todos os tipos e espécies. Saída de membros, possíveis entrada de músico famosos, qual seria o futuro do som da banda após a debandada de duas figuras importantes importantes como Vortex e Mustis e mais questões que brotavam na cabeça dos fãs e dos jornalistas esecilaizados em Heavy Metal. Mas confusões, dúvidas e boatos a parte, acabamos tendo material novo, e de muita qualidade.
      Em 2007 tivemos o espetacular “In Sorti Diaboli”, trabalho aclamado pela crítica como o melhor e mais complexo disco já lançado pelo Dimmu Borgir. Realmente é um disco fabuloso, que fez por merecer as inúmeras notas máximas que recebeu mundo a fora na época; mas neste ano de 2010, mesmo com tantos problemas, consegue lançar um disco que supera seu antecessor, que veio para tomar o posto de obra-prima na discografia dos noruegueses. Este “Abrahadabra” e monumental, contando pela primeira vez com uma orquestra completa, e que nos traz 10 faixas do mais incrível e grandioso Black Metal Sinfônico que o universo do metal já ouviu. Eles são mestres nisso, e mais uma vez dão show de técnica e criatividade, se mostrando músicos competentes e aplicados, que primam pela excelência do resultado do material que oferecem aos fãs.
       A intro 'Xibir' é um mix de sons da natureza, de animais selvagens, ruídos estranhos e distorções intrumentais, que já vão arrastando o ouvinte para o que há de se suceder no decorrer do play. Ela se uni magistralmente com 'Born Treachrous', um petardo de oito minutos, com passagens sinfônicas insanas, muito peso, distorções e um clima que eu alcunharia por acinzentado muítissimo bem construído. Uma forma impactante de começar os trabalhos. Depois vem a interessante 'Gateways', primeiro single do disco, que ganhou um video-clipe cinematográfico (que apesar de bastante bizarro, é fruto de uma super-produção muito profissional). Eu adorei a música, mas acho completamente desnecessária a primeira passagem de vocal feminino, que soa infantil e muito deslocada e sem sentido. Mas apesar disso é uma ótima música, com uma abordagem diferente, operística, épica de certa forma e com vocais que são diferenciados com o que a banda costuma fazer.
        Em seguida temos a grandiosa 'Chess With the Abyss', super intensa, de um peso incrível, corais incríveis e um intrumental que beira a perfeição técnica e artística. Mais um dos grandes destaques do disco. De cabeça não saberia dizer se já teria ouvido uma faixa auto-intitulada; 'Dimmu Borgir' tem ares da fase mais antiga da banda, de peso paquidérmico, compacta e praticamente reta. É o que muita gente chamaria de “pancada no ouvido”.
      'Ritualist' é mais uma porrada. Pesada como chumbo, com a bateria insandecida parecendo uma metralhadora, guitarras portentosas e um trabalho vocal rasgado maravilhoso, no melhor estilo Dimmu Borgir. Na sequência vem 'The Demiurge Molecule', que conta com excelentes linhas de teclado, também muito pesada e técnica. 'A Jewel Traced Trought Coal' vem na mesma linha, esbanjando grandiosidade e técnica apurada. Essa sequência arrebatadora encaminha para o desfecho da obra.
        Somos introduzidos em 'Renewal' com uma narração soturna, com uma levada bem Black por trás. Não demora muito para que surja mais uma vez o instrumental perfeito e o vocal característico, que fazem um clima tão obscuro e tenebroso que é capaz de tirar arrepios do ouvinte menos acostumando com esse tipo de som. E o fim vem com a surpreendente 'Endings and Continuations', que consegue reuinir com incrível competência elemntos dos mais diveros, passando pela pancadaria e peso normal, com momentos mais arrastados e climáticos, com toda a grandiosidade da orquestra e a pomposidade que essa interpretação garante, com riffs de Heavy Metal em modelos mais clásiscos. Genial. Um encerramento brilhante.
        Alguns críticos acusaram a banda de se entregar únicamente a técnica e deixar de lado o feeling (apesar desse termo soar esranho para uma banda de metal extremo, já que não sei que outra palavra usar para designar aquela “aura”, assim digamos, que havia no som deles no início da carreira), e que eles estavam sendo presunçosos com tamanha grandiloquência musical, com tamanho esmero e pomposidade nas suas novas composições. Pessoalmente não concordo com isso. O Dimmu Borgir nunca fora uma banda de Black Metal cru, apenas ríspido e pesado, sempre usou e abusou de teclados, sintetizadores e elementos orquestrais, e não deixou de ser assim em “Abradahabra”. O disco tem sua aura particular, que soa diferente e única, e isso pra mim já serve como feeling. Enfim, um disco que é praticamente perfeito e que é marco na carreira de uma das bandas mais influentes na cena extrema de todos os tempos (queiram os tr00's ou não).

O Dimmu Borgir é:

Shagrath – Vocais
Silenoz – Guitarra
Gader – Baixo
Daray – Bateria


Track List:

  1. Xibir (1:02)
  2. Born Treachrous (8:14)
  3. Gateways (4:59)
  4. Chess With the Abyss (6:50)
  5. Dimmu Borgir (4:04)
  6. Ritualist (6:03)
  7. The Demiurge Molecule (5:12)
  8. A Jewel Traced Trought Coal (5:03)
  9. Renewal (5:55)
  10. Endings and Continuatiosn (6:28)




Nota: a capa que foi divulgada originalmente acabou sendo modificada após o lançamento para esta que usei, não tenho muita certeza do porquê, mas creio que foi por causa de algum desentendimento com o artista que a criou.

Avantasia - Angel of Babylon


Pois bem, agora temos o “Angel of Babylon”, a derradeira parte da “The Wicked Trilogy”. Como já tinha dito na outra resenha, admiro demais a coragem e a ousadia de Sammet, que fez um trabalho belíssimo sem se prender ao seu passado, causando ira em uns, e admiração em outros.
            Esse disco me confirmou algo que já observara: Tobias é um sujeito hiper-ativo e com a cabeça fervilhante de idéias. Nos seus últimos trabalhos, tanto Edguy quanto o próprio Avantasia, ele ampliou enormemente sua gama de influências, dando um sopro novo para suas composições, deixando mais de lado aquilo que o consagrou (Isso não é uma crítica, já que qualquer um acabaria enjoado de fazer o mesmo álbum sem parar). E por sair da mesmice, por desbravar novos campos, que ele é crucificado a cada novo lançamento.
            ‘Stargazers’ é uma peça de 9 minutos que nos proporciona embates épicos entre simplesmente Jorn Lande, Michael Kiske, Russel Allen e Oliver Hartmann. A música em si pode te soar um tanto confusa, mas esse cast de vocalistas compensa qualquer coisa, em uma das interpretações coletivas mais incríveis que já ouvi. A faixa-título tem um refrão do selo qualidade Sammet, que na primeira ouvida já te obriga a cantarolá-lo por horas a fio, uma faixa muito bacana e que se houver mesmo uma nova tour, deve funcionar muito bem ao vivo.
            ‘Your Love Is Evil’ é de fato meio estranha, com o Tobias numa interpretação talvez meio exagerada, mas que no todo não deixa de ser uma boa música. A faixa seguinte é uma pequena obra-prima, que não haveria ninguém mais competente para dar voz a ela que Jon Oliva, lendário vocalista do Savatage. Esta ‘Death Is Just A Feeling’ soa como um pesadelo teatral, onde um fantasma chama no meio da noite e apavora quem já está com medo. Sem sombra de dúvida uma das coisas mais criativas que Tobias já compôs.
            Teria certo potencial radiofônico esta interessante ‘Rat Race’, bem agitada, de refrão ressoante e de instrumental muito bem trabalhado. ‘Down In The Dark’ é também uma faixa muito interessante, com outra participação brilhante de Jorn Lande e um clima envolvente. Pessoalmente não consegui gostar de ‘Blowing Out The Flame’, uma balada que parece não encaixar no disco, soando um tanto aleatória.
            ‘Symphony Of Life’ é uma música delicada. A única música que não é de Sammet, sendo assinada unicamente por Sascha Paeth. Cloudy Yang decididamente não é nenhuma vocalista espetacular, mas executa a canção com muita competência. A música tem uma veia pop latente (que deve ter feito muito fã xiita arrancar cabelos de ódio), mas que não soa vazia. Foi surpreendente ouvi-la, e foi uma surpresa positiva.
            Já ‘Alone I Remember’ é sensacional. Um hardão com ares setentista que dá uma vontade incrível de sair cantando por aí. Jorn Lande solta sua veia hard rock e manda mais uma atuação irrepreensível, que o confirma como o maior e mais importante membro dessa nova fase do projeto. ‘Promissed Land’ já era conhecida, mas a versão que entrou no disco tem uma sutil (mais importante) mudança: Onde havia Michael Kiske, agora temos Jorn Lande. O resultado ficou bom, Jorn dá uma entonação mais forte para a passagem que era de Kiske, o que deixou a música levemente mais áspera.
            O desfecho é triunfal. ‘Journey To Arcadia’ representa a redenção do personagem principal, que deu muitas voltas e teve muitos medos e dúvidas, onde ele se encontra e ruma para casa. É épica, grandiosa, com um feeling impressionante. Um final apoteótico e comovente, para uma história que mescla fantasia com alguma realidade escondida, que de alguma maneira a maioria dos ouvintes deve ter se auto-reconhecido acompanhando as letras.
            Foi uma história mais humana, mais metafórica, e que exigiu muito mais dos fãs para que houvesse alguma interpretação. Ao que parece, as histórias de capa e espada deixaram o repertório de Tobias Sammet.
            Sinceramente, achei este “Angel of Babylon” levemente inferior ao “The Wicked Symphony”. Mas nota é a mesma, e pra isso me uso do mesmo argumento de antes: é um disco muito bom, trabalhado com muito esmero, com grandes artistas, de belas composições e que merece muito a nota que levou.
            Com certeza serei criticado ferrenhamente por essas opiniões, sendo alcunhado de puxa-saco, fã cego, sem personalidade de ir contra ou que quer que seja. Mas me defendo dizendo o seguinte: muito antes de simplesmente opinar sobre metal, opino sobre música, e só sendo muito cego e alienado para querer negar que os dois discos lançados pelo projeto Avantasia sejam música ruim.
            Enfim, é um trabalho soberbo, maduro e que nos mostra que Tobias Sammet está muito ciente do que quer e aonde pode chegar. 

Track List:

01.  Stargazers – 09:32
02.  Angel of Babylon – 05:28
03.  Your Love Is Evil – 03:52
04.   Death Is Just A Feeling – 05:23
05.  Rat Race – 04:10
06.  Down In The Dark – 04:23
07.  Blowing Out The Flame – 04:53
08.  Symphony Of Life – 04:30
09.  Alone I Remember – 04:48
10.  Promissed Land – 4:46
11.  Journey To Arcadia – 07:17