quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sonata Arctica - Stones Grow Her Name


            Quando se trata de Power Metal e/ou Metal Melódico, um dos nomes mais fortes e respeitados dessa cena é o dos finlandeses do Sonata Arctica. Construíram uma carreira muito sólida ao longo de seus treze anos de carreira até aqui, tendo começado com um metal super melódico e acelerado, tipicamente finlandês à época. Mas o tempo passa e os músicos amadurecem, e às vezes novos caminhos são tomados.
            Tony Kakko é do tipo inquieto. Ele é a cabeça pensante do grupo e não há como negar esse fato, sendo dele a responsabilidade de pegar as rédeas e decidir qual o caminho musical a ser seguido. E nota-se que ele cansou de fazer aquele metal na velocidade da luz, com bumbo duplo metralhante e arranjos quase impossíveis de tocar fielmente ao vivo. E foi isso que nós vimos no “Unia” (2007). Músicas mais simples, com outro ritmo e outra pegada, recheadas de elementos progressivos e flertando intensamente com o lado mais obscuro do ser humano, versando sobre tristeza e melancolia. Vibe que seguiu quase a mesma em “The Days of Grays” (2009), que soa ainda mais melancólico e obscuro, mas que sutilmente equilibra um pouco essa nova sonoridade com algo do começo da carreira.
            E é com esse pano de fundo que em 2012 nos chega o mais novo registro do Sonata Arctica: “Stones Grow Her Name”. A primeira impressão que tive do disco é que ele consegue ser ainda mais simplista; apenas um muito bom e objetivo disco de metal melódico. Ao longo das onze faixas que constituem o track list não vemos grandes firulas ou shows pirotécnicos, apenas músicas consistentes e bem trabalhadas.
            ‘Only The Broken Hearts (Make You Beautiful)’ abre o play com bastante energia e vitalidade, ótimos riffs e uma levada muito boa, com um refrão no melhor estilo Sonata Arctica contemporâneo. Uma excelente escolha de música de abertura, que dá o tom do que ainda está por vir.
            Em seguida temos a moderna e com pegada forte ‘Shitload of Money’. Com linhas de teclado muito marcantes, quase uma marca registrada da banda, guitarra competente e linhas vocais muito boas de Tony. E o teclado já aprece demarcando território brilhantemente logo na faixa seguinte, ‘Losing My Insanity’. Esta um pouco mais acelerada já, com alguns riffs que lembram bastante os primórdios da banda, bateria discreta, mas presente e precisa, e mais um excepcional refrão com a interpretação única de Tony. Eu acredito que seria um ótimo single com vídeo clipe.
            Arrisco a dizer que ‘Somewhere Close to You’ ocupe o posto de faixa mais pesada do disco do disco. As linhas de guitarra e baixo corroboram com isso, sendo densas e num tom mais baixo que cria um impacto maior no ouvinte. Destaque para a atuação do baterista Tommy Portimo nessa faixa, uma trabalho realmente muito bom na condução do peso da canção. A seguir temos o primeiro single do álbum, a peculiar ‘I Have a Right’. Digo peculiar porque a primeiro momento estranhei sua estrutura pouco comum, parecendo uma balada, mas sem ser um, ao mesmo tempo em que mistura alguns elementos que eu sinceramente não sei descrever muito bem. Mas enfim, uma canção de ritmo muito interessante, riffs e solo de Elias muito competentes resultando em uma sonoridade fascinante.
            Nessa ideia de estruturas mais diferenciadas temos também ‘Alone in Heaven’.  Uma música que dá a impressão de subir e descer com seu refrão forte, que ainda conta comum belíssimo solo de guitarra e as linhas de teclado sempre marcantes de Tony. ‘The Day’ é a que eu considero como mais fraca do registro. Soa aleatória no contexto do disco, além de faltar sal e parecer que vai do nada para o lugar nenhum. Podia ter sido deixada de fora em minha opinião.
            Se a faixa anterior soa sem graça e nada demais, a seguinte compensa em dobro ou em triplo. Caro leitor, você alguma vez já imaginou que viria a ouvir um BANJO no meio de uma música do Sonata Arctica? Bem, eu pelo menos não. Já vi gente alcunhando esta ‘Cinderblox’ de country metal, e olha, eu concordo! Sinceramente achei uma música fantástica em todos os seus aspectos, ousada e super criativa, com riffs, solos, teclados, vocais, bateria e banjo funcionando em uma harmonia perfeita. Individualmente nota 10 para essa faixa!
            Depois dessa efusão cultural o ritmo dá uma bem vinda diminuída e em até nós a linda balada ‘Don’t Be Mean’. Aquele tipo de baladinha sem nada de muito complexo, mas com um feeling incrível, que fica ainda mais notório com a excelente inclusão de alguns violinos. O Sonata é conhecido também por belas baladas, e manteram a tradição, acertando, e muito, a mão com essa.
            O encerramento fica a cargo de uma gratíssima surpresa. A banda resolveu resgatar a faixa ‘Wildfire’, do disco “Reckoning Night” (2004), dando a ela duas continuações neste novo disco: ‘Wildfire Part II: One With the Mountain’ e ‘Wildfire Part III: Wildfire Town, Population: 0’.
            A primeira bebe um pouco da fonte country de ‘Cinderblox’, mas que logo descamba em um Power Metal genuíno e old school, mas que mesmo tempo em que tem várias variações e quebras progressivas. Já a segunda começa a todo vapor, estonteante e super acelerada. E segue dessa forma por quase todos os seus oito minutos, tornando-se um verdadeiro deleite aos fãs que se sentem órfãos da antiga sonoridade da banda.
            Uma peça de quase dezesseis minutos puramente épica, grandiosa e grandiloquente. Mostrando que Tony Kakko e sua trupe ainda tem muita criatividade, e que conseguem muito bem ver o futuro sem deixar de lado o passado.
            Muito bem, um disco bom. Muito bom. Mas que não é brilhante, revolucionário ou um novo marco na discografia da banda. Mas mesmo assim é um trabalho de audição agradável, para quem gosta de uma boa música que não seja pretensiosa.
            O próprio Tony, algum tempo atrás, disse que ele queria fazer um disco com músicas que pudessem ser tocadas ao vivo sem grandes dificuldades. E olha, eu acho que ele conseguiu com sucesso.
            Para fechar: um belo disco que deve agradar a maioria dos fãs. Aposta na simplicidade sem ser preguiçoso ou indolente. Ou seja: poder adquirir o seu sem medo!

Nota 8

O Sonata Arctica é:

Tony Kakko – Vocais e teclado
Elias Viljanen – Guitarra
Henrik Klingenberg – Teclados
Marko Paasikoski – Baixo
Tommy Portimo – Bateria


Track List:

  1. Only the Broken Hearts (Make You Beautiful)
  2. Shitload of Money
  3. Losing My Insanity
  4. Somewhere Close to You
  5. I Have a Right
  6. Alone in Heaven
  7. The Day
  8. Cinderblox
  9. Don't Be Mean
  10. Wildfire, Part: II - One With the Mountain.
  11. Wildfire, Part: III - Wildfire Town, Population: 0.






 




quarta-feira, 2 de maio de 2012

Paradise Lost - Tragic Idol

           Algumas bandas, ao longo de muitos anos de estrada e de experiência, ficam notórias por conseguirem elaborar um som absolutamente único e marcante. O Paradise Lost é decididamente uma dessas bandas. Os garotos ingleses de Halifax, hoje já respeitáveis quarentões, ajudaram a fundar um movimento que viria a se tornar um dos mais significativos e importantes da história do Heavy Metal. Junto com Anathema e My Dying Bride, foram pioneiros no Gothic Metal no seu sentido mais puro e relevante.
            O caminho percorrido pela banda foi uma verdadeira montanha russa. Desde o começo onde a aposta era um Death/Doom arrastado e tétrico, passando pelos clássicos que o consagraram com mestres do Gothic, flertando com o eletrônico e o alternativo para por fim retornar ao bom e velho peso mesclado com melancolia e obscuridade nos trabalhos mais recentes. Mas, mesmo com tanta variação e experimentações musicais, o Paradise Lost conseguiu sempre manter uma identidade muito própria, sempre soando como eles mesmos. Os riffs muito marcantes de Greg Mackintosh e os vocais fortes e densos de Nick Holmes ajudaram muito nisso.  
            A consolidação da banda em uma proposta musical, que se deu nos três últimos trabalhos, apostando no peso, na técnica e melancolia, é o cenário que traz à tona este “Tragic Idol”, décimo terceiro disco de estúdio da banda. Temos aqui um disco absolutamente maduro, consistente e recheado de músicas que podem se tornar clássicos junto aos fãs. Como já disse antes, a ideia é mandar ver no peso, mas ao mesmo tempo criando uma atmosfera sombria e melancólica, com letras que fecham com essa proposta. Temos reverências ao passado, resgatando muitas sonoridades antigas. Como a própria banda havia prometido, é uma espécie de junção do peso de “Faith Divides Death Unites Us” (2009) com as altas doses de melodia de “In Requiem” (2007).
            A abertura fica a cargo de ‘Solitary One’. De cara se nota a vontade de fazer algo que faça lembrar de discos passados, pois a canção tem um clima melancólico e lento muito característico no disco “Icon” (1993). Os riffs de Greg são o mais belo Gothic possível, arrastados na medida certa, sem se tornarem chatos, com o feeling único que caracteriza o som da banda. Os teclados garantem a ambientação sombria e soturna, enquanto Nick fecha o pacote com uma performance impecável.
            A faixa seguinte já é conhecida desde fevereiro, quando foi disponibilizada como presente de dia dos namorados (que nos EUA, e boa parte da Europa, se comemora em 14 de fevereiro). ‘Crucify’ é um petardo de peso e agressividade. Seja talvez a faixa mais reta, calcada basicamente na ideia do peso, sem grandes outras influências, mas mesmo assim uma excelente canção.
            Fazer um mix de peso com muita melodia foi algo certeiro em ‘Fear of Impending Hell’. Tudo muito harmoniosamente encaixado, com nenhuma das facetas ganhando destaque demais, a intensidade se une ao melódico perfeitamente, representado em um ótimo exemplo na atuação de Nick, que varia entre o mais rasgado e o totalmente limpo com bastante facilidade e eficiência. Claro que ele não é mais o garoto que fazia aqueles sonoros guturais da era primordial, mas de qualquer forma sua técnica vocal esta mais afiada do que nunca. E com a maturidade que os anos trouxeram ele achou a maneira mais confortável de cantar. E convenhamos, como canta ele!
            ‘Honesty in Death’ é o primeiro single de “Tragic Idol”. Uma canção que alterna entre momentos bem pesados com outros mais calmos, com um refrão muito marcante e que logo gruda na cabeça. Conta com um vídeo clipe muito bom e que segue a tradição de ótimos trabalhos visuais que a banda produz. E para manter o nível alto e não deixar tempo nem para respirar, chega a pedrada ‘Theories From Another World’. Grandes riffs, baixo matador e outra (ele de novo!) atuação magistral de Nick Holmes nos vocais. É preciso destacar também o trabalho de Adrian Erlandsson (que já teve passagens por várias bandas de metal extremo) na bateria, que é outro dos responsáveis pelo generoso acréscimo de peso no som da banda desde o último disco.
            A pegada continua firme, agora com ‘In This We Dwell’ e sua bateria cavalgante e riffs mais retos e cortantes, além de um solo com o selo de qualidade Greg Mackintosh. A mais curta do disco, e com um andamento tão intenso que deixa uma vontade daquelas de bater cabeça. Grande música, e imagino que deva funcionar muito bem ao vivo. A seguir vem ‘To The Darkness’ com todo seu vigor. Um conjunto muito coeso do que se ouviu até aqui, com belos riffs, bateria muito pesada, baixo fundamental e um senhor refrão de encher a boca. Mais um dos pontos altos do trabalho.
            A minha favorita é a faixa título. Nela, a forma como tudo se encaixou ficou excelente e me causou uma impressão muitíssimo positiva. A letra é fantástica, de cabo a rabo, muito bem pensada e construída com a melodia da canção. Talvez esta seja o melhor exemplo da proposta atual do Paradise Lost, lembrando do passado, sem renegar os trabalhos recentes e nem nada que já fora feito, buscando assim soar sempre original e criativo dentro dessa sonoridade tão única que foi alcançada.
            Com ‘Worth Fighting For’ a audição encaminha seu final. Eu vejo essa música como a que mais mistura uma sonoridade acessível com a parte pesada e de distorção de digestão mais lenta e, com isso, atinge um resultado muitíssimo interessante. E a farra termina de vez com a fantástica ‘The Glorious End’ (cara de pau pouca é bobagem). Super arrastada e lenta, no molde de ‘Forever Failure’ do seminal “Draconian Times” (1995), porém soando contemporânea e cabível no nosso tempo. Um refrão imponente, solo corretíssimo e o clima retrô totalmente bem vindo, tudo isso fechando o trabalho lá em cima.
            Toda a estética do disco é muito interessante, em todos os seus aspectos. Desde os arranjos, melodias e vocais, passando pela produção cristalina e irrepreensível até chegar à belíssima arte da capa, rica em detalhes que se conectam com os temas líricos da banda. Ou seja, um trabalho lapidado ao extremo, com a intenção de proporcionar uma bela peça de arte ao acervo de seus fãs.
            Um track list compacto e de audição fácil, onde a audição flui naturalmente e sem se tornar cansativa. O melhor disco da banda em bastante tempo (e isso é um feito, já que nos últimos anos lançaram uma seqüência de discos ótimos), que une de tudo um pouco, resultando em um trabalho firme, coeso, maduro e que consagra um estilo único de fazer metal que é o do Paradise Lost.

Nota 9

O Paradise Lost é:

Nick Holmes – Vocais
Greg Mackintosh – Guitarra Solo
Aaron Aedy – Guitarra Base
Stephen Edmondson – Baixo
Adrian Erlandsson – Bateria


Track List:

  1. Solitary One
  2. Crucify
  3. Fear of Impending Hell
  4. Honesty in Death
  5. Theories from Another World
  6. In This We Dwell
  7. To the Darkness
  8. Tragic Idol
  9. Worth Fighting For
  10. The Glorious End










quinta-feira, 26 de abril de 2012

Epica - Requiem For The Indifferent


            De uma forma ou de outra, bastante sutilmente muitas vezes, o Epica é uma banda socialmente engajada. Desde o começo da banda tivemos várias canções que abordaram temas políticos, sociais, ambientais e religiosos, quase sempre em tom duro de denúncia e desaprovação. E continuando com essa característica chega até nós o quinto álbum de inéditas dos holandeses: “Requiem For The Indifferent”.
            Podemos notar logo de cara a proposta do trabalho através de sua capa, que mostra algo que metaforiza um possível futuro do planeta e da humanidade: um mundo metálico, plastificado, sem cor e sem vida, e quando raramente estas aparecem são vistas quase como um milagre e causam espanto. Um mundo que há de ser tomado por andróides e máquinas, deixando de lado a essência pura do ser humano. Assim, desde logo nos propõe a refletir a respeito do que estamos fazendo com o nosso lar, maltratando-o, poluindo-o e não mostrando um pingo de respeito ou agradecimento por tudo o que ele já nos deu. Ao mesmo tempo em que questiona os impressionantes avanços tecnológicos que vivenciamos atualmente, perguntando se vale a pena chegar tão longe.
            É um bocado de idéias que se pode tirar apenas da arte da capa, e isso denota que o Epica é uma banda que consegue com sucesso entrelaçar muito bem todos os aspectos que constituem uma concepção de trabalho artístico.
            A audição começa como não poderia deixar de ser, com uma introdução instrumental. ‘Karma’ soa um pouco diferente das aberturas dos dois últimos discos, que eram mais impactantes, mais cinematográficas. Esta me parece um pouco mais contida, e que de certa forma flerta com o início da banda, com uma atmosfera mais densa e soturna adornada com instrumentos de sopro diferenciados e com mais destaque para corais com vozes femininas.
            Na seqüência chega a pancada ‘Monopoly on Truth’ chutando baldes. Já de início ouvimos a bateria sempre ensandecida de Ärien, riffs rápidos e densos, boas orquestrações que foram uma base muito sólida para o restante do som. É uma faixa longa, com bastante variação, corais e refrões grandiosos. Simone cantando muito bem como sempre, e Mark está com s guturais afiadíssimos. Algumas partes dessa música me parecem claramente remeter ao disco “Consign to Oblivion” (2005), o que se repete algumas vezes ao longo da audição do disco, dando a entender que de fato eles realmente aproveitaram para incrementar um pouco do som atual com pinceladas do passado. Um belo acerto.
            A faixa seguinte é o primeiro single do trabalho: ‘Storm the Sorrow’. Eu pessoalmente gostei muito dessa escolha por dois motivos. O primeiro é que mantém a tradição de sempre pegar músicas diferentes umas das outras para single, já que se prestarmos atenção nenhum dos singles da banda pode ser considerado idêntico ao anterior, como muitas bandas fazem. O segundo é que uma música até que ousada para ser usada como carro-chefe do disco, pois é bem pesada e não é exatamente de fácil digestão. Mas de qualquer forma é uma ótima canção, apostando na bela voz de Simone e em uma cadência interessante, tem todo um clima bacana. Não é a melhor, mas com certeza um grande destaque.
            O Epica tem algumas marcas registradas, e uma delas certamente é as suas baladas. Sempre belas e sempre emocionantes, e carregadas de feeling. E desta feita não foi diferente. ‘Delirium’ é uma genuína balada da banda, que se guia na ótima interpretação de Simone, nas linhas de teclado de Coen e nas guitarras discretas, porém fundamentais. Excelente!
            Depois da calmaria vem a tempestade com ‘Internal Warfare’. Cheia de peso, bateria sempre marcante, grandes riffs e mais uma vez Simone mandando muito bem. Destaque para as orquestrações e os corais, este último que é um dos grandes ingredientes do disco, usados deu ma forma ampla, coerente e excepcional.
            A faixa título é uma das que mais me agradou durante a audição, desde a primeira vez. Seu início com temas orientais mais uma vez retoma às raízes, fazendo pensar no distante “The Phantom Agony” (2003). Em seguida começa o instrumental, mesclando sonoridades antigas com o peso atual de forma precisa. O refrão é espetacular, usando os corais de forma fantástica, o tornando épico e grandioso ao extremo. Mark, Simone e Ärien com interpretações irrepreensíveis. Uma peça grandiosa que consegue ser atual e retrô ao mesmo tempo, sem cair em mesmices ou autocópias. Individualmente nota 10.
            ‘Anima’ é aquele interlúdio aleatório que poderia ser dispensado, sempre aparece. E nele se cola o tiro curto ‘Guilty Demeanor’, uma música bastante pesada, mas com um andamento um pouco mais lento, o que dá a ela certo ar mais tenso e nervoso. Simone apresenta uma atuação bastante firme, dentro da vibe da música. Aparecem poucos guturais, mas são bem encaixados e colaboram com o todo da faixa.
            Mais uma balada. ‘Deep Water Horizon’ tem uma porção a mais de peso, quase em um meio termo entre uma balada convencional e uma música regular. Tem um belíssimo refrão, daqueles de se cantar junto nos shows. O teclado mais uma vez dita o ritmo, acompanhado por orquestrações mais discretas, mas bastante atuantes, tem também alguns bons solos e passagens bastante pesadas. Uma faixa completa e criativa. Em comparação com a anterior, a próxima não é tão original: ‘Stay the Course’ é uma música simples e direta, pesada e com um refrão apenas interessante. Diria ser apenas uma faixa regular de disco do Epica.
            Já ‘Deter the Tyrant’ aposta no peso e na simplicidade soando muito mais interessante. Tem riffs rápidos e cortantes muito bons. Que parecem até exóticos de certa forma. Os vocais muito competentes novamente, provendo mais um ótimo refrão a esta já grande coleção. Aqui e ali se ouvem novamente homenagens ao passado da banda, breves narrações, riffs e vocalizes. Esta sim uma faixa de destaque. ‘Avalanche’ faz jus ao nome, e muito. Começa baixa e sorrateira, mas depois desanda numa enxurrada de riffs e de linhas de bateria avassaladoras. Os corais outra vez fazem um trabalho primoroso, Mark e Simone dão show e encaminham o final da audição em altíssimo estilo.
            E para fechar com tudo temos a longa ‘Serenade of Self Destruction’. A típica faixa de encerramento, longa, cheia de variantes e nuances; orquestrações e certo quê lírico. Fica definitivamente claro que uma das idéias para este álbum era inserir elementos que remetessem ao passado, nos corais, em alguns riffs e em vários momentos mais climáticos. E conseguiram um ótimo resultado, que se encerra em ápice neste grande faixa.
            Analisando as letras nota-se aquilo que comentei lá no começo. Uma abordagem lírica muito inteligente para os problemas do mundo contemporâneo, um aviso e um alerta, para que abramos nossos olhos e mudemos o mundo. Curioso pensar que talvez possamos conectar o tema deste álbum com o do anterior, que falava em construir seu próprio mundo, e assim construir nosso próprio mundo a partir do que já temos; um melhor e muito mais humano.
            Se formos analisar friamente, o Epica desde 2007 vem seguindo um tipo de “padrão” na construção do set list dos discos, com músicas de formato similar e em uma ordem quase pré-estabelecida. Bem, em circunstâncias normais eu acharia isso um sério problema e criticaria duramente, porém não posso fazê-lo por uma simples razão: eles se garantem. As músicas não são repetitivas, são originais e inventivas, e apenas se encontram em um contexto de padrão, e por isso não são padronizadas.
            Já me alonguei demais e é hora finalizar: é um ótimo disco, que justifica o posto em que a banda encontra no cenário da música pesada mundial. Um disco que se ouve com facilidade, que apesar de longo se deixa fluir naturalmente e não é nada cansativo. Com certeza há de ser um dos discos de destaque nas listas ao fim de ano. Um trabalho esmerado, com o selo de qualidade Epica e Sascha Paeth, e que vai agradar todos os fãs da banda.
            Compre que vale a pena!

Nota 9

O Epica é:

Simone Simons – Vocal
Mark Jansen – Guitarra, vocal gutural
Coen Jansen – Teclados, piano
Yves Huts – Baixo
Isaac Delahaye – Guitarra
Ärien Van Weesenbeek – Bateria, vocais guturais

Track List:

  1. Karma
  2. Monopoly on Truth
  3. Storm the Sorrow
  4. Delirium
  5. Internal Warfare
  6. Requiem for the Indifferent
  7. Anima
  8. Guilty Demeanor
  9. Deep Water Horizon
  10. Stay the Course
  11. Deter the Tyrant
  12. Avalanche
  13. Serenade of Self Destruction











terça-feira, 27 de março de 2012

Blind Guardian - Memories of a Time to Come


            Eu sou do tipo de apreciador de música que implica seriamente com coletâneas, Bests Of, Greatest Hits e adjacências, as quais geralmente são lançadas por gravadoras sedentas por sugar ao máximo cada centavo que seus artistas possam vir a arrecadar ou por bandas decadentes que precisam apelar para o passado na intenção de continuarem em destaque. Porém, esta coletânea lançado em janeiro passado pelos alemães do Blind Guardian é algo completamente diferente, muito longe de ser um caça-níquel qualquer, um verdadeiro presente aos seus devotos fãs que angariaram ao longo de vinte e cinco anos de uma bem sucedida carreira.
            Seria muito fácil simplesmente pinçar meia dúzia de clássicos e fazer um disco de retrospectiva, sem nenhum atrativo a mais nisso do que uma capa bonitinha. Mas não, o que o Blind Guardian fez foi se enfurnar no estúdio (deles próprios, diga-se de passagem) e re-trabalhar minuciosamente cada uma das faixas selecionadas, criando assim um material que, mesmo não sendo inédito, soasse novo e muitíssimo mais interessante. A proposta é inteligente: pois fazendo novas mixagens, re-trabalhando e até mesmo re-gravado algumas dessas músicas, podemos notar claramente como o som da banda foi mudando no decorrer dessas duas décadas e meia, reconhecendo a sonoridade das raízes assim como todo o clamor épico da atualidade.
            Todas as fases do conjunto foram devidamente rememoradas; desde o speed metal tipicamente oitentista dos primeiros trabalhos, passando pelo powermetal que marcou uma geração inteira nos anos noventa até chegar ao que ouvimos atualmente: um som que alia peso, velocidade e um caráter épico impressionante, que se usa intensamente de corais grandiosos e orquestrações de impacto, em um mix único e marcante, que caracteriza o Blind Guardian como uma das bandas mais criativas e originais da atualidade.
            Como eu havia mencionado antes, este “Memories of a Time to Come” é um verdadeiro presente aos fãs da banda, que não vão adquirir apenas um trabalho aleatório apenas para ter a coleção completa, mas sim o resultado de um trabalho árduo, que denota respeito e carinho pelos fãs. E ainda mais do que isso: a prova de que eles conseguem se reinventar constantemente, fugindo da mediocridade e do senso comum, pegando algo que já existia e o transformando em algo único e reluzente.
            A versão regular traz dois discos com o que melhor os bardos já compuseram (apesar de que, evidentemente, sempre irá faltar essa ou aquela música que pode ser preferida de um fã). O track list não é em ordem cronológica, mas sim seguindo o padrão da banda: as músicas se encaixando perfeitamente, com coerência e sem deixar a audição cansativa. Já a versão deluxe traz os mesmos dois discos e mais um de bônus, que conta com versões novas das jurássicas demos do Lucifer Heritage, primeiro nome da banda, assim como também versões demos de outras músicas da discografia regular.
            Como vocês podem muito bem notar, eu sou um imenso fã da banda, um aficionado talvez, e sendo assim adorei todas as faixas do trabalho e prefiro não apontar essa ou aquela como sendo a melhor. Porém eu digo que gostei muito dos remixes de ‘Nightfall’ e ‘The Last Candle’, a nova versão do hino absoluto e indubitável ‘Valhalla’ (obviamente também contando com o lendário pai do powermetal, Kai Hansen); a emocionante versão orquestral de outro hino incontestável, ‘The Bards Song – In The Forest’ e as regravações de ‘The Bards Song – The Hobbit’ e da espetacular, e a minha favorita de todos os tempos, ‘And Then There Was Silence’.
            Espero que quem venha a ler estas linhas não me considere tendencioso, um fã que gosta de qualquer coisa que a banda faça mesmo que fosse ruim. Muito pelo contrário, se este fosse apenas um item para arrancar dinheiro dos admiradores da banda, eu seria o primeiro e falar mal e contestar a validade da ideia. Mas não é o caso, pois esta coletânea é na verdade um legado que esses alemães já quarentões prestam aos seus fiéis fãs, aos de longa data e aos que pegaram o bonde andando, um marco importante na jornada de sua carreira, para ser longamente lembrado e celebrado. 
           Sendo assim, este é um item obrigatório na coleção de todos os fãs da banda. Não faça feio e garanta já o seu que vale muito a pena
            Parabéns Blind Guardian! E que venham outros vinte e cinco anos de aventuras pela frente!


Nota 10

O Blind Guardian é:

Hansi Kürsch – Vocais
André Olbrich – Guitarras
Marcus Siepen – Guitarra
Frederik Ehmke – Bateria


Track List:

CD 1

  1. Imaginations From The Other Side [Remix 2011]
  2. Nightfall [Remix 2011]
  3. Ride into Obsession [Remix 2011]
  4. Somewhere Far Beyond [Remix 2011]
  5. Majesty [Remix 2011]
  6. Traveler in Time [Remix 2011]
  7. The Last Candle [Remix 2011]

CD 2

  1. Sacred Worlds [Original Version]
  2. This Will Never End [Remix 2011]
  3. Valhalla [2011 Version]
  4. Bright Eyes [Remix 2011]
  5. Mirror Mirror [Remix 2011]
  6. The Bard’s Song (In the Forest) [Orchestral Version]
  7. The Bard’s Song (The Hobbit) [Re-recorded]
  8. And Then There Was Silence [Re-recorded]








segunda-feira, 5 de março de 2012

Eluveitie - Helvetios

            Sendo talvez uma das bandas mais icônicas da nova geração do Folk Metal, o Eluveitie entra em 2012 lançando seu primeiro disco conceitual, e quinto disco de inéditas, intitulado “Helvetios”. Depois do muitíssimo bem recebido “Everything Remains As It Never Was” (2010), a banda fez uma bem sucedida turnê ao redor do mundo, passando inclusive por terras brasileiras duas vezes antes do lançamento do novo trabalho.
            Quando eu comentei o disco de 2010, havia dito que a banda alcançara um equilíbrio perfeito entre as sonoridades de seus três trabalhos anteriores, resultando em um álbum coeso e que definitivamente cravara o nome dos suíços no cenário do Folk Metal. Pois bem, mas agora com o novo disco a banda conseguiu me surpreender mais uma vez. Eu sinceramente esperava que se seguisse o molde de “Everything Remains...”, naquele mix de sonoridades atingido, porém o que ouvi logo de cara na primeira audição foi que eles conseguiram incrementar ainda mais o seu som, moldando dessa forma uma sonoridade que se torna mais única e representativa ainda. Um ponto positivo já de partida.
             Sendo este “Helvetios” um disco conceitual, contando a história das guerras gaulesas contra os romanos, nada mais correto do que começar os trabalhos com uma narração, aqui chamada apenas de ‘Prologue’. A voz de um homem velho, que aparenta ter vivido e visto muitas coisas, com ao fundo o som do mar, dá o clima dessa abertura, que emenda com a faixa-título quando começam a soar as flautas que se tornaram marca registrada do Eluveitie.
            E esta faixa-título já dá amostras do que eu dizia sobre mais uma vez conseguir balancear todas as fases da banda. Temos bastante peso e agressividade, corais ao fundo, muitas flautas e outros instrumentos exóticos, sintetizando muito essa proposta helvética de fazer metal folclórico.
            Logo em seguida temos a fantástica ‘Luxtos’, que é a minha favorita. Mais peso e mais folk, tudo perfeitamente ajustado em uma química irretocável. O refrão espetacular em gaulês (eu ao menos acredito que o seja, me corrijam se estiver errado) é absolutamente empolgante, que te faz cantarolar junto mesmo não tendo a menor ideia do que se esteja cantando. Com certeza um dos grandes destaques.
            Um pouco mais cadenciada é a faixa seguinte, ‘Home’. Essa sim parece um pouco mais com o que se ouviu no disco anterior, mas mesmo assim tem uma aura própria muito interessante. Menos veloz, porém com o mesmo peso e vigor das demais. Mais uma bela faixa e muito inspirada e ‘Santonian Shore’, com a veia folk mais presente no começo e que alterna com momentos de puro death metal melódico ao longo do seu caminho. Bastante criativa e outros dos bons momentos do disco.
            ‘Scorched Earth’ parece como um mantra druida que invoca a sabedoria dos ancestrais celtas, pedindo ajuda na violenta luta contra os opressores romanos. Claramente uma reminiscência do disco experimental “Evocation I: The Arcane Dominion” (2009), chegando quase a ser hipnótica, mística e mágica. Uma faixa que provavelmente desagrade alguns fãs, mas que pessoalmente eu gostei muito e que se encaixa na proposta conceitual do disco.
            Logo a seguir a pancadaria volta à tona, ‘Meet The Enemy’ talvez seja a canção mais metal do disco, com passagens folk mais comuns, digamos assim, porém eficientes e sempre bem elaboradas. Uma boa faixa, mais reta e pesada, porém não chega a ser um dos maiores destaques. E nessa mesma batida vem ‘Neverland’, também direta e reta, com boa pegada folk e um ótimo refrão. Mas é preciso dizer que talvez essa dupla represente o momento de menos brilho no álbum.
            Porém a audição ganha nova força agora com a excepcional ‘A Rose For Epona’. É uma faixa mais light, com flertes com o pop para alguns mais extremistas, mas dizer isso seria tolice, pois mesmo não sendo nada ortodoxa, essa é uma canção com vigor, pegada e peso na medida certa. E o fato de ela ser cantada inteiramente por Anna Murphy garante um quê a mais, pois isso de fato é algo incomum no repertório da banda.  Mais um grande e empolgante refrão. Outra das minhas favoritas.
            O que foi tentado em ‘Meet the Enemy’ resultou em melhor fruto com ‘Havoc’, muito pesada e agressiva, com a faceta do folk, baseada principalmente em violinos acelerados, construída de uma maneira mais notória e impactante. Decididamente uma que deu consideravelmente mais certo que a antes citadas. Uma peça furiosa e repleta de energia.
            ‘The Uprising’ é outra boa faixa, mas que caminha por meios mais comuns e que não tem grandes destaques a comentar.  ‘Hope’ é um interlúdio instrumental bonito, mas não de grande notoriedade. Mas então temos uma pérola, o tiro curto ‘The Siege’, de peso cavalar, violinos bem encaixados e backing vocals de Anna muito interessantes.
            Encaminhando o derradeiro fim, nos chega ‘Alesia’, que propicia um dueto muito bom entre Chrigel e Anna, mesclando a beleza da voz feminina com a ferocidade da masculina de uma forma solta e tranqüila sem virar aquele clichê típico. Mais uma que mantém o nível do disco alto. 
            Mais um interlúdio, narrado dessa vez, para a coleção: ‘Tullianum’. E esta se junta com ‘Uxellodunon’, canção competente apesar do pouco que tem a oferecer de novo. É de fato uma boa canção, mas talvez fosse preciso uma faixa de maior destaque pra encerrar as “músicas em si” do disco.
            E a história termina como começou. ‘Epilogue’ nos traz de volta o narrador concluindo seu relato, para em seguida uma breve e bela sessão instrumental aliada a um coro deu o clima definitivo de desfecho. Da forma como foi, não poderia ser melhor.
            É um disco de muitas faixas, com alguns interlúdios que poderiam ser tranquilamente cortados. Mas mesmo assim de forma alguma é uma audição cansativa ou que se arrasta demais, muito pelo contrário até, sendo absolutamente agradável e empolgante. Apesar de um ou outro deslize afirmo que “Helvetios” já esteja brigando pelo topo da discografia do Eluveitie, sendo um disco forte, firme e muito coeso, denotando uma banda criativa e irrequieta que não cansa em esmerar mais e mais a arte que faz.
            É provável que tenham notado que durante o texto não mencionei nenhum destaque individual entre os músicos. Preferi não o fazer por em uma banda de sete membros, e tão entrosados e afinados entre si, acredito que seria injusto apontar os destaques individuais de cada músico. 
            Por fim, um senhor disco que os amantes do Folk Metal com certeza apreciarão muito. Compre e não se arrependa!

O Eluveitie é:

Chrigel Glanzmann – Vocals, Acoustic guitars, Mandolin, Uilleann pipes, Bodhrán, Tin and low whistles, Gaita
Meri Tadic – Fiddle, Vocals
Merlin Sutter – Drums
Ivo Henzi – Guitars
Sime Koch – Guitars, Vocals
Anna Murphy – Hurdy gurdy, Vocals
Päde Kistler – Bagpipes, Whistles
Kay Brem – Bass


Track List:

  1. Prologue    01:24
  2. Helvetios   04:00
  3. Luxtos      03:56
  4. Home       05:16
  5. Santonian Shores     03:58
  6. Scorched Earth      04:18
  7. Meet the Enemy   03:46
  8. Neverland    03:42
  9. A Rose For Epona   04:26
  10. Havoc   04:05
  11. The Uprising    03:41
  12. Hope   02:27
  13. The Siege   02:44
  14. Alesia   03:58
  15. Tullianum   00:24
  16. Uxellodunon    03:51
  17. Epilogue   03:16

Nota   9








quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Nightwish - Imaginaerum

       Tenho uma página em branco na minha frente e não sei muito bem como começar. Existem muitas coisas a serem ditas a respeito deste “Imaginaerum”, o sétimo álbum de inéditas de uma das maiores bandas finlandesas de todos os tempos e um dos expoentes do que se convenciona chamar de metal sinfônico, o Nightwish. Bem, acho que a mais importante é: a espera de longos quatro anos sem material novo valeu a pena. E muito.
      A banda conseguiu se reeguer depois de um período muito difícil, cheio de dúvidas e incertezas, onde o futuro era sombrio e os descrentes uma verdadeira legião. O intenso trabalho de composição do incansável Tuomas Holopainen, assim como os esforços dos demais membros da banda, ao longo desses anos resultou em um trabalho soberbo, que concretiza e estabelece definitivamente o nascer de uma nova era para a banda.
    “Imaginaerum” é um disco grandioso, impactante, repleto de vieses e facetas que se desdobram de forma espetacular, criando assim uma verdadeira obra de arte: rica, variada, pomposa e emocionante. Vai de baladas de veia pop até as bombásticas orquestrações de trilhas sonoras hollywoodianas, passando por uma profusão étnica, folk e de elemntos dos mais diversos e imprevisíveis, forjando assim um trabalho único e que transborda criatividade.
      O disco já abre de uma forma bastante incomum. 'Taikatalvi' é uma intro em em finlandês cnatada por Marco que me soa como uma canção de ninar, bela, lúdica e com um quê mágico irresistivel. Um início de audição muito interessante, que cativa o ouvinte logo de cara.
     Logo na sequência chega 'Storytime',o primeiro single do disco e a primeira que ouvimos, ainda lá em novembro. Como eu já tinha comentado, uma música fantástica, grandiosa e realmente impressionante e um single de muito respeito. Anette muito segura e confiante, solta e num tom muito agradável. E mesmo com tantos elogios, é preciso dizer: não é a melhor do disco!
    A próxima tem uma clara influência de Van Hallen da época dourada da banda americana. Durante o acampamento de verão da banda, onde muita coisa foi composta, foi comentado por eles que haveria uma música assim, mas acredito que nínguem suporia que fossem assim evidente. Esta 'Ghost River' tem bastante peso, teclados oitentistas, um coral de crianças sensacional e uma letra sombria. As interpretações de Marco e Anette são impecáveis, versáteis e teatrais. Destaque especial para a atuação de Emppu também. Um dos grandes destaques.
    As luzes diminuem e o ambiente fica enfumaçado e com cheiro de bebida no ar. 'Slow Love Slow' é um perfeito jazz de cabaré, onde Anette canta de forma doce e suave, acompanhada por uma melodia de piano tocante e uma banda que parece encarnar o espírito de New Orleans. Talvez a faixa mais peculiar do disco, carregada de uma melancolia bela e marcante, que denota a o talento de Tuomas como compositor que não se prende aos próprios clichês.
     Do escuro cabaré pulamos para uma animada festa folk com 'I Want My Tears Back', que logo de cara nos manda os mais típicos riffs do Nightwish, que logo incorpora acordeões e bagpipes criando um clima folclórico maravilhoso e empolgante. Do meio para o fim temos uma fanfarra de instrumentos folk aliados a guitarra e a bateria que redunda num verdadeiro extâse musical de tirar o folêgo. Uma das minhas favoritas!
      'Scaretale' é um pesadelo. Um daqueles pesadelos que todo mundo já teve, de se ver em algum lugar meio sombrio e de repente se ver cercado de coisas assustadoras e não ter para onde correr. A música parece uma peça de teatro, ou um número circense, de elementos lúdicos que facilmente podem se tornar assustadores de uma hora para outra. As orquestrações são invcríveis, jogando o clima da canção nas alturas. As variações ritimicas dão a impressão de uma viagem tortuosa repleta de altos e baixos impulsionada por sons e melodias exóticas. Uma pequena obra-prima.
      Unindo-se a esta última temos 'Arabesque', uma faixa instrumental de ritmos e batidas árabes aliadas a orquestra, numa profusão estonteantes de sons que se sobrepõem uns aos outros, construindo uma aura tão alta que é de ficar embasbacado.
     Despedidas nem sempre precisam ser um adeus, mas quem sabe apenas um até logo. É mais ou menos essa a ideia por trás da lindíssima 'Turn Loose the Mermaids'. Tuomas contou que compôs após o seu avô ter falecido, quando viu sua avó se despedindo dele, oque o deixou profundamente mexido na época. Pode-se dizer que é uma canção triste, mas que mostra esperança, de que no futuro aqueles que se separaram ainda vão se reencontrar. Tem belas melodias de piano, uma leve mas marcante veia folk e um feeling tocante que mexe com qualquer um que já tenha perdido um ente querido. Tem uma certa influência de My Dying Bride. Quem sabe a mais bela canção do grupo.
      A audição segue agora com 'Rest Calm'. Esta tem uma estrutura um pouco diferente do comum, pois seu refrão não explode nas alturas, de certa forma pegando o ouvinte desprevenido. Mas é uma grande canção, com muito feeling, onde mais uma vez Anette e Marco dão show. Outra vez temos o coral de crianças, entonandoo refrão perto fim da faixa, de forma fabulosa. Emppu manda excelemtes riffs e solos, a bateria de Jukka é precisa e de impacto e os teclados clássicos garantem um clima especial. Faixa épica e grandiosa, mais um excepcional destaque!
     'The Crow The Owl and The Dove' conta com a participação especial Troy Donockley (gaitista que já tocara com abanda no “Dark Passion Play”) nos vocais, fazendo um excelnete dueto com Anette. É uma canção de veia mais pop, mas nem por isso é ruim, muito pelo contrário, pois faz com que o disco não soe repetitivo e que abusa das mesmas fórmulas. Grande canção e a letra é maravilhosa.
     A próxima faixa é a que eu, pessoalmente, considero como a melhor disco: 'Last Ride of The Day'. Empolgante, grandiosa, com orquestrações soberbas e um refrão de tirar o fôlego. Anette se mostra mais a vontade do que nunca, dando o melhor de si, em um espetáculo de versatilidade e emoção ao interpretar. Muito interessante a letra também, bastante positivista e inspiradora, trazendo de volta à tona a velha faceta mais iluminada do Nightwish.
     O fim se aproxima e agora temos a longa 'Song of Myself'. Como nas demais canções, as orquestrações são o grande destaque, mostrando-se extremamente bem compostas e que levam o ouvinte para um passeio em uma montanha russa de sensações. Dividida em quatro partes, os 13 minutos da faixa tem de música em si a metade desse tempo, sendo a outra metade uma espécie de poema, narrado por várias vozes muito distintas. Vale muito a pena prestar bem atenção no que esse poema diz, pois são palavras verdadeiras e sinceras que nos fazem parar para refletir sobre nossa própria vida.
    E a viagem chega ao fim com a faixa que dá título ao álbum. Um medley de todas as músicas, uma retrospectiva de todas as emoções que sentimos nessa insana jornada pelo mundo da imaginação e fantasia, do passado e do futuro, das alegrias e das tristezas. Um final apoteótico para um disco que beira o limite da perfeição.
    “Imaginaerum” é um trabalho de afirmação. Simplesmente deixa o seu antecessor comendo poeira (e olha que eu acho ele um disco realmente bom). Na comparação com o último trabalho, eu sinto que este é mais coerente, mais firme, mais sólido. É tão longo quanto, porém os 75 minutos de audição passam voando, sem por um segundo se tornar cansativo ou muito massante. E ainda é preciso dizer que este é um álbum é mais alegre, mais luminoso, mais otimista, onde a escuridão aparece mas não é o grande destaque.
    Anette é agora parte da banda, querendo os puristas ou não, está confiante e segura de si, dando seu melhor e mandando realmente muito bem sem medo de ser feliz.
    Tuomas sabe compor para orquestra, diferentemente de outros artistas desse estilo que geralmente apenas jogam alguma orquestração qualquer em cima da música. O que ele escreve é genuíno, ele sabe o que faz, e o fato de ter o apoio de outros compositores que colaboram faz com que essa música seja ainda mais verdadeira e orgânica.
    Marco, Jukka e Emppu completam o time dando a liga que fez dessa banda o sucesso que ela é. Eles igualmente são ótimos músicos, que colaboram em todo o processo de composição e produção do disco, se tornando assim uma parte imprescindível da banda e que merece ter igual destaque que as figuras de Tuomas e Anette.
     Não vou me atrever a afirmar categóricamente que este seja o melhor disco do Nightwish, pois cada um dos disco que eles já lançaram são únicos e especiais. Porém eu posso afirmar que ao lado de “Once” (2004), “Imaginaerum” ocupa o topo da discografia da banda, podendo assim estar na categoria de obra-prima.
     Vocês já notaram que eu me alonguei demais nesse comentário, então vamos ao finalmentes: um dos discos do ano, que bem dizer fecha 2011 com chave de ouro. Um trabalho riquíssimo, que alia a raíz folk européia com a grandiloquência orquestral e todo o carisma que esses finlandeses fizeram se tornar sua marca registrada ao longo dos anos.
     Parabéns Nightwish, e que continue nos presentenado com muito e muitos discos tão incríveis quanto este ao longo dos anos!


O Nightwish é:

Anette Olzon – Vocais
Tuomas Holopainen – Teclado e piano
Jukka Nevalainen – Bateria e percussão
Marco Hietalla – Baixo e vocais
Emppu Vuorinen – Guitarra


Track List:

  1. Taikatalvi (02:35)
  2. Storytime (05:22)
  3. Ghost River (05:28)
  4. Slow, Love, Slow (05:50)
  5. I Want My Tears Back (05:07)
  6. Scaretale (07:32)
  7. Arabesque (02:57)
  8. Turn Loose the Mermaids (04:20)
  9. Rest Calm (07:02)
  10. The Crow, the Owl and the Dove (04:10)
  11. Last Ride of the Day (04:32)
  12. Song of Myself (13:37)
  13. Imaginaerum (06:18)


     A Laser Company vai lançar o disco aqui no Brasil em versão dupla (sendo o CD2 a versão instrumental) por preço de CD simples. E você já pode compra-lo na pré-venda oficial neste site http://imaginaerum.com.br/ Se eu fosse você não perdia! ;D


    E antes de terminar, queria mandar uma abraço aos meus amigos que conheci por causa da banda: Rafael, Isadora, Jaime, Miss, Arianne, Luciana, Julie, Amanda, Oyafuso, Rafaela, Thiago, Luiz, João, Diego, Yuri, Malú, Juscelino, Diego, Gílson, Chrissy e todo o resto do pessoal da comunidade do Orkut dos velhos tempos e agora da página do Facebook (desculpe se esqueci de alguém! XD). Vocês são demais!



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Nightwish - Storytime (Single)

Storytime é o primeiro single de  divulgação do novo disco de inéditas do Nightwish, intitulado "Imaginaerum" e que será lançado ainda no fim deste mês de novembro. Muito bem, depois de dada a apresentação formal, vou falar o que achei da música de uma maneira que decididamente não é o meu usual: PUTA QUE PARIU O QUE É ISSO?????????????

Não foi pouca a minha supresa ao ouvir a música quando a mesma foi tocada por uma rádio finlandesa alguns dias atrás. Eu já estava com a expectativa muito alta para como resultado de mais de quatro anos de trabalho árduo de Tuomas Holopainen e sua trupe, porém essa expectativa foi superada de uma forma tão intensa que mal pude acreditar no que ouvia.

Temos aí uma mistura estonteante de tudo o que de bom esse gigante do metal sinfônico que atende por Nightwish já criou. Temos orquestraçãos monumentais, no mais puro e genuíno clima de trilha sonora de filme épico. Corais grandiosos e imponentes que jogam a faixa nas alturas. Um refrão daqueles que promete empolgar platéias ao redor do mundo na próxima turnê. Uma dose muito genorosa de peso (ainda mais tratando-se de um single). Os riffs marcantes de Emppu Vuorinen, a bateria sempre correta de Jukka Nevalainen e o baixo discreto mas muito competente de Marco Hietala. Também, óbviamente, as linhas de teclados singelas e quase lúdicas de Tuomas.

E não haveria como não destacar a performance impecável de Anette Olzon. Quando entrou na banda foi jogada sem piedade numa fogueira daquelas, sofrendo maus bocados por causa de fãs imbecis, mas de qualquer forma teve uma estréia digna em Dark Passion Play. Mas agora, cinco anos depois, ela está completamente a vontade, mostrando todo seu potencial e talento, cantando solta e despreocupada. Desta vez o disco foi composto pensando na voz dela, e não numa incógnita como fora da última vez. Podemos dizer então que agora ela pegou de vez o cargo de frontwoman do Nightwish e não vai largar facilmente! :D

Uma imagem  que me ocorreu nas primeiras que a ouvi a faixa, foi a de um monumento muito grande, que faz o observador ter que olhar para o alto e para os lados, tomando toda sua atenção e o enchendo de detalhes que compõe uma peça fantástica, para então se tomar consciência da grandeza que esta diante de si. Isto é Storytime.





Muito bem, dado o que já se ouviu através do single e mais das samplers que andam circulando por aí, além das resenhas feitaspor jornalistas europeus que já tiveram  prazer de ouvir o disco completo, creio que possamos ter a muito forte suspeita que estamos prestes a receber o melhor disco da história do Nightwish.

Não sei quanto aos amigos leitores, mas eu estou ansioso ;)